IBC-Br registra expansão de 2,5% na atividade econômica do Brasil em 2025, sinalizando ritmo mais lento após 3,7% no ano anterior.
(Imagem: Bruno Peres/Agência Brasil)
O IBC-Br, Índice de Atividade Econômica do Banco Central, registrou crescimento de 2,5% em 2025, conforme divulgado nesta quinta-feira (19). Esse resultado representa uma desaceleração clara em comparação aos 3,7% de expansão observados em 2024.
Conhecido como a prévia do PIB, o IBC-Br serve como termômetro da economia brasileira, somando indicadores de produção industrial, vendas no varejo e setor de serviços. O dado oficial do PIB de 2025 será revelado pelo IBGE em março.
O que é o IBC-Br e sua relevância
O IBC-Br é calculado pelo Banco Central com base em dados mensais de diversos setores, oferecendo uma visão antecipada do desempenho econômico. Lançado em 2011, ele ajuda a prever o PIB trimestral e anual, auxiliando decisões de política monetária.
Em 2025, o índice acumulou alta de 2,5%, o menor avanço desde 2020, ano impactado pela pandemia. Essa moderação reflete o impacto de juros altos e ajustes no consumo após anos de recuperação pós-crise.
A divulgação reforça a importância do IBC-Br para analistas, que o utilizam para calibrar projeções. Bancos e consultorias já ajustam estimativas para o PIB oficial em torno de 2,2% a 2,5%.
Desempenho por setores em 2025
A agropecuária liderou o crescimento com expansão de 13,1%, beneficiada por safras recordes de soja e milho. Esse setor compensou o avanço modesto da indústria, de apenas 1,5%, afetada por custos elevados e demanda externa volátil.
Os serviços cresceram 2,1%, impulsionados por comércio e turismo, mas enfrentaram pressão de juros altos no crédito. A combinação setorial explica o IBC-Br de 2,5%, com dependência maior do campo.
- Agropecuária: +13,1%, puxada por safra abundante e exportações.
- Indústria: +1,5%, limitada por juros e concorrência chinesa.
- Serviços: +2,1%, sustentados por emprego formal e renda familiar.
Resultados mensais e sinal de desaceleração
Em dezembro de 2025, o IBC-Br recuou 0,2% ante novembro, com ajuste sazonal, melhor que a expectativa de -0,5%. No quarto trimestre, houve alta de 0,4% sobre o terceiro.
Na comparação anual, dezembro avançou 3,1%, mas o movimento mensal indica perda de fôlego. Fatores como Natal mais fraco e estoques elevados contribuíram para o recuo pontual.
O ano fechou com o IBC-Br refletindo um 2025 de transição, após picos de crescimento em 2023 e 2024. Analistas veem nisso o efeito da Selic em 15% ao ano, maior nível em duas décadas.
Por que isso importa para o Brasil
O crescimento de 2,5% no IBC-Br significa produção maior de bens e serviços, gerando empregos e receitas fiscais. No entanto, a desaceleração pressiona contas públicas e investimentos.
Para famílias, implica renda estável, mas crédito caro limita consumo. Empresas enfrentam margens apertadas, priorizando eficiência em vez de expansão agressiva.
O dado alinha-se a projeções do mercado, como 2,26% no Boletim Focus, e do governo, em 2,2%. Ele reforça a necessidade de reformas para sustentar ganhos de produtividade.
Impactos e perspectivas para 2026
A alta de 2,5% no IBC-Br sustenta inflação controlada dentro da meta, mas exige cautela com dívida pública. O Banco Central planeja corte de juros a partir de março, possivelmente para 14,5%.
Projeções para 2026 variam de 1,8% a 2%, dependendo de safra, exportações e política fiscal. Fatores globais, como tarifas americanas sob Trump, podem afetar commodities.
O IBC-Br sinaliza um Brasil resiliente, mas com desafios à frente. Investimentos em infraestrutura e inovação serão chave para acelerar o ritmo além de 2,5% nos próximos anos.
Com o PIB oficial a caminho, o índice reforça debates sobre equilíbrio entre crescimento e estabilidade. Economistas monitoram março para confirmações definitivas.