Descubra como o CadEJA, lançada pelo MEC, permite que pessoas acima de 15 anos se matriculem facilmente na EJA, ampliando vagas e superando barreiras históricas no ensino público brasileiro.
(Imagem: Geovana Albuquerque/Agência Brasília)
O Ministério da Educação (MEC) lançou o Cadastro da Educação de Jovens e Adultos (CadEJA), uma plataforma digital que simplifica o retorno de milhares de brasileiros aos estudos na rede pública.
Disponível para qualquer pessoa com 15 anos ou mais, o sistema registra demandas por matrículas na Educação de Jovens e Adultos (EJA), mobilizando secretarias estaduais e municipais para oferecer vagas próximas.
Passo a passo para o cadastro
O processo é intuitivo e pode ser feito pelo site oficial do CadEJA ou pelo aplicativo MEC Enem. O usuário informa nome, CPF, data de nascimento e contato, seleciona estado, município, bairro e turno preferido.
Em seguida, indica o nível onde parou os estudos – alfabetização, fundamental ou médio – e situações especiais, como inscrição no CadÚnico ou ser pessoa com deficiência. Um protocolo é gerado, e a secretaria local entra em contato com a oferta de vaga.
Contexto da EJA no Brasil
A EJA atende quem não concluiu os estudos na idade regular, enfrentando queda drástica nas matrículas: de 3,6 milhões em 2014 para 2,4 milhões em 2024, uma redução de 34,5%.
O Sudeste e Nordeste lideram as perdas, com 510 mil e 265 mil matrículas a menos, respectivamente. Estados como Rondônia (-72,3%) e Mato Grosso (-68%) registram os maiores decréscimos.
Apesar disso, o analfabetismo cai: em 2024, 5,3% da população acima de 15 anos – cerca de 9,1 milhões de pessoas – não sabe ler e escrever um bilhete simples, menor taxa desde 2016.
Pacto Nacional pela EJA
O CadEJA integra o Pacto Nacional pela Superação do Analfabetismo e Qualificação da Educação de Jovens e Adultos, lançado pelo MEC para elevar a escolaridade acima de 15 anos.
Em quatro anos, o pacto prevê ampliação de vagas em alfabetização via Brasil Alfabetizado, atendimento no Pé-de-Meia, formação de professores e 3 mil escolas com PDDE-EJA.
A iniciativa busca 3,3 milhões de novas matrículas, incluindo presos, e parcerias com o setor produtivo para EJA integrada à profissionalização, com cursos de 160 horas desde a alfabetização até o médio.
Desafios e importância econômica
A evasão, falta de recursos didáticos e formação precária de docentes agravam o problema, intensificado pela pandemia. Ainda assim, concluir a EJA eleva a renda em até 16% e melhora chances de emprego.
No mercado de trabalho, o diploma básico abre portas para qualificação profissional, reduzindo desigualdades. A média de anos de estudo para maiores de 25 anos atingiu 10,1 em 2024, recorde histórico.
- Redução de 34,5% nas matrículas EJA de 2014 a 2024.
- 9,1 milhões de analfabetos em 2024 (5,3% da população acima de 15 anos).
- Meta do Pacto: 3,3 milhões de novas vagas em quatro anos.
- CadEJA atende via site, app e 0800-616161 para dúvidas.
- Estados com maiores quedas: Rondônia (-72,3%), Mato Grosso (-68%).
Impactos esperados
A plataforma centraliza demandas antes restritas às escolas, otimizando oferta pública. Especialistas veem no CadEJA um passo para inclusão, devolvendo protagonismo a quem ficou fora do sistema educacional.
Com apoio de secretarias, o MEC espera reverter a desescolarização, promovendo equidade. O lançamento ocorreu no Encontro Nacional da EJA, em Recife, com formatura de 2 mil alunos.
Para o cidadão, é a chance de retomar estudos sem burocracia, visando não só o diploma, mas transformação pessoal e profissional em um país que avança na alfabetização.