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Desastre em Juiz de Fora reflete negligência com aquecimento global e chuvas extremas

26 fev 2026 - 08h00 Joice Gomes   atualizado às 08h04
Desastre em Juiz de Fora reflete negligência com aquecimento global e chuvas extremas Em Juiz de Fora, chuvas intensas causadas pelo aquecimento global provocam tragédia com 47 mortos e 3 mil desabrigados. (Imagem: Tomaz Silva/Agência Brasil)

Os temporais que atingiram Juiz de Fora e Ubá, na Zona da Mata mineira, entre 23 e 24 de fevereiro de 2026, revelam os impactos diretos do aquecimento global. Pelo menos 47 pessoas morreram, 20 estão desaparecidas, 3 mil foram desabrigadas e 400 desalojadas, segundo balanços oficiais.

A cidade registrou 220 mm de chuva em 12 horas, quase o total esperado para o mês inteiro, transformando fevereiro no mais chuvoso da história local, com mais de 580 mm acumulados. Rios como o Paraibuna transbordaram, causando enchentes, deslizamentos e soterramentos em bairros periféricos.

Chuvas extremas ligadas ao clima

O aquecimento global aquece o Atlântico em 3°C acima do normal, aumentando a umidade e intensificando precipitações em áreas montanhosas como Juiz de Fora. Especialistas do Cemaden explicam que o ar saturado gera eventos como supercélulas, com nuvens de até 16 km de altura.

Geógrafo Miguel Felippe, da UFJF, afirma que esses extremos climáticos são mais frequentes devido à negligência com mudanças climáticas. A topografia local, com encostas ocupadas irregularmente, amplifica os riscos de deslizamentos e inundações.

Marcelo Seluchi, do Cemaden, destaca que o solo já saturado por chuvas anteriores não suportou o volume extra, levando a desastres evitáveis com melhor planejamento.

  • 220 mm de chuva em 12 horas em Juiz de Fora.
  • 47 mortes confirmadas até 25 de fevereiro.
  • 3 mil desabrigados e 400 desalojados.
  • Fevereiro de 2026: recorde histórico de precipitação.

Negligência em políticas públicas

A falta de recursos para defesa civil em Minas Gerais, com cortes de R$ 135 milhões para R$ 6 milhões entre 2023 e 2025, reflete descaso com o aquecimento global. Verbas do Novo PAC para contenção de encostas somam R$ 30 milhões, mas liberações são mínimas.

Especialistas criticam o negacionismo climático, que prioriza interesses econômicos sobre planejamento urbano. O capital imobiliário empurra populações pobres para áreas de risco, como Morro do Imperador e Parque Burnier, onde ocorreram as maiores perdas.

Miguel Felippe enfatiza a necessidade de conscientização e planos de contingência, inspirados em modelos como o japonês, onde comunidades treinam rotas de fuga.

Soluções para resiliência urbana

Engenheiro Matheus Martins, da UFRJ, sugere pôlderes para áreas inundáveis, parques permeáveis e solos com maior infiltração, retendo 90% da água em florestas contra 10% em áreas urbanizadas. Juiz de Fora planeja obras de macrodrenagem, mas atrasos persistem.

O Cemaden emitirá alertas prévios sobre riscos em encostas, mas ações paliativas prevalecerão. A prefeita Margarida Salomão decretou calamidade pública, suspendendo aulas e mobilizando resgates com bombeiros e cães.

Para o futuro, políticas integradas contra o aquecimento global incluem monitoramento constante, educação ambiental e controle de ocupações irregulares. Previsões indicam chuvas intensas até 27 de fevereiro, elevando alertas.

Os impactos práticos afetam infraestrutura, com pontes fechadas e vias bloqueadas, demandando reconstrução rápida. Populações vulneráveis enfrentam maior dificuldade de recuperação, reforçando desigualdades socioeconômicas.

Especialistas preveem mais eventos extremos, tornando urgente uma agenda climática nacional. Medidas como sirenes, rotas de evacuação e verbas adequadas podem mitigar futuras tragédias ligadas ao aquecimento global.

  • Cortes em verbas de defesa civil: de R$ 135 mi para R$ 6 mi.
  • Podas e parques como soluções de engenharia.
  • Alertas do Cemaden ignorados em áreas conhecidas de risco.
  • Conscientização comunitária essencial para resiliência.

Consequências e perspectivas

O desastre expõe vulnerabilidades de cidades em relevo acidentado, onde o aquecimento global agrava fenômenos naturais. Reconstrução exige priorizar prevenção, com investimentos em drenagem e realocação de famílias.

Governos federal, estadual e municipal devem coordenar esforços, cumprindo acordos climáticos internacionais. Sem isso, eventos semelhantes se repetirão, com custos humanos e econômicos crescentes.

A tragédia em Juiz de Fora serve de alerta para o Brasil, impulsionando debates sobre adaptação climática. Comunidades resilientes dependem de ações concretas agora, antes de novas chuvas.

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