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Economia

Juros para famílias disparam para 60,1% ao ano em 2025

30 jan 2026 - 09h05 Joice Gomes
Juros para famílias disparam para 60,1% ao ano em 2025 Entenda o impacto da Selic a 15% e o que isso significa para o bolso do brasileiro. (Imagem: Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

As taxas de juros para famílias fecharam 2025 em patamar elevado, atingindo 60,1% ao ano em dezembro. O aumento de 7 pontos percentuais em relação a 2024 foi divulgado pelo Banco Central e destaca o peso maior da carteira de cartão de crédito rotativo nas operações de crédito livre.

Esse cenário reflete o ciclo de alta da taxa Selic, que encerrou o ano em 15% ao ano, o maior nível em quase duas décadas. Os bancos repassaram o encarecimento dos recursos e ainda elevaram suas margens, pressionando o custo do crédito para pessoas físicas.

Cartão rotativo impulsiona alta

O destaque negativo fica para o cartão de crédito rotativo, cuja taxa recuou ligeiramente para 438% ao ano, mas segue como a linha mais cara do mercado. Apesar da queda de 13,6 pontos percentuais em 2025, essa modalidade representa risco alto para endividamento, mesmo com o limite imposto pelo CMN desde 2023.

No cheque especial, os juros para famílias subiram para 138,6% ao ano, com alta de 3,8 pontos percentuais. Analistas recomendam evitar essas operações, priorizando o pagamento integral da fatura do cartão para escapar das taxas abusivas.

  • Cartão rotativo: 438% a.a. (queda de 13,6 pp, mas ainda elevado)
  • Cheque especial: 138,6% a.a. (+3,8 pp)
  • Crédito pessoal não consignado: acima de 100% a.a. em meses anteriores

Selic em 15% pressiona crédito

A taxa básica de juros subiu 2,25 pontos percentuais ao longo de 2025, chegando a 15% para conter a inflação persistente. Essa política monetária contracionista encarece o crédito bancário total, que avançou 6,5 pp para 47,2% ao ano no geral, incluindo empresas.

Para as famílias, o impacto é direto: o crédito livre desacelerou, mas os saldos totais cresceram 10,2% em 2025, para R$ 7,12 trilhões. No entanto, o endividamento das famílias em relação à renda acumulada subiu para 49,3% em outubro, sinalizando fragilidade financeira.

Empresas também sentiram o aperto, com juros para famílias e corporações em alta: de 21,7% para 25% ao ano. O BC projeta crescimento mais lento do crédito em 2026, em 8,6%, diante da Selic elevada.

Inadimplência em recorde histórico

A inadimplência média nos bancos saltou para 4,1% em dezembro de 2025, recorde desde 2011. Para pessoas físicas, chegou a 5%, o maior desde 2012, enquanto empresas viram 2,5%.

Esse aumento reflete o custo elevado do dinheiro e a dificuldade de quitação de dívidas. Famílias com juros para famílias tão altos enfrentam ciclo vicioso: mais juros geram mais inadimplência, que por sua vez eleva ainda mais as taxas para os bons pagadores.

  • Inadimplência geral: 4,1% (recorde histórico)
  • Pessoas físicas: 5% (maior desde 2012)
  • Empresas: 2,5% (alta de 0,5 pp)

Perspectivas para 2026 preocupam

Com a inflação ainda acima da meta de 3%, o Copom deve manter a Selic restritiva no início de 2026. Especialistas alertam para cautela no uso de crédito rotativo e cheque especial, sugerindo refinanciamento para taxas menores, como consignado ou parcelamento da fatura.

O crédito ampliado ao setor não financeiro cresceu 13% em outubro, mas a tendência é de moderação. Famílias precisam reorganizar finanças, priorizando reserva de emergência para evitar armadilhas de juros compostos que multiplicam dívidas rapidamente.

Os dados das Estatísticas Monetárias e de Crédito do BC reforçam a necessidade de educação financeira. Em um ano de juros para famílias recordes, planejar gastos e evitar dívidas caras é essencial para atravessar 2026 com equilíbrio.

O relatório mensal mostra que, apesar do crescimento do crédito, a qualidade das carteiras piorou. Bancos endurecem critérios de aprovação, beneficiando perfis de baixo risco, mas excluindo quem mais precisa.

Para o consumidor médio, a lição é clara: pague a fatura total do cartão, busque alternativas como empréstimo consignado (taxas em torno de 20-30% a.a.) e construa fundo de emergência equivalente a seis meses de despesas.

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