Representação editorial da participação de jovens quilombolas no processo eleitoral brasileiro.
(Imagem: gerado por IA)
O número de eleitoras e eleitores que se autodeclaram quilombolas praticamente dobrou no Brasil entre as eleições de 2024 e 2026. Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o contingente passou de 95.409 para 188.371 pessoas, crescimento de 97% em dois anos.
O avanço aparece também entre jovens que terão contato com as urnas pela primeira vez e enxergam o voto como instrumento de participação política, defesa de direitos e atenção às demandas das comunidades tradicionais. O primeiro turno das Eleições 2026 está marcado para 4 de outubro.
Um dos exemplos citados na reportagem da Agência Brasil é o da estudante Thauany Silva, de 16 anos, moradora da comunidade quilombola de Antinha de Baixo, em Santo Antônio do Descoberto, Goiás. Ela participará pela primeira vez de uma eleição e pretende ir votar acompanhada do avô, Joaquim Moreira, de 87 anos.
Ao relatar a expectativa pela estreia nas urnas, a jovem associa o voto à responsabilidade com o futuro e à possibilidade de influenciar decisões que afetam sua comunidade. A mãe, Mayara Silva, afirma que orienta os filhos a acompanhar a política por entender que decisões públicas interferem diretamente no cotidiano dos territórios quilombolas.
Nordeste concentra mais da metade do eleitorado quilombola
O crescimento do eleitorado quilombola ocorre em diferentes regiões do país. No Nordeste, onde está a maior concentração, o número passou de 51.633 eleitores em 2024 para 95.901 em 2026, mais da metade do total nacional, de acordo com o TSE.
Na Bahia, a universitária de Direito Franciele Silva, de 27 anos, moradora da comunidade Rio dos Macacos, em Simões Filho, afirma que a participação eleitoral se conecta à defesa de direitos e do território. Desde que ingressou na Universidade Federal da Bahia (UFBA), ela diz ter ampliado o compartilhamento de informações com moradores sobre instrumentos de proteção da comunidade.
Participação política e defesa de direitos
A pesquisadora Bia Nunes, da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq), avalia que o aumento da participação está relacionado à maior visibilidade das pautas quilombolas e à ampliação da conscientização política nos territórios.
Segundo ela, temas como proteção ambiental, titulação de territórios, acesso a políticas públicas e segurança das comunidades fazem parte das discussões que ajudam a aproximar a população do processo eleitoral. A pesquisadora também considera essencial ampliar o engajamento dos jovens e a presença de pessoas quilombolas tanto como eleitoras quanto como candidatas.
Outro ponto destacado é o combate à desinformação. Rafael Costa, educador de alfabetização financeira da comunidade Mesquita, na Cidade Ocidental, também em Goiás, avalia que o interesse por participação e representatividade cresce à medida que as pessoas buscam mais informação sobre direitos, políticas públicas e decisões que afetam seus modos de vida.
Voto aos 16 e 17 anos é facultativo
Nas Eleições 2026, jovens que tenham completado 16 anos até 4 de outubro podem votar desde que tenham feito o alistamento eleitoral dentro do prazo legal. Para pessoas de 16 e 17 anos, tanto o alistamento quanto o voto são facultativos.
O primeiro turno será realizado em 4 de outubro. Um eventual segundo turno para presidente e governadores está previsto para 25 de outubro, conforme o calendário definido pela Justiça Eleitoral.
Os dados sobre pertencimento a comunidades quilombolas são autodeclarados e passaram a ser coletados pela Justiça Eleitoral em 2022. O aumento registrado em 2026, portanto, também reflete a ampliação dessas informações no cadastro eleitoral.