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Confiança no emprego bate recorde de 13 anos: 71% dos brasileiros não temem demissão

Pesquisa Datafolha aponta que 71% dos brasileiros sentem segurança no emprego, maior nível desde 2013. Baixo desemprego impulsiona otimismo no mercado.

28 mai 2026 - 08h42 Joice Gomes   atualizado às 08h44
Confiança no emprego bate recorde de 13 anos: 71% dos brasileiros não temem demissão Confiança do trabalhador brasileiro atinge patamares históricos com queda do desemprego. (Imagem: gerado por IA)

O mercado de trabalho brasileiro vive um momento de otimismo que não se via há mais de uma década. Segundo novos dados divulgados pelo instituto Datafolha nesta quarta-feira, 71% dos trabalhadores brasileiros afirmam não sentir risco de perder o emprego ou de ficar sem trabalho no curto prazo. Este é o maior percentual de confiança registrado desde 2013, refletindo um cenário econômico onde a taxa de desocupação gravita em torno de 6%, um patamar historicamente baixo para os padrões nacionais.

Essa percepção de estabilidade não é fruto do acaso; ela acompanha o recuo consistente do desemprego e a recuperação da renda média. Na contramão do otimismo majoritário, 19% dos entrevistados ainda consideram que o risco de demissão é grande, enquanto 9% veem alguma chance de serem desligados de seus postos. Embora a insegurança persista para uma parcela da população, o salto na confiança é notável quando comparado a anos anteriores.

Um salto comparativo e histórico

Para entender o peso desses 71%, basta olhar para o retrovisor recente. Em julho de 2019, antes da pandemia e com uma economia ainda patinando, apenas 58% dos trabalhadores se sentiam seguros. Naquela época, o desemprego oficial estava na casa dos 11,9%, quase o dobro do índice atual. O recorde histórico de segurança no emprego ainda pertence a março de 2013, quando 75% da população economicamente ativa não via nuvens no horizonte profissional, coincidindo com um período de pleno emprego no país.

O levantamento atual, realizado entre os dias 12 e 13 de maio com 1.312 pessoas em 139 municípios, mostra que a sensação de 'pés no chão' retornou aos lares brasileiros. A amostra focou exclusivamente em quem está na ativa, trabalhadores formais, informais, autônomos e empresários, deixando de fora quem já está aposentado ou fora do mercado.

Recortes de privilégio e vulnerabilidade

A segurança, no entanto, não é distribuída de forma uniforme. Os dados revelam que o setor público continua sendo o maior porto seguro emocional e financeiro do país: 84% dos servidores afirmam não ter medo de perder o cargo. Outro grupo que demonstra alta resiliência são os trabalhadores com 60 anos ou mais, onde 80% se sentem plenamente estáveis.

Por outro lado, o fantasma da demissão ainda assombra as faixas de menor renda. Entre aqueles que ganham até dois salários mínimos, o índice de confiança cai para 65%. "O mercado está aquecido, mas a rotatividade e a vulnerabilidade nos estratos mais baixos ainda impedem uma sensação de segurança plena para todos", avaliam analistas econômicos ao interpretar os números.

O fim do medo do desemprego?

Além da probabilidade estatística de demissão, o Datafolha mediu o sentimento subjetivo do medo. Para 58% dos brasileiros, a hipótese de perder o emprego simplesmente não causa temor no dia a dia. Esse desprendimento é mais comum entre pessoas com ensino superior completo e aqueles com renda superior a dez salários mínimos (75% de tranquilidade).

Já entre os jovens de 16 a 24 anos e os menos escolarizados, o medo é um companheiro mais presente: apenas metade desse grupo afirma não ter receio do desemprego. Essa dualidade mostra que, embora o macro cenário seja positivo, a entrada no mercado de trabalho e a permanência em cargos de baixa qualificação continuam sendo fontes de ansiedade.

A tendência para os próximos meses é que essa confiança se converta em maior poder de consumo e circulação de capital, uma vez que o trabalhador seguro tende a assumir mais compromissos financeiros e investimentos. O desafio do governo e do setor privado agora reside em manter esses índices em meio às flutuações das taxas de juros e incertezas fiscais.

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