Justiça mantém prisão preventiva do piloto Pedro Turra por agressão a adolescente no DF.
(Imagem: Reprodução/Instagram)
O Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT) manteve a prisão preventiva do piloto de automobilismo Pedro Turra, de 19 anos, nesta segunda-feira (2). A decisão do desembargador Diaulas Costa Ribeiro negou um habeas corpus pedido pela defesa do jovem, acusado de agredir brutalmente um adolescente de 16 anos em Vicente Pires, região administrativa de Brasília.
O incidente, que ganhou repercussão nacional, começou com uma discussão banal envolvendo um chiclete arremessado em um amigo da vítima. Vídeos de câmeras de segurança mostram Pedro Turra descendo de um carro e partindo para cima do menor com violência extrema, resultando em traumatismo craniano e parada cardíaca para o garoto.
Atualmente, o adolescente permanece internado na UTI do Hospital Águas Claras, em estado grave. A família da vítima acompanha o caso com angústia, enquanto a polícia investiga não só essa ocorrência, mas também outras denúncias contra o piloto.
Decisão judicial detalha gravidade da agressão
Na decisão, o desembargador destacou que a ação de Pedro Turra não foi um impulso juvenil isolado, mas uma violência contundente e desproporcional. "O vídeo demonstra conduta absolutamente incompatível com qualquer padrão mínimo de convivência civilizada", escreveu Ribeiro, justificando a necessidade da prisão para preservar as investigações.
A defesa argumentou que o piloto tem residência fixa, colaborou com as autoridades e não fugiu, além de temer pela própria segurança devido à exposição midiática. No entanto, o magistrado priorizou a garantia da ordem pública e a continuidade do inquérito policial.
Pedro Turra foi preso na última sexta-feira (30), após mandado expedido pela 2ª Vara Criminal de Taguatinga. Antes disso, ele já havia sido detido no dia 24 por lesão corporal grave no mesmo caso, mas pagou fiança de R$ 24 mil e foi solto temporariamente.
Piloto sem direito a cela especial
Outro ponto central da decisão foi a negativa de prisão especial para Pedro Turra. Inicialmente, uma juízo de primeira instância havia concedido cela privativa por risco à integridade física do acusado, mas o desembargador reverteu isso. Ele determinou que a Secretaria de Administração Penitenciária do DF (Seap) avalie a real necessidade.
"O paciente não tem direito à prisão especial. Seu direito é ter incólume sua integridade física", esclareceu Ribeiro. A medida visa equalizar o tratamento prisional, sem privilégios indevidos, mesmo para figuras públicas como pilotos de Fórmula Delta.
Atualmente, Pedro Turra cumpre prisão na Divisão de Controle e Custódia de Presos (DCCP) da Polícia Civil do DF, com possibilidade de transferência para o Complexo da Papuda. A defesa expressou preocupação com a segurança do cliente, citando ameaças decorrentes da repercussão do caso.
Antecedentes e outras investigações
O caso de Pedro Turra não é isolado. A Polícia Civil investiga ao menos outras três ocorrências envolvendo o piloto no Distrito Federal. Entre elas, uma lesão corporal em uma praça de Águas Claras no dia 28 de janeiro, e um suposto constrangimento ilegal em julho do ano passado.
- Durante buscas na residência do piloto em Águas Claras, foram apreendidos celulares, facas e um soco-inglês, itens que ele supostamente usava para intimidar vítimas.
- Uma jovem denunciou ter sofrido tortura com choques elétricos por parte de Turra, ampliando o escopo das investigações.
- O delegado Pablo Aguiar, da 38ª Delegacia de Polícia (Vicente Pires), emocionou-se ao relatar a brutalidade do ataque principal, reforçando a gravidade dos fatos.
A polícia destaca que, apesar de não ter antecedentes criminais formais, o perfil agressivo de Pedro Turra justifica a prisão preventiva. O Ministério Público do DF apoiou a medida, e a classificação do crime pode evoluir para tentativa de homicídio, dependendo da recuperação da vítima.
Repercussão e posicionamento da defesa
A defesa de Pedro Turra, composta pelos advogados Daniel J. Kaefer e Eder Fior, lamentou a "espetacularização" do caso pela polícia e pela mídia. Eles afirmam que o piloto não teve intenção de causar lesões graves, agiu em legítima defesa e pediu perdão à família da vítima.
Em nota, os juristas reforçaram a colaboração do cliente e questionaram a prisão baseada apenas em vídeos virais, sem contraditório inicial. Ainda assim, a Justiça priorizou as provas concretas, como imagens e depoimentos.
O episódio reacende debates sobre violência urbana em Brasília, especialmente entre jovens. Autoridades reforçam a importância de denúncias rápidas para coibir padrões de agressão reiterados, como o observado no histórico de Pedro Turra. O caso segue acompanhado de perto pelo TJDFT e pelo MPDFT.
Enquanto isso, a torcida por melhoras ao adolescente cresce nas redes sociais. Amigos e familiares cobram justiça, e o hospital informa que o quadro permanece instável, sem previsão de alta da UTI.