Secretária de Estado de Saúde recebe comandante do navio-hospital da China atracado no porto do Rio Janeiro.
(Imagem: Reprodução/Estado do RJ)
O navio-hospital chinês Silk Road Ark atracou no Rio de Janeiro, gerando questionamentos do Conselho Regional de Medicina (CREMERJ) sobre serviços médicos. A embarcação, parte da Missão Harmony 2025, promoveu intercâmbio cultural e treinamentos até 15 de janeiro de 2026.
Equipado com 14 departamentos clínicos e capacidade para 300 leitos, o navio-hospital chinês chegou ao Píer Mauá sob caráter diplomático, autorizado pela Marinha do Brasil. Autoridades negam atendimentos à população local, focando em cooperação institucional.
CREMERJ cobra explicações e tenta vistoria
O CREMERJ enviou ofício à Secretaria de Estado de Saúde (SES-RJ) em 12 de janeiro, exigindo detalhes sobre oferta de serviços, habilitação de médicos estrangeiros e cumprimento de normas do CFM. Baseado na Lei nº 3.268/1957 e Resolução CFM nº 2.216/2018, o conselho deu prazo de 72 horas.
Fiscais do CREMERJ foram impedidos de acessar o interior do navio-hospital chinês no dia 13, enfrentando resistência consular e militar. Conselheiro Raphael Câmara criticou a falta de transparência e ausência de comunicado prévio ao conselho.
A SES-RJ afirmou não haver atendimentos, classificando a visita como humanitária em potencial, sem ações assistenciais. A Marinha confirmou coordenação com consulado chinês, sem previsão de serviços públicos.
Missão Harmony 2025 e características do Silk Road Ark
O Silk Road Ark, segundo navio-hospital chinês de 10 mil toneladas, zarpou de Quanzhou em 5 de setembro de 2025 para 220 dias de missão, visitando 12 países. No Brasil, priorizou intercâmbio com Hospital Naval Marcílio Dias e atividades culturais.
- Chegada ao Rio: 8 de janeiro de 2026.
- Saída prevista: 15 de janeiro de 2026, rumo ao Uruguai.
- Capacidades: Helicóptero, radares e mais de 60 procedimentos médicos.
Referência à Belt and Road Initiative, o navio exerce soft power chinês na América Latina, ampliando influência sem adesão formal do Brasil à iniciativa.
Recepção oficial e tensões diplomáticas
O governo fluminense recebeu a delegação com audiência liderada pela secretária Claudia Mello, destacando tecnologias médicas. Chineses enfatizaram "futuro compartilhado China-Brasil".
Visita coincide com navio americano em Pernambuco, em contexto de rivalidade sino-estadunidense. Controle rígido de acesso limitou visitas públicas, encerradas em 14 de janeiro.
- CREMERJ encaminha ofício à Marinha para fiscalização.
- Falta de acordo bilateral para operações humanitárias gera desconforto.
- Militares brasileiros monitoram capacidades de inteligência do navio.
Desfecho e implicações regulatórias
Até a manhã de 15 de janeiro, não há confirmação de atendimentos, mantendo narrativa de intercâmbio exclusivo. Episódio reforça necessidade de transparência em cooperações internacionais de saúde.
O caso ilustra desafios para registro de médicos estrangeiros e imunidade de navios sob Direito do Mar. Profissionais brasileiros absorvem conhecimentos para futuras capacitações.
O navio-hospital chinês simboliza expansão estratégica da China no Atlântico Sul, com foco em parcerias pontuais com o Brasil.