O Ministério da Saúde trabalha com a possibilidade de aumento de 20% a 40% nos casos de dengue em 2027, diante da combinação entre condições climáticas associadas ao El Niño e mudanças na circulação dos sorotipos do vírus. O ministro Alexandre Padilha também manifestou expectativa de que a vacina Butantan-DV volte a ser utilizada no Sistema Único de Saúde (SUS), mas a retomada depende da conclusão das análises de segurança conduzidas com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Os percentuais são projeções, não uma contagem de casos já registrados nem uma previsão uniforme para todos os municípios. A intensidade da transmissão pode variar conforme chuva, temperatura, presença do mosquito, imunidade da população e ações de prevenção. Na Baixada Santista, o acompanhamento dos boletins municipais continua essencial para avaliar o cenário local.

Por que 2027 pode registrar mais dengue

O El Niño pode alterar padrões de temperatura e precipitação, criando condições favoráveis à proliferação do Aedes aegypti em determinadas regiões. O Ministério também considera a dinâmica epidemiológica da doença após a redução de casos nos últimos dois anos. A menor circulação de determinados sorotipos pode deixar parte da população mais suscetível a novas infecções.

Não há relação automática entre El Niño e aumento de dengue em todas as cidades. Os efeitos climáticos variam regionalmente e dependem da existência de criadouros e da resposta dos serviços de saúde e vigilância. Por isso, a estimativa nacional deve orientar a preparação, mas não substituir avaliações locais.

Por que a vacina do Butantan foi suspensa

Em junho de 2026, o Ministério da Saúde interrompeu temporariamente a estratégia de aplicação da Butantan-DV após a identificação de 42 notificações com sinais de alerta em aproximadamente 501 mil pessoas vacinadas. Entre os registros, três foram classificados como graves, incluindo dois óbitos. A ocorrência temporal após a vacinação não comprova, por si só, que o imunizante tenha causado esses desfechos.

A suspensão foi adotada por precaução para permitir investigação aprofundada dos eventos e avaliação do perfil de segurança. O Ministério e o Instituto Butantan ressaltaram que a medida não invalida automaticamente os resultados de eficácia observados nos estudos clínicos. O registro sanitário e a decisão sobre a estratégia de aplicação são questões diferentes.

Quando a Butantan-DV poderá voltar ao SUS

Não existe data oficial confirmada para a retomada. O ministro expressou o desejo de que a vacina possa voltar a ser utilizada em 2027, mas a decisão dependerá das conclusões técnicas e das orientações da Anvisa e do Ministério da Saúde. A expectativa não deve ser tratada como autorização já concedida.

A Butantan-DV foi desenvolvida para aplicação em dose única, característica que pode facilitar campanhas de imunização. A disponibilidade de doses, porém, só poderá ser incorporada ao planejamento do SUS depois da definição regulatória e operacional sobre seu uso.

Qual vacina contra dengue está disponível atualmente

Enquanto a estratégia com a Butantan-DV permanece interrompida, o SUS segue utilizando a Qdenga, conforme os grupos prioritários estabelecidos pelo Programa Nacional de Imunizações. A oferta pública está direcionada a crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, de acordo com a disponibilidade e as regras vigentes.

A Qdenga exige duas doses, com intervalo de três meses. Pessoas elegíveis devem procurar a unidade de saúde e verificar o calendário de vacinação. Quem já recebeu a primeira dose deve seguir as orientações para completar o esquema, salvo recomendação médica específica.

Prevenção continua fundamental

A vacinação é uma ferramenta de proteção, mas não substitui o combate aos criadouros do Aedes aegypti. Moradores devem eliminar recipientes que acumulam água, manter caixas-d'água vedadas, limpar calhas e observar quintais, lajes e áreas comuns. A prevenção depende também de ações de fiscalização e saneamento.

Febre alta, dor no corpo, dor atrás dos olhos e mal-estar podem indicar dengue. Dor abdominal intensa, vômitos persistentes, sangramentos, tontura ou sinais de desidratação exigem avaliação médica imediata. A automedicação com anti-inflamatórios pode representar risco em casos suspeitos.

Preparação para a próxima temporada

A projeção de aumento de casos reforça a necessidade de planejamento antecipado de vigilância, assistência e controle do mosquito. Municípios precisam monitorar indicadores, orientar a população e preparar a rede para possíveis períodos de maior procura por atendimento.

O Ministério da Saúde pretende avançar na análise da Butantan-DV, mas a segurança dos pacientes permanece condição indispensável para qualquer retomada. Até lá, o enfrentamento da dengue depende da vacinação disponível, da eliminação de criadouros e do reconhecimento rápido dos sinais de gravidade.