Oruam está foragido após 66 violações à tornozeleira eletrônica.
(Imagem: Oruam/Instagram)
O rapper Oruam, cujo nome real é Mauro Davi dos Santos Nepomuceno, está foragido desde esta terça-feira (3), após a 3ª Vara Criminal do Rio de Janeiro decretar sua prisão preventiva. A decisão veio depois de relatórios apontarem 66 violações à tornozeleira eletrônica, incluindo períodos longos com o dispositivo desligado.
A Polícia Civil tentou cumprir o mandado em sua residência, mas o cantor não foi localizado. Ele respondia em liberdade provisória por tentativa de homicídio qualificado contra dois policiais civis, sob condição de uso do equipamento de monitoramento.
O Superior Tribunal de Justiça (STJ) havia concedido liminar para substituir a prisão por medidas alternativas, mas revogou a decisão nesta segunda-feira (2), considerando as infrações graves e recorrentes.
Histórico das violações à tornozeleira
Oruam usa tornozeleira eletrônica desde 30 de setembro de 2025, após sair da prisão. As primeiras falhas graves começaram em novembro, com 22 incidentes só entre outubro e novembro daquele ano, segundo a Secretaria de Administração Penitenciária (Seap-RJ).
Em dezembro de 2025, ele compareceu à Central de Monitoração para trocar o equipamento, que apresentava danos por possível alto impacto, conforme perícia. Mesmo após a substituição, as violações continuaram, totalizando 66, com 21 graves só em 2026, principalmente por falta de carregamento da bateria.
Desde 1º de fevereiro, a tornozeleira permanece descarregada, o que levou o Ministério Público a pedir a prisão. A juíza Tula Corrêa de Mello entendeu que as medidas cautelares se mostraram insuficientes para garantir a ordem pública.
- 22 violações entre outubro e novembro de 2025;
- Troca de equipamento em 9 de dezembro de 2025 por dano;
- 66 ocorrências totais, 21 graves em 2026;
- Desligada desde 1º de fevereiro.
Acusação de tentativa de homicídio contra policiais
O caso remonta a 22 de julho de 2025, quando policiais da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) foram à casa de Oruam, no Joá, zona oeste do Rio, para apreender um menor ligado ao tráfico de drogas. O adolescente seria segurança de Edgar Alves de Andrade, o Doca, líder do Comando Vermelho.
Segundo a denúncia do Ministério Público, Oruam e outros réus – Willyam Matheus Vianna Rodrigues Vieira, Pablo Ricardo de Paula Silva de Morais e Victor Hugo Vieira dos Santos – arremessaram pedras pesadas contra o delegado Moyses Santana Gomes e o oficial Alexandre Alves Ferraz. Os ataques visavam impedir a ação policial.
Oruam é filho do traficante Marcinho VP, preso em presídio federal. Inicialmente indiciado por sete crimes, incluindo tráfico e associação ao tráfico, o foco atual é a tentativa de homicídio qualificado. Ele se entregou voluntariamente dias após o incidente, mas foi solto em setembro com a tornozeleira.
Posição da defesa e contexto do monitoramento
A defesa de Oruam, liderada pelo advogado Fernando Henrique Cardoso, nega intenção de descumprir as regras. Eles alegam problemas técnicos recorrentes no equipamento, comprovados por documentos da Seap, e pediram prisão domiciliar por questões de saúde.
No recurso ao STJ, argumentaram que o cantor é primário, tem residência fixa e profissão lícita. No entanto, o ministro Joel Ilan Paciornik revogou a liminar, destacando risco à ordem pública pelas falhas no monitoramento.
O caso de Oruam reflete desafios no sistema de monitoramento eletrônico no Brasil. Em 2025, o Rio de Janeiro registrou aumento de violações em tornozeleiras, levando a debates sobre eficácia e manutenção dos dispositivos. Especialistas apontam necessidade de investimentos em tecnologia e fiscalização mais rigorosa.
Enquanto isso, a Polícia Civil continua buscas. Qualquer informação sobre o paradeiro do rapper pode ser repassada anonimamente pelo Disque-Denúncia (21 2253-1177).
Impacto na carreira e repercussão
Oruam ganhou fama no funk e trap com letras sobre vida nas favelas. Sua prisão em julho de 2025 gerou comoção entre fãs, com visitas de artistas como MC Poze. A soltura em setembro foi celebrada nas redes, mas as violações reacenderam críticas.
Advogados criminalistas observam que descumprimentos à tornozeleira frequentemente levam à perda de benefícios judiciais. No Rio, cerca de 20 mil pessoas usam o dispositivo, e falhas técnicas são comuns, segundo relatórios da Seap.
O episódio reforça discussões sobre justiça seletiva e condições prisionais. Oruam postou vídeos defendendo inocência, alegando legítima defesa na operação policial. O julgamento segue tramitando na 3ª Vara Criminal.
Atualizações sobre a captura serão divulgadas assim que houver novidades. O caso continua acompanhado de perto pela imprensa e opinião pública, destacando tensões entre artistas, polícia e Judiciário no Rio de Janeiro.