Pagamentos rápidos via app, mas limite de R$ 250 mil por CPF vale para todo conglomerado.
(Imagem: Rovena Rosa/Agência Brasil)
O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) anunciou um marco importante nos ressarcimentos aos credores do Banco Master. Até o início da tarde desta quinta-feira (29), o fundo já havia desembolsado R$ 32,5 bilhões para 580 mil investidores, o que representa 80,05% do valor total estimado em R$ 40,6 bilhões.
Esse montante cobre 75% dos credores elegíveis à garantia, mostrando agilidade após o início dos pagamentos no dia 19 de janeiro. Ajustes técnicos nos sistemas aceleraram o processo, processando milhares de pedidos por hora via aplicativo.
O Banco Master foi liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central em 18 de novembro de 2025, em meio a investigações sobre fraudes bilionárias lideradas por seu controlador, Daniel Vorcaro. O caso abalou o mercado, mas o FGC garante proteção aos poupadores.
Avanço nos pagamentos do FGC
Os desembolsos começaram há dez dias e ganharam velocidade com otimizações nos sistemas do FGC. Cerca de 20 mil pedidos ainda estão em processamento, dependendo de ações dos credores, como cadastro no app e verificações antifraude.
Procedimentos de segurança podem alongar prazos individuais, mas a maioria dos casos é resolvida rapidamente. O fundo destaca que possui reservas de cerca de R$ 125 bilhões, suficiente para cobrir o caso sem comprometer outras operações.
- Valor total estimado: R$ 40,6 bilhões líquidos para o Banco Master.
- Credores beneficiados até agora: 580 mil, ou 75% do total.
- Percentual do valor pago: 80,05% do previsto.
- Processamento médio: milhares de pedidos por hora via app.
Will Bank entra na mira do fundo
Além do Banco Master, o FGC prepara pagamentos para o Will Bank, liquidado pelo BC nesta semana após bloqueio pela Mastercard por dívidas. A estimativa é de R$ 6,3 bilhões adicionais, mas sem duplicação de cobertura.
Como o Will integra o conglomerado do Banco Master desde agosto de 2024, o limite de R$ 250 mil por CPF ou CNPJ não se soma. Quem já atingiu o teto no Master não recebe mais do Will.
O início dos repasses depende da base de dados do liquidante nomeado pelo BC, sem prazo definido. Clientes do Will têm contas bloqueadas, mas dívidas com cartões persistem e devem ser honradas.
Como pedir sua garantia no FGC
Para pessoas físicas, o processo é simples pelo app do FGC, disponível para Android e iOS. Baixe, cadastre-se com CPF, nome e data de nascimento, defina senha e adicione sua conta bancária para depósito.
Acesse "Pedir garantia", confirme identidade com biometria ou documento, assine o termo digital e indique a conta para crédito. Empresas usam o Portal do Investidor no site do fundo.
- Baixe o app FGC na loja de aplicativos.
- Crie cadastro com dados pessoais e senha segura.
- Cadastre conta-corrente para receber o valor.
- Solicite a garantia e valide com selfie ou documento.
- Acompanhe o status no app; pagamento à vista após aprovação.
A cobertura do FGC vale para depósitos à vista, CDBs, LCIs e similares, até R$ 250 mil por CPF/CNPJ por conglomerado, incluindo principal mais rendimentos até a data da liquidação (18/11/2025). Valores acima viram créditos remanescentes na massa liquidanda.
Contexto da crise no Banco Master
Daniel Vorcaro, ex-presidente do banco, foi preso temporariamente pela PF na Operação Compliance Zero, que investiga fraudes como venda de carteiras falsas ao BRB por R$ 12,2 bilhões. Solto sob medidas cautelares, ele nega irregularidades.
O banco cresceu rápido sob sua gestão, de R$ 200 milhões em patrimônio para bilhões, captando via CDBs agressivos. Mas crises de liquidez e violações normativas levaram à intervenção do BC.
O caso reforça a importância do FGC, criado para proteger poupadores e evitar corridas bancárias. Recentemente, mudanças aprovadas pelo CMN aceleram pagamentos para até três dias em futuros casos.
Milhares de investidores, muitos pessoas físicas atraídas por yields altos, agora respiram aliviados com os avanços. O fundo estima 800 mil credores no total, menor que os 1,6 milhão iniciais projetados.
Para quem ainda não solicitou, a orientação é agir rápido: o primeiro a se manifestar recebe antes, desde que documentação esteja ok. Fique atento a comunicações oficiais do FGC e evite golpes prometendo agilização.
Esse episódio destaca riscos de bancos menores e a solidez do sistema financeiro brasileiro, com o FGC arcando com um terço de seus recursos disponíveis, mas mantendo estabilidade.