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Economia

Fazenda estuda mudanças no Move Brasil para atrair bancos privados

O Ministério da Fazenda avalia ajustes no Programa Move Brasil para atrair bancos privados e facilitar o financiamento de veículos a motoristas de aplicativo.

20 ago 2026 - 08h22 Joice Gomes   atualizado às 08h25
Fazenda estuda mudanças no Move Brasil para atrair bancos privados Ministro da Fazenda em exercício, Dario Durigan, detalha estratégias de crédito e comércio exterior após reunião no Palácio da Alvorada. (Imagem: gerado por IA)

O Programa Move Brasil, lançado com a promessa de renovar a frota de veículos de motoristas de aplicativo e taxistas por meio de juros subsidiados, passa por uma reavaliação estratégica profunda no Ministério da Fazenda. Em vigor desde o dia 27 de julho, a iniciativa enfrenta um gargalo claro: a baixa adesão dos bancos privados. Para tentar reverter esse cenário, o governo federal estuda mudanças operacionais e tecnológicas que facilitem a entrada dessas instituições financeiras no circuito.

A avaliação foi detalhada pelo ministro da Fazenda em exercício, Dario Durigan, após uma longa reunião de alinhamento com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e outros membros do primeiro escalão no Palácio da Alvorada. O diagnóstico da equipe econômica aponta que, embora o volume de operações atual seja considerado relevante, ele ainda se concentra excessivamente nos ombros de gigantes públicos como o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal.

Por que a adesão do setor privado ao Move Brasil emperrou?

O desenho original do Move Brasil prevê o financiamento facilitado de carros zero-quilômetro de até R$ 150 mil, além de modelos seminovos, motocicletas e bicicletas elétricas. Mesmo contando com garantias estruturadas pelo Tesouro Nacional, os bancos privados mantêm uma postura conservadora frente ao perfil de risco desse público-alvo, tradicionalmente composto por trabalhadores autônomos.

Segundo Durigan, o governo tem dialogado intensamente com o setor financeiro privado para mapear as resistências. A principal queixa das instituições não reside na falta de liquidez, mas na dificuldade de mensurar com precisão a capacidade de pagamento de motoristas e motociclistas que atuam sem carteira assinada.

A barreira da comprovação de renda e a solução tecnológica

Para destravar os financiamentos nas plataformas privadas, a Fazenda estuda uma integração de dados diretamente com as grandes empresas de tecnologia que gerenciam os aplicativos de transporte. A ideia é criar um canal seguro e automatizado onde o trabalhador possa compartilhar seu histórico de faturamento diretamente com o banco avaliador do crédito.

Essa medida eliminaria a burocracia documental e reduziria as taxas de rejeição automática de propostas por insuficiência de dados cadastrais. Se implementada, a mudança pode remodelar não apenas o Move Brasil, mas servir de laboratório para outras frentes de microcrédito voltadas ao ecossistema da gig economy.

Além do crédito: A geopolítica comercial e a Lei da Reciprocidade

O encontro no Palácio da Alvorada ultrapassou as fronteiras do crédito doméstico para debater a inserção do Brasil no comércio global. Entrou na pauta o início da aplicação da Lei 15.122/2025, conhecida como Lei da Reciprocidade Econômica. O dispositivo foi desenhado para proteger exportadores nacionais contra barreiras comerciais arbitrárias de terceiros países.

O alvo imediato é a sobretaxa de 37,5% imposta pelo governo de Donald Trump a produtos siderúrgicos e manufaturados brasileiros nos Estados Unidos. A Fazenda, contudo, adota uma postura pragmática. Durigan reforçou que o acionamento do mecanismo legal não inviabiliza as conversas diplomáticas direta com a Casa Branca. O objetivo é utilizar a reciprocidade como uma ferramenta de equilíbrio nas mesas de negociação, e não como uma declaração de guerra comercial.

O futuro das exportações e o programa Brasil Soberano

Paralelamente às discussões sobre tarifas, a equipe de Lula projeta mitigar os danos à indústria nacional através de incentivos tributários. Está em estágio avançado de estudo a ampliação do regime de drawback para os setores mais afetados pelas restrições americanas. Essa medida, que desonera insumos importados utilizados na produção de bens exportáveis, faz parte do pacote de segurança industrial batizado de Brasil Soberano.

Com essa dupla estratégia, flexibilização tecnológica no crédito interno e firmeza negociadora no cenário internacional, o Ministério da Fazenda busca blindar a economia brasileira em um período de transição global acelerada. O sucesso do redesenho do Move Brasil nos próximos meses ditará o ritmo da inclusão financeira de milhões de trabalhadores autônomos no país.

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