O uso do suporte é permitido, mas tocar na tela com o carro em movimento é infração gravíssima.
(Imagem: gerado por IA)
O que parece ser um gesto inofensivo e rotineiro para milhões de motoristas brasileiros está sob a mira rigorosa da fiscalização: o manuseio do celular enquanto o aparelho está acoplado ao suporte no para-brisa ou painel. A famosa "olhadinha" ou o ajuste rápido na rota do GPS com o veículo em movimento pode custar caro, resultando em uma multa gravíssima e na perda de 7 pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH).
É fundamental que o condutor entenda a distinção feita pela legislação. O uso de suportes de plástico ou silicone para fixar o dispositivo é totalmente legalizado e recomendado para quem utiliza aplicativos de navegação. No entanto, o Código de Trânsito Brasileiro (CTB) é explícito ao proibir que o motorista toque ou manuseie o aparelho enquanto dirige. A regra vale inclusive para momentos de parada temporária, como em semáforos ou congestionamentos, situações em que muitos acreditam estar imunes à autuação.
A linha tênue entre conveniência e infração
A infração ocorre no momento em que o condutor retira uma das mãos do volante para interagir com o dispositivo. Segundo o Artigo 252 do CTB, dirigir o veículo manuseando telefone celular é uma falta gravíssima. O impacto financeiro é de R$ 293,47, mas o maior risco reside na pontuação: 7 pontos de uma só vez na carteira, o que pode acelerar o processo de suspensão do direito de dirigir para motoristas que já possuem outros registros.
Especialistas em segurança viária alertam que o rigor na fiscalização tende a aumentar significativamente nos próximos meses e ao longo de 2026, com o auxílio de câmeras de alta definição capazes de identificar o manuseio interno do veículo. O objetivo principal não é a arrecadação, mas o combate à distração, que já se consolidou como uma das principais causas de acidentes graves no Brasil.
Como utilizar o GPS sem riscos
Para evitar problemas com a lei e garantir a segurança, a recomendação dos órgãos de trânsito é que toda a configuração do trajeto seja realizada antes de dar a partida no motor. Caso seja necessário alterar o destino ou buscar um novo ponto de interesse durante o percurso, o motorista deve obrigatoriamente encostar o veículo em um local permitido.
Sistemas de comando de voz e a integração com centrais multimídia (como Android Auto e Apple CarPlay) são as alternativas mais seguras, pois permitem a operação de funções essenciais sem que o motorista desvie o olhar da via ou tire as mãos da direção. Vale lembrar que o uso de fones de ouvido conectados ao celular também é proibido pela legislação de trânsito.
O perigo da distração visual
Além das consequências administrativas, o fator segurança é alarmante. Estudos indicam que uma simples olhada de dois segundos para a tela do celular, a uma velocidade de 60 km/h, equivale a dirigir cerca de 33 metros sem qualquer visibilidade do que ocorre à frente. Essa lacuna de atenção é suficiente para causar atropelamentos ou colisões traseiras.
A tendência para os próximos anos é de tolerância zero com o uso do celular ao volante. Portanto, o suporte deve servir apenas como uma base de visualização passiva. O toque, por mais breve que seja, deve ser evitado para preservar a segurança de todos e a regularidade do documento de habilitação.