Governo federal amplia unidades de conservação no Pantanal e cria nova reserva no Cerrado de Minas Gerais, somando 148 mil hectares protegidos.
(Imagem: Palê Zuppani/ICMbio)
O governo federal anunciou a criação de uma nova unidade de conservação no Cerrado mineiro e a ampliação de áreas protegidas no Pantanal, totalizando 148 mil hectares adicionais sob proteção ambiental.
As medidas foram assinadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante a COP15 da Convenção sobre Espécies Migratórias, em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul. A iniciativa, gerida pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), visa preservar ecossistemas essenciais para a biodiversidade brasileira e o equilíbrio climático.
Ampliação estratégica no Pantanal matogrossense
No Pantanal do Mato Grosso, duas unidades de proteção integral ganharam áreas significativas. A Estação Ecológica do Taiamã, criada em 1981 no município de Cáceres, passou de 11,5 mil para 68,5 mil hectares, incorporando 57 mil hectares de campos inundáveis e rios.
Essa expansão atende demandas de pesquisadores da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), que destacam a necessidade de territórios maiores para onças-pintadas e 131 espécies de peixes. A região abriga alta biodiversidade, incluindo aves migratórias e comunidades de grandes vertebrados raros, além de ser Sítio Ramsar desde 2018 por sua importância em áreas úmidas.
O Parque Nacional do Pantanal Matogrossense, em Poconé, cresceu de 135,9 mil para 183,1 mil hectares, adicionando 47,2 mil hectares. Delimitado por rios como o Paraguai e São Lourenço, o parque protege espécies ameaçadas como tamanduá-bandeira, ariranha, tatu-canastra e cervo-do-pantanal, além de regular o pulso de inundação vital para o bioma.
Nova reserva une conservação e comunidades no Cerrado
A Reserva de Desenvolvimento Sustentável Córregos dos Vales do Norte de Minas, com 40,8 mil hectares, foi criada nos municípios de Riacho dos Machados, Rio Pardo de Minas e Serranópolis de Minas. A unidade protege nascentes dos córregos Tamanduá, Poções e Vacaria, conectando-se ao Parque Estadual Serra Nova e próxima ao Grão Mogol.
Os geraizeiros, comunidades tradicionais presentes na região desde o século 19, foram peças centrais na construção da reserva. Esses povos, adaptados ao Cerrado, cultivam lavouras diversificadas em chapadas e veredas, resistindo a pressões como o avanço de monoculturas de eucalipto que cercam seus territórios.
A medida alia justiça social à conservação, reduzindo vulnerabilidades e garantindo direitos territoriais. Mauro Pires, presidente do ICMBio, enfatiza que a reserva reconhece o cuidado histórico dessas comunidades com a natureza, fortalecendo um modo de vida em equilíbrio entre Cerrado e Caatinga.
Contexto dos biomas e ameaças atuais
O Pantanal, maior planície alagável do mundo, enfrenta secas prolongadas, desmatamento e queimadas intensificadas pelas mudanças climáticas. O pulso de inundação, que sustenta sua rica fauna e flora, está ameaçado, com impactos em peixes, aves e mamíferos como a onça-pintada, que ali pesca jacarés e peixes de forma única.
No Cerrado, savana mais biodiversa do planeta com mais de 11 mil espécies de plantas, o desmatamento para agropecuária e silvicultura pressiona nascentes e habitats. Apesar de avanços, o bioma tem a menor proporção de unidades de conservação entre os principais do Brasil, tornando essas expansões cruciais.
- Estação Ecológica Taiamã: 131 espécies de peixes (48% do Pantanal), aves migratórias e onças-pescadoras.
- Parque Nacional Pantanal: Espécies como gato-maracajá, jacu-de-barriga-castanha e estilete.
- Reserva Córregos: Proteção de geraizeiros, nascentes e mosaico de conservação no Norte de Minas.
Impactos e perspectivas futuras
As novas proteções reforçam a resiliência frente ao aquecimento global, aumentando o sequestro de carbono, a regulação climática e a purificação da água. Marina Silva, ministra do Meio Ambiente, destaca a base técnica e a escuta qualificada por trás das decisões, essenciais para o pulso hidrológico do Pantanal.
Investimentos previstos, como R$ 80 milhões para Taiamã, sinalizam compromisso com gestão e pesquisa. Para geraizeiros, a reserva potencializa agricultura camponesa sustentável, combatendo insegurança fundiária e seca em territórios encurralados por plantações industriais.
Essas ações ocorrem em meio à COP15, que reúne mais de 130 países para proteger espécies migratórias cujas rotas cruzam esses biomas. Especialistas como Claumir Muniz, da Unemat, e Ernandes Sobreira veem nas ampliações viabilidade genética para fauna e benefícios diretos à qualidade de vida humana.
O Brasil avança na meta de 30% de território protegido até 2030, mas desafios persistem com eventos climáticos extremos. A integração de ciência, comunidades e políticas públicas será chave para manter esses ecossistemas como patrimônio vivo.