São Paulo | 27ºC
Sáb, 14 de Março
Busca
Previdência

STF nega aposentadoria especial a vigilantes por maioria de votos no Tema 1209

14 fev 2026 - 12h34 Joice Gomes   atualizado às 12h37
STF nega aposentadoria especial a vigilantes por maioria de votos no Tema 1209 STF julgou inválida a aposentadoria especial para vigilantes, priorizando exposição a agentes nocivos após reforma de 2019. (Imagem: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

O Supremo Tribunal Federal (STF) concluiu o julgamento sobre a validade da aposentadoria especial para vigilantes, negando o benefício por maioria de votos. A decisão, proferida no plenário virtual encerrado em 13 de fevereiro de 2026, fixou tese contrária ao reconhecimento da atividade como especial, mesmo com porte de arma ou exposição a riscos.

O recurso originou-se de decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que em 2020 havia admitido o direito para vigilantes com prova de risco permanente à integridade física. O INSS recorreu, argumentando incompatibilidade com a Emenda Constitucional 103/2019, que restringiu a aposentadoria especial a exposições efetivas a agentes químicos, físicos ou biológicos nocivos à saúde.

Placar e votos dos ministros

O placar final ficou em 6 a 4 contra o benefício, com voto decisivo do ministro Gilmar Mendes. O relator, Nunes Marques, defendeu o enquadramento da atividade como especial, citando riscos à saúde mental e física, independentemente do uso de arma de fogo, válido antes e após a reforma previdenciária.

Seu voto foi acompanhado por Flávio Dino, Cármen Lúcia e Edson Fachin. Já o ministro Alexandre de Moraes, que abriu divergência, entendeu que a periculosidade não equivale a nocividade, equiparando vigilantes a guardas civis municipais, já excluídos em precedente do STF.

  • Moraes foi seguido por Cristiano Zanin, Luiz Fux, Dias Toffoli e André Mendonça.
  • Gilmar Mendes votou por último, garantindo maioria contra a aposentadoria especial para vigilantes.
  • O julgamento refere-se ao RE 1.368.225, Tema 1209 de repercussão geral.

Argumentos do INSS e impacto financeiro

O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) destacou que a concessão geraria custo de R$ 154 bilhões em 35 anos, sem fonte de custeio prevista na Constituição. A autarquia enfatizou que atividade perigosa dá direito apenas ao adicional de periculosidade, não à aposentadoria com tempo reduzido.

A reforma da Previdência de 2019 eliminou a presunção de especialidade por periculosidade, exigindo comprovação de agentes nocivos via laudo técnico após 1997. Antes disso, listas profissiográficas permitiam enquadramento presumido, mas vigilantes não estavam inclusos explicitamente.

Essa posição prevaleceu, uniformizando o entendimento nacional e suspendendo milhares de ações judiciais em tramitação.

Consequências para vigilantes e setor

Trabalhadores da segurança privada perdem a possibilidade de aposentar com 25 anos de contribuição em atividade especial, devendo cumprir regras comuns do Regime Geral de Previdência Social (RGPS). Isso implica maior tempo de serviço para benefícios integrais ou proporcionais.

A decisão tem efeito vinculante por repercussão geral, obrigando juízes e tribunais a seguirem a tese fixada: "A atividade de vigilante, com ou sem arma de fogo, não se caracteriza como especial para fins de aposentadoria diferenciada no RGPS".

  • Impacta diretamente vigilantes aposentados após 13/11/2019, data da EC 103.
  • Para períodos anteriores, análise caso a caso via PPP e laudos pode ser necessária em revisões.
  • Setor empregador evita ações regressivas do INSS por pagamentos indevidos.

Entidades sindicais da categoria lamentam a derrota, mas o STF priorizou equilíbrio atuarial do sistema previdenciário. A tese pode influenciar julgamentos de outras profissões com periculosidade, como motoristas ou eletricistas, reforçando critérios restritivos.

Direitos alternativos e próximos passos

Vigilantes podem buscar aposentadoria por tempo de contribuição (35/40 anos) ou por idade (62/65 anos), com possível conversão de tempo perigoso em comum para melhorar cálculos. O adicional de periculosidade (30% sobre salário) permanece garantido por lei trabalhista.

