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Meio Ambiente

Queda de 35% nos alertas de desmatamento na Amazônia e de 6% no Cerrado redefine cenário da política ambiental

13 fev 2026 - 06h05 Joice Gomes
Queda de 35% nos alertas de desmatamento na Amazônia e de 6% no Cerrado redefine cenário da política ambiental Alertas de desmatamento caem 35% na Amazônia e 6% no Cerrado. (Imagem: Orlando K Junior/Divulgação)

A queda recente dos alertas de desmatamento na Amazônia e no Cerrado indica uma mudança relevante no ritmo de destruição dos biomas e recoloca a política ambiental no centro do debate sobre clima e economia.

Entre agosto de 2025 e janeiro de 2026, as áreas sob alertas de desmatamento na Amazônia Legal totalizaram 1.324 km², o que representa redução de 35% em relação ao mesmo período anterior, quando o sistema havia apontado 2.050 km² sob risco de supressão vegetal.

No Cerrado, a tendência também é de desaceleração: os alertas passaram de 2.025 km² para 1.905 km² no mesmo recorte, queda de 6%, mantendo a trajetória de redução iniciada nos últimos anos.

Os dados são do Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que acompanha diariamente a supressão de vegetação e orienta operações de fiscalização em campo.

Além da redução nos alertas de desmatamento, o Inpe registrou recuo expressivo na degradação florestal na Amazônia, um indicativo de que a pressão direta sobre a floresta vem diminuindo em relação ao ciclo anterior.

O que mostram os novos dados oficiais

De acordo com o Inpe, a área sob alertas de desmatamento na Amazônia Legal caiu de 2.050 km² para 1.324 km² entre os ciclos de agosto de 2024 a janeiro de 2025 e de agosto de 2025 a janeiro de 2026, redução de 35% no intervalo de seis meses.

No Cerrado, os alertas de desmatamento recuaram de 2.025 km² para 1.905 km² no mesmo período, o que corresponde a uma queda de 6%, resultado que, embora mais modesto, aponta para a consolidação de uma tendência de desaceleração do desmate no bioma.

Os indicadores de degradação florestal na Amazônia também registraram queda histórica: a área sob degradação passou de 44.555 km² para 2.923 km² entre os dois ciclos, o que representa redução de 93%.

Os números foram divulgados em Brasília após reunião da Comissão Interministerial Permanente de Prevenção e Combate ao Desmatamento, colegiado reativado em 2023 que reúne 19 ministérios sob coordenação da Casa Civil.

Na avaliação do governo, os resultados reforçam a meta de eliminar o desmatamento até 2030 e dialogam com as estatísticas do Prodes, sistema anual do Inpe que aponta queda acumulada de 50% no desmate da Amazônia e de 32,3% no Cerrado na comparação entre 2022 e 2025.

Diferença entre alerta e taxa de desmatamento

Os alertas de desmatamento do Deter funcionam como um sistema de monitoramento em tempo quase real, gerando imagens e sinais diários que permitem a órgãos ambientais identificar rapidamente novas frentes de derrubada e degradação.

Esses alertas não correspondem à taxa oficial de desmatamento, mas servem para orientar operações do Ibama, do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), da Polícia Federal e de outros órgãos de fiscalização.

Já o Prodes, também operado pelo Inpe, consolida anualmente a área efetivamente desmatada, calculada entre agosto de um ano e julho do ano seguinte, sendo a referência oficial para metas de redução e negociações internacionais sobre clima.

Na avaliação de especialistas e do próprio governo, a combinação entre o uso de alertas de desmatamento em tempo real e a medição anual do Prodes permite calibrar políticas públicas e aferir se a queda dos alertas se traduz, de fato, em menor perda de área florestal.

Os dados mais recentes indicam que a redução nos alertas está alinhada ao movimento de queda nas taxas anuais de desmate, o que sugere mudança consistente de trajetória em relação ao período de alta registrado entre 2019 e 2022.

Fiscalização, governança e metas até 2030

O governo atribui a redução dos alertas de desmatamento a um pacote de medidas que combina reforço de fiscalização, reorganização da governança ambiental e retomada de programas específicos em áreas críticas.

