Cerca de 90% do lixo encontrado no litoral de São Paulo é composto por materiais plásticos.
(Imagem: gerado por IA)
O litoral de São Paulo está diante de um desafio que vai muito além das águas impróprias para banho. A poluição marinha, composta majoritariamente por plásticos, agora é o alvo de uma ofensiva estratégica do Governo do Estado.
Por meio da Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil), foi aberta uma consulta pública inédita para estruturar o primeiro Plano Estadual de Combate ao Lixo no Mar. A proposta visa consolidar uma política pública duradoura para enfrentar um problema que, além de degradar o ecossistema, gera um prejuízo estimado em R$ 165 mil por cada tonelada de resíduo lançada ao oceano.
O impacto invisível no bolso e na natureza
Os diagnósticos técnicos que fundamentam o novo plano revelam uma realidade alarmante: 100% das praias brasileiras amostradas em estudos recentes continham resíduos sólidos. O grande vilão é o plástico, que representa mais de 90% desse volume total.
Diferente do que muitos imaginam, a maior parte dessa poluição tem origem em atividades terrestres. Dentro do universo de materiais encontrados na costa paulista, 60% são itens de uso único, como canudos, copos e embalagens descartáveis. Embora utilizados por poucos minutos, esses materiais podem levar mais de quatro séculos para se decompor, asfixiando a vida marinha e prejudicando o turismo e a pesca.
Como a população pode participar da decisão
O governo paulista busca agora o apoio da sociedade civil para refinar as estratégias de limpeza. Cidadãos, empresas, universidades e ONGs podem enviar suas contribuições até o dia 15 de maio. O processo é realizado exclusivamente via formulário eletrônico no portal oficial da Semil.
A intenção é que as vozes das cidades costeiras ajudem a adaptar as metas às necessidades locais. Segundo a subsecretaria de Recursos Hídricos e Saneamento Básico, a resposta coordenada é a única forma de garantir que as ações de prevenção sejam eficazes a longo prazo, protegendo a chamada economia azul.
Resultados práticos e remuneração de pescadores
Enquanto o novo plano é debatido, projetos em andamento já mostram que a limpeza do oceano pode ser rentável. O programa Mar Sem Lixo, da Fundação Florestal, utiliza o Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) para remunerar pescadores de arrasto que retiram resíduos do fundo do mar durante o trabalho.
Desde 2022, essa parceria já resultou na retirada de mais de 133 toneladas de detritos e no repasse de R$ 1 milhão às comunidades pesqueiras das Áreas de Proteção Ambiental (APAs). O novo plano estadual pretende elevar essas iniciativas a um novo patamar, unificando o monitoramento e garantindo que o litoral paulista se torne uma referência em sustentabilidade marinha.