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Política

Fachin rebate relatório dos EUA e defende limites à liberdade de expressão

Edson Fachin contesta relatório dos EUA sobre censura, afirmando que a liberdade de expressão não é um salvo-conduto para ataques à democracia brasileira.

03 abr 2026 - 10h35 Joice Gomes
Fachin rebate relatório dos EUA e defende limites à liberdade de expressão O presidente do STF, Edson Fachin, defendeu as decisões da Corte contra ataques democráticos em nota oficial. (Imagem: gerado por IA)

O embate entre o Judiciário brasileiro e setores do Legislativo norte-americano ganhou um novo capítulo nesta quinta-feira (2). O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, reagiu publicamente às conclusões de um relatório do Comitê Judiciário da Câmara dos Estados Unidos, que acusa a Corte brasileira de promover censura contra plataformas digitais.

O documento, elaborado por parlamentares alinhados ao ex-presidente Donald Trump, direciona críticas severas à atuação do ministro Alexandre de Moraes. Segundo o relatório, ordens de suspensão de perfis nas redes sociais pertencentes a brasileiros residentes nos EUA configurariam uma violação direta à liberdade de expressão em solo estrangeiro.

Em nota oficial, Fachin classificou as alegações como fundamentadas em "caracterizações distorcidas". Para o presidente da Corte, o relatório falha ao interpretar a natureza e o real alcance das decisões tomadas para proteger as instituições democráticas brasileiras de ataques coordenados no ambiente digital.

A liberdade de expressão e o rigor da lei

Fachin foi enfático ao pontuar que, embora o ordenamento jurídico do Brasil proteja a liberdade de expressão como um direito preferencial, ele não possui caráter absoluto. A manifestação do pensamento encontra limites claros quando entra em rota de colisão com a preservação de outros direitos fundamentais e a própria segurança do Estado.

O ministro destacou que o direito de se expressar não pode ser usado para camuflar o cometimento de crimes. Nesse cenário, as ações de Moraes são apresentadas como medidas necessárias dentro de investigações sobre milícias digitais, acusadas de orquestrar ataques às instituições e tentativas de golpe de Estado no país.

Ao concluir sua defesa, o presidente do STF lembrou que a Constituição de 1988 só admite restrições excepcionais a esse direito. No entanto, em casos de crimes tipificados em lei e ameaças diretas à ordem democrática, o Judiciário tem o dever institucional de intervir para garantir a estabilidade e o cumprimento da legislação vigente.

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