Em comparação com 2022, as ações de fiscalização do Ibama cresceram 59%, enquanto as operações do ICMBio aumentaram 24%, acompanhadas por um avanço significativo nas áreas embargadas e na aplicação de sanções.

O número de operações de fiscalização ambiental na Amazônia quase dobrou e meio, com alta próxima de 148%, levando o total de ocorrências registradas de 932 para 1.754, além de ampliar em cerca de 110% o volume de veículos abordados em ações de campo.

As apreensões de minérios cresceram mais de 170% e as de madeira aumentaram 65%, sinalizando maior foco sobre cadeias produtivas associadas à extração ilegal e ao avanço do desmatamento.

Paralelamente, o governo reativou e ampliou o Fundo Amazônia, com bilhões de reais mobilizados em projetos e apoio internacional de nove países e da União Europeia, e retomou a destinação de florestas públicas federais para uso sustentável por povos e comunidades tradicionais.

Na coletiva em que os números foram apresentados, a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, afirmou que há expectativa de que 2026 registre a menor taxa de desmatamento da série histórica na Amazônia, caso o ritmo atual de queda seja mantido.

Ela ressaltou que a política ambiental está baseada em evidências científicas, com dados do Inpe, e destacou que o recuo dos alertas de desmatamento não impediu a continuidade da expansão do agronegócio nem o aumento da abertura de mercados para produtos brasileiros.

O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação também enfatizou o papel da infraestrutura tecnológica de monitoramento por satélite, defendendo que não há preservação sem investimento em pesquisa, desenvolvimento e conhecimento aplicado.

Entre as iniciativas estruturantes, o governo menciona ainda os Planos de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento (PPCDs) em todos os biomas e programas direcionados a municípios prioritários, que registraram queda expressiva de desmate nos últimos anos.

Desafios no Cerrado e alerta no Pantanal

Apesar da queda nos alertas de desmatamento na Amazônia e no Cerrado, o cenário não é homogêneo entre os biomas e ainda registra pontos de preocupação, especialmente no Pantanal.

Entre agosto de 2025 e janeiro de 2026, os alertas no Pantanal cresceram 45,5%, passando de 202 km² para 294 km², o que acende um sinal de alerta para a região, mesmo com a forte queda observada na comparação entre 2023 e 2024.

No Cerrado, organizações e especialistas alertam que, embora os alertas de desmatamento estejam em queda, o patamar de destruição ainda é alto e o bioma já perdeu mais da metade de sua vegetação nativa ao longo das últimas décadas.

Estudos recentes indicam que parte da pressão que antes se concentrava na Amazônia migrou para o Cerrado, especialmente em áreas de fronteira agrícola, o que exige ações de fiscalização contínuas e ajustes em políticas de crédito e uso do solo.

Para analistas, os recuos registrados precisam ser interpretados com cautela: a redução dos alertas de desmatamento representa avanço, mas o volume de área sob risco e as estatísticas anuais ainda refletem um quadro de devastação significativa, com impactos diretos sobre biodiversidade, água e clima.

Na prática, isso significa que o desafio de zerar o desmatamento até 2030 dependerá não apenas da manutenção do ritmo atual de queda, mas também da expansão de políticas de ordenamento territorial, recuperação de áreas degradadas e incentivo a modelos de produção de baixo impacto.

  • Os alertas de desmatamento na Amazônia caíram 35% em seis meses, de 2.050 km² para 1.324 km², segundo o Deter do Inpe.
  • No Cerrado, houve queda de 6% nos alertas, que passaram de 2.025 km² para 1.905 km² no mesmo período.
  • A degradação florestal na Amazônia recuou 93%, de 44.555 km² para 2.923 km², entre os dois ciclos analisados.
  • O governo ampliou operações de fiscalização, embargos e apreensões, associando a queda dos alertas a uma estratégia de controle reforçada.
  • Apesar dos avanços, Pantanal e Cerrado ainda registram pressão elevada e seguem no centro dos desafios para zerar o desmatamento até 2030.
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