Festa da torcida do PSG em Paris foi acompanhada por forte esquema de segurança e registro de vandalismo em pontos isolados. Foto: LOU BENOIST / AFP
(Imagem: gerado por IA)
A glória esportiva e o caos urbano caminharam lado a lado em Paris na última noite. Enquanto o Paris Saint-Germain (PSG) celebrava seu segundo título da história na UEFA Champions League, as ruas da capital francesa tornaram-se palco de uma operação de segurança sem precedentes, que culminou na detenção de mais de 400 pessoas. O equilíbrio entre o júbilo de uma torcida apaixonada e a violência de grupos isolados testou os limites das autoridades locais, em uma noite que misturou orgulho nacional e tensão urbana.
A vitória dramática sobre o Arsenal, decidida nos pênaltis por 4 a 3 após um empate em 1 a 1 em Budapeste, disparou um gatilho de euforia que rapidamente tomou conta de cartões-postais como a Champs-Élysées e a Praça da República. No entanto, o Ministério do Interior francês já antecipava o risco: para evitar a repetição dos graves tumultos do ano anterior, 22 mil agentes foram mobilizados em todo o país, sendo 8 mil apenas na região metropolitana de Paris. O objetivo era claro: permitir que a festa ocorresse sem que a cidade fosse depredada como em celebrações passadas.
Confrontos e prisões em meio à festa
Mesmo com o reforço massivo de policiais e gendarmes, incidentes graves foram registrados em pontos específicos da cidade. Segundo o balanço oficial apresentado pelo titular da pasta da segurança, Laurent Nunez, 416 pessoas foram detidas em todo o território nacional, das quais cerca de 280 apenas na capital. Nunez classificou os episódios de vandalismo como "absolutamente inaceitáveis", destacando que a ação de pequenos grupos criminosos não deve ser confundida com o comportamento da maioria dos torcedores.
A violência deixou rastros materiais e feridos. Sete policiais sofreram ferimentos durante os embates, que incluíram o lançamento de morteiros e sinalizadores contra as guarnições. Na região da Porte de Saint-Cloud, nas proximidades do estádio Parque dos Príncipes, o cenário de destruição incluiu uma padaria e um restaurante vandalizados, além de seis veículos incendiados. Próximo à Champs-Élysées, um ponto de ônibus foi completamente destruído, evidenciando que, apesar do controle, as forças de segurança não conseguiram conter todos os focos de fúria.
A euforia de quem viu a história ser escrita
Apesar dos focos de tensão, a atmosfera majoritária era de celebração pura e alívio. Com temperaturas elevadas, mais típicas de um auge de verão do que da primavera francesa, milhares de torcedores transformaram o Parque dos Príncipes em uma arena pulsante. O estádio, embora a partida ocorresse a 1.500 km de distância, foi equipado com seis telões gigantes para receber a massa parisiense. O grito de "Campeões da Europa!" e "Isto é Paris!" ecoou no momento em que a última cobrança de pênalti balançou as redes na Hungria.
Para muitos torcedores, como o jovem Riad, de 26 anos, que viajou de Charleville-Mézières para a capital, o PSG consolidou definitivamente sua posição como o clube de referência da França. "Viemos apenas pela vitória. É uma noite que ficará na memória, uma noite de grandeza", afirmou o torcedor, que sintetizou o sentimento de uma geração que viu o clube crescer financeiramente até atingir o topo do continente por duas vezes.
A rede de transportes públicos, incluindo linhas vitais de metrô e rotas de ônibus, sofreu interrupções estratégicas para garantir a segurança dos passageiros e motoristas. A medida, embora necessária, impactou o deslocamento de milhares de pessoas que tentavam chegar ao coração da festa na avenida mais famosa do mundo. Por volta das 21h30 locais, a polícia estimava que 20 mil pessoas já se aglomeravam na Champs-Élysées, vestindo o azul e vermelho característicos.
O peso do bicampeonato e o reconhecimento oficial
O título sob o comando de Luis Enrique foi visto como a validação de um projeto esportivo ambicioso. Torcedores como Marc e Baptiste, que estiveram presentes no estádio durante a final do ano anterior, ressaltaram que a energia desta vez parecia ainda mais intensa. "Luis Enrique nos levou a uma nova dimensão. Entregamos as chaves para a pessoa certa", comentou Baptiste, referindo-se à disciplina e ao estilo de jogo implementados pelo técnico espanhol.
O reconhecimento do feito histórico veio rapidamente do topo da hierarquia estatal. O presidente Emmanuel Macron utilizou suas redes sociais para celebrar o bicampeonato, afirmando que "uma nova estrela brilha em Paris" e que o sucesso do PSG faz toda a Europa sonhar. O prestígio esportivo terá um novo capítulo oficial neste domingo, quando os jogadores e a comissão técnica serão recebidos no Palácio do Eliseu para uma recepção de gala.
As comemorações devem atingir seu ápice no final da tarde deste domingo, no Campo de Marte, em frente à Torre Eiffel. A estrutura, que na noite de sábado já brilhava com as cores do clube, deve ser o palco para uma recepção que pode atrair cerca de 100 mil pessoas. O esquema de segurança permanecerá em alerta máximo, buscando equilibrar a merecida exaltação dos campeões com a manutenção da ordem pública em uma das cidades mais vigiadas do mundo.