Boeing 737-800 da Avelo Airlines.
(Imagem: Tpowaleny/CC BY-SA 4.0/Wikimedia Commons)
Decisão surpreende o setor aéreo: após anos realizando voos contratados pelo ICE (Serviço de Imigração e Controle de Alfândega dos Estados Unidos), a companhia GlobalX Airlines anunciou o fim do contrato, alegando “graves problemas” gerados pelas operações de deportação. A medida tem impacto direto nos bastidores da aviação e reacende o debate sobre o papel das empresas privadas em políticas migratórias.
GlobalX diz ter sofrido danos à imagem e à segurança
A companhia, com sede na Flórida, afirmou que os voos do ICE trouxeram “significativa repercussão negativa” e ameaças à segurança de suas equipes. Segundo o CEO Ed Wegel, a decisão de encerrar as operações foi “necessária” para proteger a imagem da empresa e seus funcionários. O temor de protestos, boicotes e exposição pública aumentava a cada operação, especialmente em rotas com destino à América Latina.
Pressão pública e impacto político em alta
As críticas a empresas que colaboram com deportações cresceram nos últimos anos, com ativistas acusando essas companhias de lucrarem com o sofrimento humano. A saída da GlobalX acontece em um momento em que o governo dos EUA enfrenta pressão para mudar suas políticas migratórias e pode afetar futuras licitações do ICE. Outras companhias que mantêm contratos semelhantes devem reavaliar suas posições.
Brasil e América Latina no foco das deportações
Nos últimos anos, centenas de voos financiados pelo ICE pousaram em países latino-americanos, incluindo o Brasil. Muitos desses voos transportavam pessoas detidas em ações de imigração irregular. A decisão da GlobalX, portanto, também preocupa autoridades desses países, que veem no fim das operações um possível reordenamento da logística de deportações regionais.
Uma mudança que pode virar tendência
Com a repercussão da notícia, investidores e analistas já projetam um efeito dominó. A expectativa é que outras companhias aéreas sigam o mesmo caminho, evitando contratos de alto risco reputacional. “É uma questão de imagem e responsabilidade social. As empresas estão percebendo que voar pelo ICE pode custar caro em credibilidade”, avalia um especialista do setor consultado por veículos americanos.
Na prática, o rompimento do contrato mostra como o debate migratório dos EUA extrapolou a política e chegou às estratégias comerciais, um movimento com potencial de redesenhar o mapa da aviação charter internacional.