Otimismo veio da ata do Copom, que sinaliza corte de juros em março, enquanto dólar fecha estável em R$ 5,25.
(Imagem: gerado por IA)
A Bolsa brasileira viveu mais um capítulo de euforia nesta terça-feira (3). O índice Ibovespa, principal termômetro do mercado de ações nacional, encerrou o pregão aos 185.674 pontos, com ganho de 1,58%. Esse patamar representa um novo recorde de fechamento, aproximando-se perigosamente da marca dos 186 mil pontos.
O movimento positivo foi puxado por ações de mineradoras e empresas de commodities, beneficiadas pelo apetite global por risco. Durante o dia, o índice chegou a tocar máximas intradiárias acima dos 187 mil pontos, mostrando a força do otimismo dos investidores.
No câmbio, o dólar comercial teve dia volátil, mas fechou com leve recuo de 0,15%, cotado a R$ 5,25 na venda. A moeda americana acumula queda de 4,38% ao longo de 2026, refletindo confiança crescente no real.
Ata do Copom impulsiona alta
A grande estrela do dia foi a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada pelo Banco Central. O documento confirmou a intenção de iniciar um ciclo de cortes na taxa Selic já em março, desde que o cenário inflacionário se mantenha favorável. A Selic segue em 15% ao ano, mas a sinalização de flexibilização animou o mercado.
Analistas destacam que a inflação tem mostrado sinais de controle, com expectativas alinhadas à meta de 3%. O BC enfatizou, porém, a necessidade de manter juros restritivos por mais tempo, para ancorar as projeções de longo prazo. Projeções do mercado apontam para Selic em 14,5% em março e 12,25% no fim de 2026.
Essa perspectiva de juros menores estimula investimentos em ações, pois reduz o custo de capital para empresas e torna a renda variável mais atrativa que a fixa.
- Alta do Ibovespa: 1,58%, para 185.674 pontos.
- Máxima intradiária: acima de 187 mil pontos.
- Dólar: recuo de 0,15%, a R$ 5,25.
- Selic atual: 15% ao ano, corte previsto para março.
Mineradoras lideram ganhos na B3
Setor de mineração foi o destaque positivo, com Vale e siderúrgicas subindo forte graças à valorização das commodities no exterior. O ingresso de capital estrangeiro na B3 tem sido constante desde o fim de 2025, ajudando a sustentar os recordes consecutivos do Ibovespa.
Corretoras como XP Investimentos elevaram projeções para o índice, agora em 190 mil pontos ao final de 2026. Esse fluxo externo reflete confiança na economia brasileira, apesar de desafios como dívida pública e mercado de trabalho aquecido.
Outros destaques incluíram bancos e varejistas, que também surfaram na onda de otimismo geral. No contraponto, algumas ações de tecnologia recuaram levemente, seguindo o mercado global.
Indicações ao Banco Central geram debate
Em meio à celebração na Bolsa brasileira, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, confirmou ter indicado dois nomes para diretorias vagas no BC: Guilherme Mello, atual secretário de Política Econômica, e Tiago Cavalcanti, professor da FGV. As sugestões foram enviadas ao presidente Lula, que ainda analisa.
Mello enfrenta resistências do mercado por visões consideradas heterodoxas, como críticas a juros altos. Cavalcanti, com carreira acadêmica em Cambridge, é visto como mais técnico. A aprovação depende de sabatina no Senado, em momento sensível para a política monetária.
Essas movimentações chegam em hora crucial, com o Copom sinalizando cortes, mas alertando para riscos inflacionários persistentes, como dinamismo no emprego.
Perspectivas para os próximos dias
A Bolsa brasileira deve continuar volátil, com olhos no exterior e dados econômicos domésticos. Investidores aguardam indicadores de inflação nos EUA e decisões de outros bancos centrais, que influenciam o fluxo global.
No Brasil, foco em emprego, vendas no varejo e IPCA de janeiro. Se a inflação ceder mais, o ciclo de cortes pode ganhar força, beneficiando ações. Analistas recomendam diversificação, priorizando blue chips como Petrobras, Vale e Itaú.
O recorde do Ibovespa reflete maturidade do mercado local, com mais de 500 mil CPFs investindo diretamente. Em 2026, a B3 já registra entrada líquida recorde de estrangeiros, sinal de que o Brasil volta a atrair capitais.
Para o investidor pessoa física, esses recordes são oportunidade, mas exigem cautela. Especialistas sugerem fundos de ações ou ETFs para exposição ao Ibovespa sem risco de escolha errada de papéis individuais.
- Entrada estrangeira: recorde em 2026.
- Projeção XP: Ibovespa a 190 mil pontos no fim do ano.
- Riscos: inflação externa e política fiscal.
- Dica: diversifique com blue chips e renda fixa.
Contexto econômico mais amplo
A trajetória ascendente da Bolsa brasileira ocorre em cenário de recuperação pós-pandemia e ajustes fiscais. Apesar de Selic elevada, crescimento do PIB em torno de 2,5% em 2025 sustenta lucros corporativos.
Commodities em alta, graças à China e transição energética, impulsionam exportadoras. Bancos se beneficiam de crédito em expansão, enquanto varejo ganha com consumo aquecido.
Desafios persistem: dívida bruta acima de 80% do PIB e eleições municipais no horizonte político. Ainda assim, o otimismo prevalece, com Ibovespa acumulando mais de 20% de valorização em 2026.
Investidores institucionais veem espaço para mais ganhos, mas alertam para correções. Manter disciplina e horizonte longo é chave para surfar essa onda de prosperidade no mercado acionário nacional.