Pórtico de pedágio eletrônico instalado no Sistema Anchieta Imigrantes para cobrança automática sem cancelas.
(Imagem: Divulgação/Artesp/SAI)
Quem planejava descer para a Baixada Santista utilizando o novo sistema de cobrança eletrônica livre de barreiras terá que esperar um pouco mais. O Governo de São Paulo, por meio de uma ação conjunta entre a Secretaria de Parcerias em Investimentos (SPI) e a Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp), anunciou uma alteração no cronograma de início do funcionamento do pórtico eletrônico no Sistema Anchieta-Imigrantes (SAI).
A decisão de estender o prazo de testes reflete a complexidade técnica de implementar a tecnologia conhecida como free-flow em uma das malhas rodoviárias mais movimentadas e economicamente vitais do país. O adiamento visa garantir que a leitura de placas e etiquetas eletrônicas (tags) funcione com precisão absoluta, evitando cobranças indevidas ou falhas de processamento em momentos de pico de tráfego.
O que motivou a mudança no cronograma da Artesp
Fontes ligadas ao setor de infraestrutura apontam que o fluxo massivo de veículos pesados e de passeio que utilizam o SAI diariamente exige um nível de calibração extremamente refinado. Os sensores e câmeras de alta definição instalados nos pórticos precisam identificar dados sob condições climáticas adversas, como a densa neblina característica da região da Serra do Mar.
A SPI explicou que este período adicional de testes práticos, sem cobrança efetiva aos usuários, servirá para homologar os sistemas de retaguarda da concessionária Ecovias, que administra o trecho. O objetivo primordial é mitigar o risco de contestações judiciais e administrativas logo nas primeiras semanas de operação comercial do sistema.
Como funcionará o pedágio sem cancela no litoral paulista
O conceito do free-flow elimina as tradicionais praças de pedágio com barreiras físicas. Em vez disso, estruturas metálicas em formato de pórtico são posicionadas ao longo da rodovia. Elas são equipadas com antenas de radiofrequência e câmeras com tecnologia OCR (reconhecimento óptico de caracteres).
Para o motorista que já possui uma tag ativa no para-brisa (como Sem Parar, ConectCar ou Veloe), o valor correspondente ao trecho percorrido é debitado automaticamente na fatura, sem necessidade de redução drástica de velocidade. Já quem não utiliza o dispositivo terá um prazo determinado pelas novas regulamentações para efetuar o pagamento de forma digital, sob pena de cometer infração grave de trânsito por evasão de pedágio.
Impacto econômico e fluidez do trânsito na Baixada Santista
A substituição do modelo convencional de arrecadação pelo eletrônico é vista por engenheiros de tráfego como o principal passo para solucionar os crônicos congestionamentos nos acessos a Santos, São Vicente e Guarujá. A eliminação das paradas obrigatórias promete reduzir sensivelmente o tempo de viagem, especialmente em feriados prolongados e durante a temporada de verão.
Além da economia de tempo, o sistema traz benefícios logísticos cruciais para o Porto de Santos, otimizando o transporte de cargas rodoviárias que abastecem o terminal. Menos paradas significam também menor emissão de gases poluentes e desgaste mecânico reduzido para os caminhões de grande porte.
Próximos passos e o futuro das concessões rodoviárias
O adiamento no SAI serve de laboratório para outros trechos do estado de São Paulo que devem receber a tecnologia nos próximos anos. A gestão estadual planeja universalizar o free-flow em novas concessões, transformando o pedágio por trecho percorrido no padrão regulatório paulista.
Enquanto a nova data oficial de início das cobranças não é homologada e publicada no Diário Oficial, os motoristas devem continuar utilizando os métodos tradicionais de pagamento nas praças existentes. O monitoramento contínuo dos testes indicará se a tecnologia está madura o suficiente para entrar em operação definitiva nos próximos meses.