Nova vacina Pneumo 20 substitui a versão anterior e amplia proteção gratuita nas UBS de todo o Brasil.
(Imagem: gerado por IA)
Uma das atualizações mais aguardadas no calendário de imunização brasileiro finalmente tem data para chegar aos postos. A partir da segunda quinzena de junho, o Sistema Único de Saúde (SUS) começa a oferecer a vacina Pneumocócica 20-valente (Pneumo 20) para crianças de até cinco anos. O anúncio, feito pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, marca um salto significativo na proteção contra bactérias que causam doenças fatais como pneumonia, meningite e sepse.
Até então, a rede pública oferecia a versão 10-valente. A transição para a Pneumo 20 não é apenas uma mudança de nomenclatura; na prática, o novo imunizante dobra o número de sorotipos da bactéria Streptococcus pneumoniae combatidos pelo organismo. Isso é crucial porque a doença pneumocócica é apontada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como a principal causa de mortalidade infantil por enfermidades que poderiam ser evitadas com vacinas.
Economia para as famílias e maior cobertura
Para os pais e responsáveis, a novidade traz um alívio não apenas para a saúde, mas também para o bolso. Desde o ano passado, a Pneumo 20 já estava disponível em clínicas particulares, porém com um custo elevado: cada dose pode ultrapassar os R$ 500. Agora, com a incorporação ao SUS, o acesso se torna universal e gratuito em todas as Unidades Básicas de Saúde (UBS) do país.
A distribuição das primeiras 514 mil doses já foi iniciada pelo Ministério da Saúde. O cronograma prevê que a vacinação comece efetivamente assim que os estados concluírem o repasse aos municípios, com a expectativa de que os postos estejam abastecidos a partir do dia 15 de junho. Ao todo, o governo federal planeja disponibilizar mais de 6 milhões de doses ainda em 2024.
Por que a mudança é necessária agora?
O reforço na proteção vem em um momento estratégico. Dados da vigilância epidemiológica mostram que, embora a vacina anterior (VPC10) tenha reduzido drasticamente os casos desde 2010, houve um aumento recente nas notificações de meningite pneumocócica. Entre 2022 e 2024, a média anual de casos em crianças subiu para 211, contra 164 registrados nos anos anteriores.
O diferencial da Pneumo 20 é que ela protege contra os sorotipos 3, 6A e 19A, justamente os que mais têm causado internações graves e que não estavam cobertos pela versão anterior. Além de evitar mortes e sequelas neurológicas da meningite, a vacina é uma ferramenta poderosa contra a otite média, uma inflamação que, se recorrente, pode levar à perda auditiva definitiva na infância.
Como fica o esquema de vacinação?
Para garantir que nenhuma criança fique desprotegida durante a troca dos estoques, o Ministério da Saúde estabeleceu um esquema de transição. Os pais devem ficar atentos à caderneta de vacinação:
- Aos 2 meses: A criança recebe a primeira dose da nova Pneumo 20.
- Aos 4 meses: É aplicada uma dose da Pneumo 10 (até o fim dos estoques).
- Aos 12 meses: O reforço é feito obrigatoriamente com a Pneumo 20.
Após o esgotamento total das doses da Pneumo 10, o SUS passará a utilizar exclusivamente a versão 20-valente em todas as etapas do calendário infantil. Além das crianças menores de 5 anos, outros grupos também têm direito ao novo imunizante, como populações indígenas, idosos acamados ou institucionalizados e pessoas com condições clínicas especiais acompanhadas pelos Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais (CRIE).
Compromisso com a saúde pública
A incorporação da Pneumo 20 é o quarto novo imunizante voltado ao público infantil na atual gestão. O ministro Padilha reforçou que a medida faz parte de um esforço para recuperar as coberturas vacinais, que sofreram quedas acentuadas nos últimos anos. Atualmente, a cobertura do esquema básico contra pneumococo está em torno de 93%, aproximando-se da meta ideal para garantir a imunidade coletiva e evitar surtos locais.