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Saúde

Quedas e queimaduras lideram internações infantis; distração com celular acende alerta

Quedas e queimaduras lideram internações de crianças de até 14 anos no Brasil, impulsionadas pela desatenção de cuidadores e uso de telas.

29 ago 2026 - 12h35 Joice Gomes   atualizado às 12h42
Quedas e queimaduras lideram internações infantis; distração com celular acende alerta Ambientes domésticos exigem adaptações rigorosas para evitar acidentes graves com crianças. (Imagem: gerado por IA)

A rotina acelerada e a onipresença das telas trouxeram um efeito colateral silencioso e preocupante para dentro dos lares brasileiros. Em 2025, o ambiente doméstico se confirmou como o cenário mais desafiador para a integridade de crianças e adolescentes de até 14 anos. Quedas e queimaduras despontaram como os principais fatores que levaram dezenas de milhares de jovens aos leitos dos hospitais públicos do país.

Um novo levantamento do Projeto Criança Segura, iniciativa liderada pela ONG Aldeias Infantis SOS, aponta que mais de 90% desses acidentes poderiam ser evitados com mudanças simples de comportamento e adaptações físicas nos lares. A desatenção de cuidadores, muitas vezes dispersos pelo uso excessivo de celulares, tornou-se o principal catalisador para esse crescimento nos registros do Sistema Único de Saúde (SUS).

O raio-x das internações pediátricas por acidentes

Os números brutos, extraídos diretamente do DataSUS, banco de dados oficial gerenciado pelo Ministério da Saúde, são contundentes. Do total de 162 mil internações de crianças e adolescentes por motivos acidentais em 2025, o Projeto Criança Segura mapeou detalhadamente 128,5 mil hospitalizações.

Desse grupo específico, as quedas lideram com folga, somando mais de 55 mil casos, o que representa 43,4% do total analisado. Em segundo lugar aparecem as queimaduras, responsáveis por enviar mais de 25 mil meninos e meninas para o hospital, totalizando 19,6%. Ao todo, o Brasil registra uma média assustadora de 10,7 mil crianças hospitalizadas por acidentes a cada mês.

Disparidades regionais revelam realidades distintas

Em termos absolutos, os estados mais populosos lideram o ranking de internações. São Paulo registrou 19.837 casos (15,4%), seguido por Minas Gerais com 12.183 (9,5%) e Paraná com 10.708 (8,3%). Na outra ponta, os menores volumes absolutos ficaram com Amapá (468), Roraima (543) e Sergipe (297).

No entanto, ao analisar a taxa de hospitalizações proporcional à população por 100 mil habitantes, o cenário muda drasticamente. O Pará desponta com a pior taxa do país, registrando 120 internações por 100 mil habitantes. Na sequência, aparecem Tocantins (113) e Maranhão (102). O Rio de Janeiro, com 43 internações por 100 mil, Rio Grande do Norte (39) e Sergipe (13) apresentam as melhores médias proporcionais.

Crescimento contínuo de casos evitáveis e novos riscos

A análise histórica revela que as internações na faixa etária pediátrica estão em uma escalada preocupante. Em 2024, houve um incremento de 2,2% nos acidentes em relação ao ano anterior. Já em 2025, a alta foi ainda mais expressiva: 5,4% na comparação com 2024. No acumulado do triênio, de 2023 a 2025, o avanço foi de 7,7%, representando mais de 9,2 mil novas hospitalizações.

Além das quedas e queimaduras, outros perigos silenciosos apresentaram saltos expressivos entre 2024 e 2025. Os casos de intoxicação dispararam 19,7%, afetando principalmente crianças de 1 a 4 anos (37,7% das ocorrências desta categoria) e de 5 a 9 anos (31,2%). O sufocamento cresceu 10,8%, enquanto as queimaduras subiram 7,4%.

A única nota positiva do relatório reside na queda de 13,6% nas internações decorrentes de acidentes com armas de fogo, mantendo uma tendência de queda observada nos últimos anos. Os sinistros de trânsito também preocupam, ocupando a terceira colocação geral com 12,6 mil ocorrências (9,9%), concentradas sobretudo na faixa entre 10 e 14 anos de idade.

O fator celular e o desafio da prevenção ativa

A pesquisa ressalta que o aumento dos índices coincide com um fator comportamental contemporâneo: a distração digital. Especialistas alertam que bastam poucos segundos de desatenção para que uma criança acesse a área da cozinha, puxe o cabo de uma panela quente ou sofra uma queda de uma janela ou escada desprotegida.

Para conter essa tendência nos próximos anos, médicos e pedagogos reforçam a urgência de políticas públicas focadas em educação preventiva, além da instalação física de redes de proteção, limitadores de portas, e o armazenamento correto de produtos químicos e inflamáveis fora do alcance dos pequenos. O futuro da saúde infantil depende diretamente de lares redesenhados para a segurança ativa.

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