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Dólar comercial cai para menor valor em 21 meses e fecha a R$ 5,188; Ibovespa bate recorde acima de 186 mil pontos

10 fev 2026 - 06h15 Joice Gomes
Dólar comercial cai para menor valor em 21 meses e fecha a R$ 5,188; Ibovespa bate recorde acima de 186 mil pontos O dólar comercial atingiu o menor patamar em 21 meses, fechando a R$ 5,188, enquanto o Ibovespa renovou máximas históricas nos 186 mil pontos. (Imagem: Valter Campanato/Agência Brasil)

Em um dia marcado por otimismo no mercado financeiro, o dólar comercial fechou em queda acentuada, alcançando o menor valor em 21 meses. A cotação encerrou negociada a R$ 5,188, com recuo de 0,62% em relação ao dia anterior.

A moeda americana operou em baixa ao longo de toda a sessão de segunda-feira (9), tocando mínimas próximas de R$ 5,17. Esse patamar não era visto desde maio de 2024, refletindo uma tendência de enfraquecimento do dólar no cenário global.

Paralelamente, o Ibovespa, principal índice da B3, registrou forte alta de 1,8%, fechando em 186.241 pontos e batendo novo recorde histórico. O desempenho positivo foi puxado por setores como bancos, petroleiras e mineradoras.

Motivos globais para a queda do dólar

O movimento de desvalorização do dólar comercial acompanhou tendências internacionais, influenciadas por dados econômicos recentes dos Estados Unidos. Relatórios do mercado de trabalho americano vieram abaixo das expectativas, elevando as probabilidades de cortes nas taxas de juros pelo Federal Reserve.

Outro fator relevante foi a vitória eleitoral da primeira-ministra japonesa Sanae Takaichi, que gerou expectativas de intervenções para fortalecer o iene. Isso pressionou o dólar contra moedas asiáticas e emergentes.

O principal catalisador, porém, veio da China: autoridades regulatórias recomendaram que bancos do país limitem compras de títulos do Tesouro americano (Treasuries) e reduzam posições existentes. A medida visa mitigar riscos de concentração e volatilidade, sem afetar as reservas oficiais do governo chinês.

  • China detém volumes significativos de Treasuries, cerca de US$ 298 bilhões em ativos em dólar até setembro passado.
  • A orientação foi verbal e sem metas específicas de redução, mas sinaliza diversificação de reservas.
  • O anúncio ocorreu antes de conversa entre presidentes Xi Jinping e Donald Trump, que planejam cúpulas em abril.

Euforia na bolsa brasileira

O Ibovespa ganhou tração com o fluxo de investidores estrangeiros, beneficiado pelo ambiente favorável aos emergentes. Ações de blue chips, como Petrobras, Vale e bancos (Itaú, Santander e Banco do Brasil), lideraram os ganhos.

O volume negociado somou R$ 27,83 bilhões, com entrada líquida estrangeira reforçando a alta no fim do pregão. Analistas destacam realocação global de recursos, com estimativas de mais de US$ 40 bilhões migrando para mercados como o brasileiro.

Em 2026, o Ibovespa acumula valorização de 15,69%, enquanto o dólar comercial perde 5,47% no ano. Esse cenário reflete apetite por risco em ativos de maior retorno.

Por que isso importa para o Brasil

A desvalorização do dólar comercial alivia a pressão inflacionária importada, beneficiando consumidores e empresas dependentes de insumos externos. Produtos como eletrônicos, combustíveis e alimentos processados tendem a ficar mais acessíveis.

Para exportadores, como agronegócio e mineração, a cotação mais baixa reduz receitas em reais, mas o boom na bolsa compensa com valorização patrimonial. Setores sensíveis a juros, como varejo e utilities, também se beneficiam do otimismo global.

O Banco Central monitora o câmbio, mas intervenções têm sido mínimas em meio à tendência de queda. A Selic em ciclo de redução gradual, sob comando de Galípolo, contribui para o ambiente positivo.

  • Exportadores de commodities ganham com demanda chinesa estável, apesar da diversificação de reservas.
  • Consumidores sentem impacto positivo em viagens internacionais e compras online em dólar.
  • Investidores locais veem oportunidade em fundos de ações e renda variável.

O que esperar nos próximos dias

Analistas preveem persistência do dólar fraco global, impulsionado por dados americanos fracos e políticas expansionistas no Japão. A recomendação chinesa pode ampliar a venda de Treasuries, pressionando yields e o dólar.

No Brasil, o Ibovespa pode testar novas máximas se o fluxo estrangeiro continuar. Riscos incluem volatilidade geopolítica ou surpresa em indicadores econômicos dos EUA.

O dólar comercial pode oscilar entre R$ 5,15 e R$ 5,30 nas próximas semanas, dependendo de novidades sobre Treasuries e Fed. Investidores devem diversificar carteiras para navegar incertezas.

Esse pregão reforça a resiliência do mercado brasileiro em contexto global favorável, com potencial para mais ganhos em 2026.

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