Viradouro leva à Sapucaí o enredo sobre Mestre Ciça no Carnaval 2026.
(Imagem: Renata Xavier/Divulgação Viradouro)
A Unidos do Viradouro escolheu um enredo emocionante para o Carnaval 2026: uma justa homenagem a Mestre Ciça, o lendário Moacyr da Silva Pinto, que chega aos 70 anos em julho. Intitulado Pra Cima, Ciça!, o samba-enredo resgata mais de cinco décadas de dedicação ao ritmo das baterias cariocas. A escola niteroiense, fresca do bicampeonato em 2020 e 2024, desfilará na segunda noite do Grupo Especial, dia 16 de fevereiro, pela Marquês de Sapucaí.
Diferente de homenagens tradicionais com o personagem em carro abre-alas, Mestre Ciça pisará na avenida à frente da própria bateria, quesito diretamente julgado. Essa ousadia conecta o tributo à essência do samba: o som pulsante que move a escola. A estratégia visa cativar jurados e plateia com autenticidade, reforçando a força da Viradouro na elite do carnaval.
Origens e conquistas de Mestre Ciça
Filho do Estácio, o primeiro reduto do samba organizado no Rio, Mestre Ciça iniciou sua história em 1972 como passista na Unidos de São Carlos, escola que se transformou na Estácio de Sá. Ali, em 1988, pegou o comando da bateria e levou a agremiação ao título de 1992, um marco em sua carreira. Depois vieram passagens marcantes pela Unidos da Tijuca, Grande Rio e União da Ilha, sempre deixando baterias afinadas e inovadoras.
De volta à Viradouro em momentos decisivos, ele orquestrou as vitórias recentes, com paradinhas cirúrgicas que viraram lendas na Sapucaí. Prêmios como o Estandarte de Ouro na União da Ilha, em 2017, coroam sua expertise. Ensaios puxados e visão pedagógica formam gerações de ritmistas, tornando-o referência viva no quesito que dita o swingue do desfile.
- Estreia como mestre na Estácio de Sá em 1988, com título em 1992.
- Títulos com Viradouro em 2020 e 2024, bicampeonato recente.
- Famoso por paradinhas precisas e ritmos surpreendentes na avenida.
- Passagens por Tijuca, Grande Rio e União da Ilha consolidam legado.
Samba-enredo e estrutura do desfile
O enredo Pra Cima, Ciça! ganha vida em 23 alas, com até 3,5 mil integrantes recriando a jornada do mestre desde o Estácio até a glória atual. O samba-enredo, obra coletiva de 12 compositores como Claudio Mattos e o multifacetado Marcelo Adnet, explode no refrão: "Se eu for morrer de amor, que seja no samba / Sou Viradouro, onde a arte o consagrou". A inspiração vem do clássico "Flores em Vida", de Nelson Cavaquinho, ecoando gratidão em tempo real.
Carnavalesco Tarcísio Zanon conta que o tema surgiu da sugestão certeira do presidente de honra Marcelinho Calil, após descartar ideias semelhantes a enredos alheios. "Trata-se de uma declaração de amor traduzida em desfile", afirma ele, fruto de conversas diretas com Ciça. O espetáculo abrange raízes africanas do samba, o berço estaciano e inovações como o desfile sobre carro alegórico em 2007 pela própria Viradouro.
Ciça não esconde a comoção: "Ser homenageado enquanto comando a bateria julgada é indescritível". Com capacidade para 120 mil na Sapucaí, o desfile promete unir torcida em um só batucar, celebrando quem faz o carnaval pulsar há gerações.
Papel central da bateria no carnaval
As baterias são o motor do desfile, guiando evoluções e incendiando arquibancadas com surdo, tamborim e agogô em perfeita sintonia. Mestre Ciça, com seu carisma nato, arranja harmonias complexas e treina ritmistas para momentos de brilho, como recuos e chamadas especiais. Na Viradouro, essa seção é sinônimo de precisão e paixão, capaz de virar placares nos julgamentos.
O enredo amplia o impacto cultural: valoriza ícones vivos, preservando a memória oral do samba e motivando jovens periféricos a pegarem os instrumentos. Analistas veem potencial de pódio, especialmente pela carga emocional em ano de renovação pós-bicampeonato. Ensaios na quadra de Niterói já lotam, testando o samba e as coreografias rítmicas.
- Bateria dita o ritmo para 120 mil na Marquês de Sapucaí.
- Mestre Ciça prioriza sincronia em paradinhas icônicas.
- Formação de ritmistas jovens garante renovação no samba.
- Influências afro e estacianas guiam o enredo vencedor.
Expectativas para o Carnaval 2026
O calendário do Carnaval 2026 prevê desfiles de 15 a 17 de fevereiro, com Viradouro na terceira posição da segunda noite, logo após Mocidade Independente de Padre Miguel e Beija-Flor de Nilópolis. Definida pela Liesa, a ordem promete duelos intensos na elite. As campeãs voltam dia 21, chance de repetir façanhas recentes.
Bicampeã vigente, a Viradouro busca o tri com raízes autênticas, longe de temáticas globais. O enredo fortalece laços com Niterói e eterniza Mestre Ciça como patrimônio do samba. À frente, projeções apontam para mais narrativas pessoais, elevando o storytelling carioca e atraindo investimentos culturais.
Essa celebração desafia o samba a honrar pioneiros em vida, trocando luto por festa no tambor. Preparativos avançam com fantasias que retratam troféus e microfones de ensaio, enquanto a comunidade vibra. Na avenida, Viradouro não só compete: reescreve a história do carnaval com gratidão rítmica e coletiva.
Os ensaios técnicos na Sapucaí, previstos para as próximas semanas, serão o primeiro teste real do enredo. A escola ajusta alegorias que simbolizam marcos como o título de 1992 e as paradinhas virais. Sambistas de todo o país acompanham, apostando em um desfile que una técnica impecável a emoção transbordante.
No fundo, o tributo de Mestre Ciça reflete o espírito resiliente das escolas: transformar vivências periféricas em arte universal. Ao colocá-lo no chão da avenida, a Viradouro humaniza o carnaval, convidando todos a sentirem o mesmo orgulho que pulsa nos tambores há 70 anos.