A ideia é evitar que algum time do estado tome posições isoladas que possam enfraquecer uma ação de grupo.
(Imagem: Raul Baretta/Santos FC)
Clubes paulistas começaram a organizar uma atuação conjunta diante das mudanças anunciadas pelo governo federal para o mercado de apostas esportivas e sua publicidade. Representantes de 11 equipes das Séries A, B e da Segunda Divisão Paulista se reuniram com a Federação Paulista de Futebol (FPF) para compartilhar informações jurídicas e comerciais e discutir os possíveis efeitos da medida sobre contratos de patrocínio.
A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) passou a atuar como interlocutora entre os clubes das divisões nacionais e o governo. A expectativa é de uma conversa com o Ministério do Esporte para tratar das consequências da medida e das alternativas em discussão para o setor.
Patrocínios de apostas ganharam peso nas receitas
O debate ocorre porque empresas de apostas se tornaram patrocinadoras relevantes do futebol brasileiro nos últimos anos, com presença em camisas, placas, propriedades comerciais e ações digitais. Em 2025, segundo dados citados no debate entre os clubes, o setor destinou cerca de R$ 1,03 bilhão às equipes da Série A, equivalente a aproximadamente 7,2% das receitas totais dos times naquele período.
Isso não significa que todos os clubes tenham o mesmo grau de dependência desses contratos. A exposição varia conforme o tamanho do acordo, a duração dos vínculos, a participação das bets no conjunto de patrocinadores e a capacidade de cada equipe de substituir receitas comerciais.
Reunião reuniu áreas jurídicas e de marketing
O encontro promovido no futebol paulista teve caráter de alinhamento. Profissionais das áreas jurídica e de marketing discutiram contratos vigentes, possíveis efeitos da nova regra e estratégias para que os clubes apresentem suas preocupações de forma coordenada.
A articulação não representa, por si só, uma definição sobre medidas judiciais ou um acordo fechado com o governo. O movimento ocorre enquanto dirigentes aguardam maior clareza sobre implementação, transição contratual e eventual discussão de mecanismos para reduzir impactos financeiros.
CBF assume papel de interlocução
A CBF foi acionada para centralizar parte da interlocução nacional, reunindo demandas de clubes das quatro divisões e levando os pontos ao Ministério do Esporte. A discussão envolve não apenas equipes paulistas, já que contratos de publicidade com empresas de apostas estão espalhados pelo futebol profissional brasileiro.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou publicamente que o futebol brasileiro existia e conquistava resultados antes da expansão das casas de apostas, ao comentar preocupações sobre perda de receitas. Do lado dos clubes, o foco está na necessidade de compreender como contratos em vigor serão afetados e qual será o período de adaptação.
Impacto dependerá da implementação
A dimensão financeira da mudança só poderá ser medida com maior precisão quando estiverem definidos o alcance das restrições, os prazos de transição e a situação dos contratos já assinados. Até lá, projeções sobre perdas para cada equipe dependem de informações comerciais que variam de clube para clube.
Para o futebol paulista, a reunião representa o início de uma resposta coordenada a uma alteração que atinge uma das fontes de patrocínio que mais cresceram no esporte nos últimos anos. O próximo passo esperado é a interlocução institucional com o governo, mediada pela CBF.