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Açaí vira fruta nacional e ganha proteção contra biopirataria

16 jan 2026 - 10h24 Joice Gomes   atualizado às 10h29
Açaí vira fruta nacional e ganha proteção contra biopirataria Reconhecimento do açaí como fruto nacional fortalece soberania e proteção jurídica. (Imagem: Divulgação/Reprodução)

O Brasil celebra mais uma vitória para sua biodiversidade. O açaí agora é oficialmente reconhecido como fruta nacional, graças à Lei 15.330, de 2026, sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e publicada no Diário Oficial da União em 8 de janeiro. A medida altera a Lei 11.675/2008, que já protege o cupuaçu, e posiciona o fruto amazônico como símbolo de identidade cultural e econômica do país.

Originário da região amazônica, o açaí como patrimônio nacional ganha barreiras jurídicas contra tentativas de apropriação estrangeira. Produtores locais, especialmente no Pará e Amazonas, respiram aliviados com essa proteção, que valoriza séculos de conhecimento tradicional das comunidades ribeirinhas.

Trajetória legislativa de 15 anos

O projeto nasceu em 2011 como PLS 2/2011, de autoria do ex-senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA). Aprovado rapidamente no Senado, tramitou na Câmara como PL 2.787/2011 e só avançou no final de 2025, culminando na sanção presidencial. Essa longa jornada reflete a importância estratégica do açaí para o país.

Defensores destacam que a lei chega em momento oportuno, com o mercado global do açaí em expansão. De menos de uma tonelada exportada em 1999, o Brasil saltou para mais de 61 mil toneladas recentemente, impulsionando a bioeconomia na Amazônia.

Enfrentando a biopirataria histórica

O principal objetivo é combater a biopirataria, prática que já prejudicou o Brasil no passado. Em 2003, uma empresa japonesa patenteou o açaí, registro cancelado apenas em 2007 após luta diplomática do governo. Casos semelhantes com o cupuaçu motivaram a legislação anterior, e agora o açaí como patrimônio nacional recebe o mesmo escudo.

  • Proteção jurídica contra patentes estrangeiras indevidas.
  • Reforço à soberania sobre o patrimônio genético brasileiro.
  • Valorização das comunidades tradicionais extrativistas.
  • Estímulo ao manejo sustentável das palmeiras de açaí.

Especialistas em propriedade intelectual veem na lei um instrumento poderoso para fóruns internacionais, garantindo que o nome e os benefícios do fruto permaneçam ligados ao Brasil.

Impactos econômicos e culturais

Para a economia amazônica, o reconhecimento significa mais visibilidade e segurança jurídica. A cadeia produtiva, que vai da extração à polpa exportada, movimenta bilhões e emprega milhares. O açaizeiro rende polpa nutritiva, caroços para artesanato e energia, e folhas para construções tradicionais.

Culturalmente, o açaí como patrimônio nacional eleva o fruto a ícone brasileiro, presente em bowls saudáveis no mundo todo. A medida alinha-se a políticas de preservação ambiental, incentivando o comércio justo e o desenvolvimento sustentável na região Norte.

Com essa lei, o Brasil não só protege seu tesouro natural, mas também pavimenta o caminho para reconhecer outros produtos da biodiversidade, como pequi e buriti. O futuro da bioeconomia ganha força, com benefícios diretos para quem preserva a floresta em pé.

Perspectivas para o setor

Produtores celebram a norma como um marco. Associações amazônicas preveem aumento na demanda interna e externa, com selos de origem que combatem falsificações. O governo pode agora investir em certificações e fiscalização para maximizar os ganhos.

Em resumo, o açaí consolida-se como emblema de resistência e prosperidade. Essa legislação de 2026 não é só uma conquista jurídica, mas um compromisso com o legado indígena e o equilíbrio entre tradição e modernidade.

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