São Vicente formalizou em 30 de outubro o contrato de comodato que permitirá à Prefeitura administrar por 30 anos o novo Complexo Materno-Infantil, instalado na Avenida Capitão-Mor Aguiar, no Centro. A estrutura tem 7.700 metros quadrados, construção avaliada em R$ 80 milhões e previsão de mais de 90 leitos, incluindo terapia intensiva neonatal e internação pediátrica. O acordo foi firmado com a Fundação Lusíada, responsável pelo custeio integral da obra, e representa a transferência da gestão do equipamento à rede municipal.

O anúncio reúne três dimensões que precisam ser diferenciadas: a cessão do imóvel por três décadas, a preparação dos recursos humanos e a futura abertura dos serviços. A assinatura do comodato formaliza a primeira etapa; a convocação de profissionais dá início à composição do quadro; mas a Prefeitura não informou, no comunicado, uma data para começar a receber pacientes. Portanto, a existência do prédio e a assinatura do contrato não significam que o hospital já esteja em funcionamento.

Como será a estrutura do hospital materno-infantil

O complexo está projetado para atender gestantes desde o pré-natal e oferecer assistência materna e infantil, com leitos de internação pediátrica e UTI neonatal. A administração municipal estima que a unidade poderá ampliar em mais de 40% a cobertura de atendimentos do município. Esse percentual é uma projeção divulgada pela Prefeitura, e não um resultado já alcançado: o impacto real dependerá da capacidade instalada efetivamente ativada, dos serviços disponíveis e do fluxo de encaminhamento da rede de saúde.

O prédio possui 7.700 m² e foi avaliado em R$ 80 milhões. Segundo a Prefeitura, a Fundação Lusíada custeou integralmente a construção. Como contrapartida prevista no acordo, o hospital também funcionará como campo de estágio para estudantes da universidade. O comodato tem prazo de 30 anos, período em que a gestão ficará sob responsabilidade municipal, conforme os termos divulgados pelas partes.

Convocação de 81 aprovados é etapa de montagem da equipe

Durante a formalização do contrato, a Prefeitura anunciou a convocação de 81 profissionais aprovados em concurso público para trabalhar no complexo. A relação inclui 42 técnicos de enfermagem, 17 assistentes-técnicos de gestão, oito fisioterapeutas, cinco técnicos de farmácia, quatro técnicos de laboratório, três técnicos de radiologia e dois farmacêuticos.

A lista soma 81 convocados e mostra a composição inicial anunciada para diferentes áreas de apoio e assistência. Os profissionais receberão notificações por e-mail e WhatsApp com orientações sobre os procedimentos necessários para o preenchimento das vagas. A convocação, porém, não informa por si só quantos profissionais ainda serão necessários para completar o quadro previsto de mais de 420 trabalhadores mencionado no projeto, nem esclarece o cronograma de contratação de todas as funções.

O que falta para o atendimento começar

Para que o complexo passe da etapa de implantação à assistência regular, ainda é necessário concluir os procedimentos administrativos e operacionais próprios da abertura de uma unidade hospitalar, incluindo organização das equipes, definição dos fluxos assistenciais e disponibilização dos serviços. A comunicação oficial consultada não apresenta calendário detalhado dessas etapas, nem data de inauguração ou início de atendimento.

O complexo integra o programa Nova Saúde São Vicente, que a Prefeitura descreve como iniciativa de reestruturação e modernização da rede municipal. Entre as entregas citadas pela administração estão o Hospital do Vicentino, o Pronto-Socorro do Rio Branco, o Centro de Especialidades Médicas e reformas em 23 unidades básicas de saúde. A nova unidade materno-infantil acrescenta uma estrutura de maior porte à rede, mas sua contribuição efetiva só poderá ser avaliada depois da abertura e da divulgação de dados de produção, ocupação dos leitos e atendimentos realizados.

Até que o município publique orientações de funcionamento, gestantes e famílias devem continuar buscando os serviços pelos canais oficiais e unidades que já integram a rede municipal. A Prefeitura ainda precisa informar a data de início das atividades, os critérios de acesso, os serviços que estarão disponíveis na abertura e como será feita a integração do complexo com as unidades básicas e os serviços de urgência.