A Sabesp falhou, demorou a identificar o problema e não respondeu à altura da gravidade da situação.
(Imagem: Reprodução/Agência Brasil)
Ilhabela vive uma crise no abastecimento de água que já dura mais de uma semana e põe a paciência dos moradores à prova em plena temporada de verão. O problema, concentrado principalmente na região norte do arquipélago, fez o prefeito Toninho Colucci adotar uma postura mais dura contra a Sabesp e acionar órgãos estaduais de controle e fiscalização.
Sete dias sem água em plena temporada
Desde o Natal, moradores da região norte relatam interrupções constantes no fornecimento, um problema que se agravou nos últimos dias sob o calor intenso e o aumento repentino da demanda causado pelo movimento turístico típico do verão no litoral norte paulista. O resultado tem sido torneiras secas, altas temperaturas e muita indignação.
“Água é um direito básico. Sete dias consecutivos sem abastecimento na região norte são inaceitáveis. A Sabesp falhou, demorou a identificar o problema e não respondeu à altura da gravidade da situação”, afirmou o prefeito Toninho Colucci em pronunciamento nesta semana.
Segundo ele, o município vinha alertando a concessionária há meses sobre riscos de desabastecimento na alta temporada, mas as medidas preventivas prometidas não saíram do papel. O alerta oficial, enviado ainda em 2025 por meio do Ofício nº 226/2025, já previa a possibilidade de colapso hídrico durante a Operação Verão 2025/2026.
Arsesp é acionada para apurar responsabilidades
Diante do agravamento da crise, a Prefeitura de Ilhabela protocolou um novo ofício na Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo (Arsesp), pedindo a abertura de um processo administrativo contra a Sabesp. O documento relata uma sequência de ocorrências que, segundo a gestão municipal, configuram falhas graves na execução de um serviço essencial.
Entre os apontamentos estão o desabastecimento prolongado, a demora na adoção de medidas emergenciais, problemas no sistema operacional, falhas de comunicação com a população e o descumprimento de alertas prévios emitidos pelo próprio município.
A expectativa da prefeitura é que a Arsesp avalie a conduta da Sabesp e, se necessário, aplique penalidades à empresa, que é responsável pelo abastecimento de Ilhabela e outras cidades do litoral norte. Colucci afirmou que não se trata de uma disputa política, mas de uma questão de responsabilidade e respeito aos direitos básicos da população.
Governo do Estado entra na cobrança
Além da ação junto à Arsesp, o prefeito informou que também acionou o governador Tarcísio de Freitas e a secretária estadual de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística, Natália Resende, pedindo intervenção direta do governo estadual para garantir medidas urgentes e duradouras.
“Não basta prometer, é preciso agir. Estamos em plena alta temporada, com milhares de turistas na cidade, e os moradores não podem continuar sofrendo com um serviço essencial que simplesmente não funciona”, criticou Colucci. Ele reafirmou que continuará cobrando soluções concretas e acompanhamento de perto da situação.
Prefeitura tenta mitigar efeitos do desabastecimento
Enquanto pressiona a Sabesp e busca soluções com o Estado, a Prefeitura de Ilhabela tem tomado medidas emergenciais para reduzir os impactos na rotina dos moradores. No último fim de semana, o Fundo Social de Solidariedade distribuiu cerca de 500 galões de água potável à população afetada. Caminhões-pipa também foram acionados para atender os pontos mais críticos.
Apesar do esforço, o problema está longe de resolvido. Moradores e comerciantes se queixam das perdas econômicas e dos transtornos diários. Em bairros como Pedra do Sino, Siriúba e Pacuíba, famílias relatam depender de baldes e garrafões para as tarefas básicas, enquanto pousadas e restaurantes improvisam soluções para não interromper o funcionamento.
Clima tenso e expectativa de punição
Nas redes sociais, o assunto tem gerado grande repercussão. Publicações que cobram uma resposta firme da Sabesp acumulam milhares de comentários e compartilhamentos, refletindo o desgaste da empresa junto à população local. A promessa da Prefeitura de “seguir fiscalizando e defendendo os interesses dos moradores” tem recebido apoio, mas também impaciência, todos querem saber quando o fornecimento será normalizado.
Colucci enfatiza que a cidade não aceitará mais desculpas e exige plano de contingência imediato. “Vamos continuar acompanhando, cobrando e denunciando todas as falhas. Ilhabela não pode mais ficar refém da ineficiência da Sabesp”, concluiu o prefeito.
O caso reforça o alerta de que o abastecimento de água no litoral norte enfrenta desafios estruturais agravados pela pressão do turismo e pela falta de planejamento das concessionárias. E com o calor aumentando e o verão apenas começando, a cobrança por soluções vai continuar crescendo, tanto nas ruas quanto nos gabinetes.