Para quem já recebia o benefício via decisões judiciais, há risco de revisão pelo INSS. Recomenda-se consulta a advogados previdenciários para análise de processos individuais, especialmente com provas de estresse ou lesões associadas à função.

O julgamento reforça a necessidade de lei complementar para estender benefícios por risco, como previsto na Constituição. Sindicatos podem pressionar o Congresso por mudanças legislativas, mas sustentabilidade fiscal será barreira central.

Essa decisão chega em momento de debates sobre reformas previdenciárias complementares, destacando tensões entre direitos laborais e contas públicas. Profissionais da segurança privada agora focam em planejamento alternativo para a aposentadoria.

Leia Também
Reajuste do diesel pela Petrobras expõe fragilidades do mercado de abastecimento e acende alerta sobre guerra no Irã
Combustíveis Reajuste do diesel pela Petrobras expõe fragilidades do mercado de abastecimento e acende alerta sobre guerra no Irã
Distribuidoras pedem mais importação de diesel pela Petrobras após pacote do governo para conter preços
Economia Distribuidoras pedem mais importação de diesel pela Petrobras após pacote do governo para conter preços
Petrobras pagou R$ 277,6 bilhões em impostos em 2025 e mantém posto de maior contribuinte do país
Tributos Petrobras pagou R$ 277,6 bilhões em impostos em 2025 e mantém posto de maior contribuinte do país
Greve da Avibras termina após 1.280 dias e reestruturação prevê pagamento de R$ 230 milhões a trabalhadores
Economia Greve da Avibras termina após 1.280 dias e reestruturação prevê pagamento de R$ 230 milhões a trabalhadores
Trump avalia flexibilizar lei marítima para tentar conter alta dos combustíveis nos Estados Unidos em meio à guerra com o Irã
Economia Trump avalia flexibilizar lei marítima para tentar conter alta dos combustíveis nos Estados Unidos em meio à guerra com o Irã
Indústria de motocicletas abre 2026 em alta, registra melhor primeiro bimestre em 15 anos e reforça fôlego do setor
Economia Indústria de motocicletas abre 2026 em alta, registra melhor primeiro bimestre em 15 anos e reforça fôlego do setor
Guerra no Irã leva países a usar reservas emergenciais de petróleo e amplia alerta global sobre energia
Reservas emergenciais Guerra no Irã leva países a usar reservas emergenciais de petróleo e amplia alerta global sobre energia
Vendas no comércio crescem 0,4% em janeiro, igualam recorde e indicam retomada do varejo no início de 2026
Economia Vendas no comércio crescem 0,4% em janeiro, igualam recorde e indicam retomada do varejo no início de 2026
Governo intensifica vigilância sobre combustíveis após tensão no Oriente Médio e apura aumentos na distribuição
Economia Governo intensifica vigilância sobre combustíveis após tensão no Oriente Médio e apura aumentos na distribuição
Petrobras afirma poder mitigar impacto da alta do petróleo no Brasil em meio à guerra no Irã
Petrobras Petrobras afirma poder mitigar impacto da alta do petróleo no Brasil em meio à guerra no Irã
Mais Lidas
Fluminense x Flamengo: tudo sobre a final do Campeonato Carioca 2026 no Maracanã
Final Carioca Fluminense x Flamengo: tudo sobre a final do Campeonato Carioca 2026 no Maracanã
Incêndio de grandes proporções destrói galpão da Motocriss em Ramos, no Rio de Janeiro
Incêndio Incêndio de grandes proporções destrói galpão da Motocriss em Ramos, no Rio de Janeiro
Heráclito, o filósofo do rio em fluxo: ninguém entra duas vezes no mesmo rio e sua lição eterna sobre mudança
Filósofo Heráclito, o filósofo do rio em fluxo: ninguém entra duas vezes no mesmo rio e sua lição eterna sobre mudança
Inscrições para OBA e OBAFOG 2026 começam com datas unificadas e prova presencial nas escolas
Educação Inscrições para OBA e OBAFOG 2026 começam com datas unificadas e prova presencial nas escolas