Um novo incêndio no Dique da Vila Gilda, em Santos, destruiu cinco barracos nesta semana.
(Imagem: Reprodução/Baixada Mil Grau)
Um incêndio atingiu a comunidade do Caminho São Sebastião, no Dique da Vila Gilda, em Santos, nesta semana, destruindo pelo menos cinco barracos construídos sobre palafitas. O Corpo de Bombeiros da Baixada Santista mobilizou 14 homens para combater as chamas, que foram controladas sem registro de feridos. A ocorrência reforça os desafios enfrentados pela região, conhecida como a maior favela de palafitas do Brasil.
Vídeos compartilhados por moradores mostram o desespero das famílias tentando apagar o fogo com baldes d'água, enquanto uma densa fumaça se espalhava pelo local. Equipes da Defesa Civil, CPFL e CET também foram acionadas para apoio. As causas do incêndio no Dique da Vila Gilda ainda estão sob investigação.
Novo sinistro em área vulnerável
O incêndio no Dique da Vila Gilda ocorreu em uma zona de alto risco, com estruturas precárias de madeira que facilitam a propagação das chamas. A população local, estimada em 25 mil pessoas, vive em constante alerta devido à proximidade com o rio e à falta de infraestrutura básica em algumas partes. Este é o quarto episódio grave em menos de um ano na comunidade.
Os bombeiros destacam a rapidez na resposta para evitar maiores prejuízos. Moradores elogiaram a atuação rápida, mas cobram soluções definitivas para prevenir novas tragédias. A união da comunidade foi essencial para conter o avanço do fogo para áreas vizinhas.
Histórico preocupante de incêndios
O Dique da Vila Gilda acumula uma série de incêndios que expõem as condições precárias das moradias. Em agosto de 2025, um grande sinistro destruiu 100 residências, resultou na morte de uma pessoa e deixou 331 famílias desabrigadas, com 33 precisando de abrigo temporário. O fogo se espalhou rapidamente por cerca de 3 mil metros quadrados.
- Agosto de 2025: 100 barracos destruídos, uma vítima fatal e centenas afetadas.
- Janeiro de 2026: Sete barracos queimados em área de 300 m², sem feridos.
- Última terça-feira (27/01/2026): Outro foco atingiu seis a sete estruturas.
- Fevereiro de 2026: Cinco barracos no Caminho São Sebastião.
Esses eventos repetidos geram trauma entre os residentes, que perdem bens e memórias a cada ocorrência. A Secretaria de Desenvolvimento Social do Estado de São Paulo já atuou em emergências anteriores, distribuindo kits de higiene, cestas básicas e benefícios de R$ 1.000 por família afetada.
Reurbanização em andamento
Apesar dos riscos, o Dique da Vila Gilda avança em um amplo processo de reurbanização com recursos municipais, estaduais e federais. A previsão é concluir as obras em cerca de cinco anos, incluindo regularização fundiária para 5,5 mil famílias em 364 mil m². O programa Pró-Moradia do Novo PAC prevê novas moradias, saneamento básico até 2030 e abertura de ruas.
Em outubro de 2025, Santos firmou contrato de cooperação com a União para a primeira etapa, focando em imóveis da Cohab sem documentação. A Sabesp já assinou convênio para saneamento, e um comitê gestor operacionaliza o plano. O prefeito Rogério Santos enfatiza a importância da parceria para ordenar o território e garantir segurança habitacional.
A regularização elétrica e a criação de áreas verdes visam reduzir vulnerabilidades como os incêndios no Dique da Vila Gilda. Moradores participam das discussões, cobrando agilidade para que as famílias saiam das palafitas. Especialistas apontam que a proximidade com o porto e o rio Casqueiro agrava os problemas, mas as intervenções prometem transformar a realidade local.
Desafios e perspectivas futuras
Os repetidos incêndios no Dique da Vila Gilda destacam a urgência de ações preventivas, como hidrantes acessíveis e educação sobre segurança. A Defesa Civil monitora a área, mas a comunidade clama por moradias dignas mais rapidamente. Programas de auxílio emergencial continuam essenciais para quem perde tudo de novo.
Especialistas em urbanismo veem na reurbanização uma oportunidade para integrar a região à cidade, com espaços comunitários e infraestrutura moderna. A expectativa é que, com a conclusão das obras, episódios como este sejam coisa do passado. Enquanto isso, bombeiros e moradores permanecem vigilantes, prontos para atuar a qualquer sinal de fumaça.
O caso reforça a necessidade de políticas públicas contínuas para comunidades vulneráveis no litoral paulista. Santos investe pesado, mas o sucesso depende da execução eficiente e da participação popular. A transformação do Dique da Vila Gilda pode servir de modelo para outras favelas sobre palafitas no país.