STF decide sobre suspensão de penduricalhos determinada por Flávio Dino.
(Imagem: Marcello Casal Jr/ Agência Brasil)
O Supremo Tribunal Federal (STF) inicia nesta quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026, o julgamento da decisão monocrática do ministro Flávio Dino, que suspendeu o pagamento de penduricalhos nos Três Poderes.
Esses benefícios, somados aos salários, frequentemente ultrapassam o teto constitucional de R$ 46,3 mil, equivalente ao subsídio de um ministro do STF. A liminar, proferida em 5 de fevereiro, dá prazo de 60 dias para revisão e suspensão das verbas indenizatórias sem previsão legal.
Dino argumentou que muitos penduricalhos são usados indevidamente para inflar remunerações, violando a Constituição. A medida vale para União, estados e municípios, abrangendo Judiciário, Legislativo e Executivo.
O que são penduricalhos
Os penduricalhos englobam gratificações, auxílios e verbas indenizatórias adicionais à remuneração base de servidores públicos e magistrados. Em teoria, compensam despesas ou esforços extras, mas na prática permitem superar o teto remuneratório.
Exemplos comuns incluem gratificação de acervo processual, paga por acumular muitos processos; gratificação por acúmulo de funções, mesmo na mesma jornada; e auxílios como locomoção e combustível, muitas vezes sem comprovação de uso.
- Gratificação de acervo processual recompensa volume de trabalho acumulado.
- Auxílio-locomoção cobre supostos deslocamentos com veículo próprio.
- Verbas sem lei específica representam cerca de um terço do total pago.
Estima-se que apenas um terço dos penduricalhos careça de amparo legal, mas o impacto acumulado é significativo nos cofres públicos e na igualdade salarial.
Contexto da decisão de Dino
A liminar surgiu de ações de associações de servidores, mas Dino reverteu o entendimento para reforçar o teto. Ele cobrou do Congresso uma lei específica para regulamentar exceções, evitando interpretações abusivas.
Após a decisão, entidades representando juízes, promotores, defensores e tribunais de contas recorreram ao STF para manter os pagamentos. O presidente Edson Fachin pautou o tema para sessão presencial, atendendo pedido do próprio Dino.
O julgamento ocorre em meio a discussões sobre gastos públicos, com críticas à distorção salarial no serviço público. Especialistas apontam que a medida pode limitar abusos, mas exige clareza sobre o que é indenizatório de verdade.
Acordo para regra de transição
Na véspera do julgamento, STF e cúpula do Congresso fecharam acordo para criar regras de transição. Presidentes Edson Fachin, Hugo Motta (Câmara), Davi Alcolumbre (Senado) e Vital do Rego (TCU) se reuniram e decidiram formular proposta nos próximos dias.
A iniciativa respeita o teto constitucional, mas busca mitigar impactos abruptos em carreiras consolidadas. A CNN apurou que o encontro foi convocado por Fachin, sinalizando busca por consenso antes da decisão plenária.
- Reunião ocorreu na terça-feira, 24 de fevereiro.
- Proposta prioriza limites ao teto de R$ 46,3 mil.
- Julgamento segue mantido na pauta desta quarta.
Essa articulação pode influenciar o voto dos ministros, equilibrando legalidade e transição gradual para os penduricalhos.
Impactos práticos da suspensão
Caso confirmada, a decisão afeta milhares de servidores, reduzindo rendas acima do teto e liberando recursos para investimentos públicos. Estados e municípios terão de auditar pagamentos, com risco de devoluções em casos de irregularidades.
Para o contribuinte, significa economia em folha de pagamento, mas gera tensão com categorias que veem os benefícios como direitos adquiridos. Analistas preveem judicialização prolongada se o plenário mantiver a liminar.
No longo prazo, uma lei federal pode uniformizar regras, acabando com disparidades regionais nos penduricalhos. Isso fortalece a transparência e a accountability no serviço público brasileiro.
O que esperar do julgamento
O plenário decidirá se ratifica, modifica ou derruba a liminar de Dino. Com 11 ministros, o resultado depende de interpretações sobre o que constitui verba indenizatória legal.
Se mantida, os 60 dias correm a partir de fevereiro, pressionando órgãos por adequações rápidas. Uma regra de transição aprovada pelo Congresso poderia suavizar efeitos, como redução gradual dos valores extrateto.
O desfecho reforça o compromisso com o teto constitucional, criado para conter privilégios. Monitorar o julgamento é essencial para entender rumos da remuneração pública no Brasil.
Os penduricalhos expõem dilemas crônicos da administração: equilíbrio entre motivação profissional e responsabilidade fiscal. A decisão do STF pode marcar virada para maior austeridade.