Jabuticaba branca, fruta rara do Brasil, está ameaçada de extinção e corre risco de desaparecer em breve.
(Imagem: Reprodução/Clickpetroleoegas)
A jabuticaba branca é considerada a fruta mais rara do Brasil, uma relíquia da biodiversidade brasileira que cresce escondida em remanescentes da Mata Atlântica. Diferente da jabuticaba comum, seus frutos mantêm a casca amarelo esverdeada mesmo maduros, com polpa suculenta, doce e levemente ácida que encanta quem tem a sorte de prová-la. Seu nome tupi-guarani, "ibatinga", significa "fruta branca", revelando raízes indígenas profundas.
Essa raridade não é à toa: botânicos registraram apenas seis árvores silvestres no país, espalhadas por São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Em Guararema (SP), três exemplares resistem; em Paraty e Conceição de Macabu (RJ), mais duas; e uma em Carmo de Minas (MG). A perda de habitat pela expansão urbana e agrícola acelera o risco de extinção dessa espécie endêmica.
Nutrientes e sabor surpreendentes
A jabuticaba-branca vai além da aparência exótica: é rica em vitaminas do complexo B, vitamina C, ferro, fósforo e cálcio, oferecendo benefícios para a saúde como fortalecimento imunológico e prevenção de anemias. Seu sabor, descrito como refrescante e aveludado na boca, permite consumo in natura, em geleias ou sucos, destacando-se pela textura macia e ausência de acidez excessiva. Historicamente, folhas e frutos eram usados em chás para tratar asma e tuberculose.
- Alta concentração de antioxidantes protege contra radicais livres.
- Polpa aquosa ideal para hidratação em dias quentes.
- Baixo teor calórico, perfeita para dietas equilibradas.
Ameaças e distribuição restrita
A Mata Atlântica, bioma com apenas 12% de sua cobertura original, é o lar exclusivo da jabuticaba branca, concentrada na Serra da Mantiqueira e vales do Rio Doce. O desmatamento para agricultura e urbanização reduz drasticamente seu espaço, classificando-a como espécie rara e vulnerável. Pesquisas do início dos anos 2000 confirmam o declínio alarmante, com populações isoladas incapazes de se regenerar naturalmente.
Clima úmido e altitudes elevadas são essenciais para seu crescimento, limitando a expansão. Árvores adultas atingem até 5 metros, com flores brancas brotando diretamente no tronco na primavera, frutificando de janeiro a março. Sem intervenção, a fruta pode sumir para sempre das florestas brasileiras.
Iniciativas de preservação em ação
Entusiastas como o fotógrafo Silvestre Silva e o psicanalista Flávio Carvalho Ferraz lideram esforços em Cambuí (MG), onde cultivaram cerca de 180 mudas para distribuição a botânicos e agricultores. Essas ações visam criar populações cultivadas seguras, preservando o material genético original. Técnicas de enxertia e sementes garantem viabilidade, apesar do manejo delicado exigido pela espécie.
- Parcerias com institutos como Plantarum aceleram pesquisas.
- Distribuição de mudas para pomares domésticos amplia alcance.
- Proteção de habitats na Mata Atlântica é prioridade governamental.
Essas iniciativas representam esperança para a jabuticaba branca, transformando uma história de perda em oportunidade de conservação. A valorização cultural, com raízes indígenas e apelo gourmet, pode impulsionar o interesse público. Proteger essa fruta não salva apenas uma espécie, mas reforça a rica tapeçaria da biodiversidade nacional, alertando para outras joias em risco.
O Brasil abriga milhares de frutas nativas ameaçadas, mas casos como esse mostram que ação coletiva funciona. Consumidores e produtores podem contribuir plantando mudas em quintais ou apoiando reservas. A jabuticaba branca merece um futuro além das sombras da extinção, pronta para surpreender novas gerações com seu sabor único.