Descubra como checar a saúde financeira do seu banco com ferramentas do Banco Central, FGC e índices como Basileia.
(Imagem: Valter Campanato/Agência Brasil)
Desde o fim de 2025, o sistema financeiro brasileiro vive um momento de alerta com as liquidações do Banco Master e do Will Bank. Essas medidas do Banco Central geraram uma onda de rumores e notícias falsas sobre a estabilidade de outras instituições. Mas o consumidor não precisa ficar à mercê do medo: existem ferramentas oficiais gratuitas para avaliar a saúde financeira do seu banco.
O Banco Central do Brasil oferece plataformas transparentes que revelam balanços, riscos e autorizações. Com elas, é possível separar fatos de fake news e tomar decisões informadas sobre poupança, CDBs ou empréstimos. Vamos ao guia prático.
Verifique se o banco é autorizado
O primeiro passo para analisar a saúde financeira do seu banco é confirmar se ele opera legalmente. Acesse o site do Banco Central no caminho Meu BC → Serviços → Encontre uma instituição. Digite o nome e veja se está listado como autorizado.
Instituições não supervisionadas pelo BC não fazem parte do sistema financeiro nacional e não contam com proteção do FGC. Casos como o Banco Master, liquidado em novembro de 2025 por crise de liquidez, mostram a importância desse checape inicial. Sempre priorize bancos regulados.
- Entre em Encontre uma instituição no site do BC.
- Confira o status: em funcionamento, liquidação ou intervenção.
- Desconfie de bancos digitais ou cooperativas sem menção oficial.
Consulte bases de dados oficiais
Três plataformas concentram informações confiáveis sobre a saúde financeira do seu banco. A Central de Demonstrações Financeiras (CDSFN), do Banco Central, mostra balanços detalhados após buscar a instituição no Encontre uma Instituição.
O site Banco Data organiza dados com alertas visuais em verde, laranja e vermelho para riscos. Além disso, todo banco autorizado mantém uma página de Relações com Investidores (RI), acessível por busca simples: "nome do banco + RI". Lá, há resumos acessíveis de resultados e riscos.
- CDSFN: balanços anuais e semestrais públicos desde 2019.
- Banco Data: séries históricas e ratings coloridos.
- Site RI: relatórios da administração e auditoria independente.
No caso do Will Bank, liquidado em janeiro de 2026 por insolvência ligada ao Master, esses sites teriam mostrado sinais precoces como violações regulatórias.
Analise os indicadores chave de solidez
Para uma avaliação profunda da saúde financeira do seu banco, foque em métricas objetivas. O Índice de Basileia mede capital próprio contra riscos: mínimo de 11% no Brasil, ideal acima de 15%. Ele indica capacidade de absorver perdas, como em empréstimos ruins.
Outros alertas incluem inadimplência acima de 90 dias, imobilização alta de capital em ativos fixos e lucros recorrentes. Ratings de agências como Moody's ou S&P também ajudam: rebaixamentos sucessivos são sinal vermelho. No Master, agências davam notas altas, mas o BC identificou fraudes.
- Índice de Basileia: >15% é confortável; abaixo de 11% é crítico.
- Inadimplência: percentual de créditos vencidos; alto indica risco.
- Lucro líquido recorrente: consistência prova boa gestão.
- Imobilização: evita excesso em imóveis ilíquidos.
Compare com bancos grandes como Itaú ou Bradesco, que mantêm Basileia acima de 18% em 2025.
Confira cobertura do Fundo Garantidor
O FGC protege até R$ 250 mil por CPF/CNPJ por banco, com teto de R$ 1 milhão a cada quatro anos. Cobre poupança, CDB, LCI, LCA e depósitos a prazo. No Master, estima-se R$ 41 bilhões em pagamentos para 1,6 milhão de credores.
Não cobre CRI, CRA, debêntures ou fundos de investimento, que têm CNPJ próprio. Sempre confirme elegibilidade no site do FGC antes de aplicar. Após liquidação, o fundo inicia ressarcimento via liquidante nomeado pelo BC.
- Coberto: CDB, RDB, LCI, LCA, poupança.
- Não coberto: ações, fundos, títulos públicos (protegidos pelo Tesouro).
- Limite: R$ 250 mil por conglomerado, renovável.
Desconfie de ofertas agressivas
Rentabilidades acima de 115% do CDI em CDBs de bancos pequenos são suspeitas. O Master oferecia 140% para captar rápido em meio a crise. Bancos em apuros usam taxas altas para atrair recursos.
Sinais de alerta incluem queda no Basileia, prejuízos repetidos, investigações da PF ou regimes especiais do BC. Prefira Tesouro Direto ou emissões de grandes bancos com FGC.
Em 2026, com o SFN estável apesar das liquidações pontuais, a transparência é chave. O BC reforça que representa apenas 0,57% dos ativos no caso Master, sem risco sistêmico.
Passos finais para segurança
Monitore mensalmente os dados oficiais e diversifique investimentos. Evite pânico com boatos nas redes. Especialistas recomendam limites de 10% do patrimônio por instituição.
Casos recentes provam: informação oficial salva prejuízos. A saúde financeira do seu banco está a cliques de distância, use isso a seu favor.