Reconhecimento do açaí como fruto nacional fortalece soberania e proteção jurídica.
(Imagem: Divulgação/Reprodução)
O Brasil celebra mais uma vitória para sua biodiversidade. O açaí agora é oficialmente reconhecido como fruta nacional, graças à Lei 15.330, de 2026, sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e publicada no Diário Oficial da União em 8 de janeiro. A medida altera a Lei 11.675/2008, que já protege o cupuaçu, e posiciona o fruto amazônico como símbolo de identidade cultural e econômica do país.
Originário da região amazônica, o açaí como patrimônio nacional ganha barreiras jurídicas contra tentativas de apropriação estrangeira. Produtores locais, especialmente no Pará e Amazonas, respiram aliviados com essa proteção, que valoriza séculos de conhecimento tradicional das comunidades ribeirinhas.
Trajetória legislativa de 15 anos
O projeto nasceu em 2011 como PLS 2/2011, de autoria do ex-senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA). Aprovado rapidamente no Senado, tramitou na Câmara como PL 2.787/2011 e só avançou no final de 2025, culminando na sanção presidencial. Essa longa jornada reflete a importância estratégica do açaí para o país.
Defensores destacam que a lei chega em momento oportuno, com o mercado global do açaí em expansão. De menos de uma tonelada exportada em 1999, o Brasil saltou para mais de 61 mil toneladas recentemente, impulsionando a bioeconomia na Amazônia.
Enfrentando a biopirataria histórica
O principal objetivo é combater a biopirataria, prática que já prejudicou o Brasil no passado. Em 2003, uma empresa japonesa patenteou o açaí, registro cancelado apenas em 2007 após luta diplomática do governo. Casos semelhantes com o cupuaçu motivaram a legislação anterior, e agora o açaí como patrimônio nacional recebe o mesmo escudo.
- Proteção jurídica contra patentes estrangeiras indevidas.
- Reforço à soberania sobre o patrimônio genético brasileiro.
- Valorização das comunidades tradicionais extrativistas.
- Estímulo ao manejo sustentável das palmeiras de açaí.
Especialistas em propriedade intelectual veem na lei um instrumento poderoso para fóruns internacionais, garantindo que o nome e os benefícios do fruto permaneçam ligados ao Brasil.
Impactos econômicos e culturais
Para a economia amazônica, o reconhecimento significa mais visibilidade e segurança jurídica. A cadeia produtiva, que vai da extração à polpa exportada, movimenta bilhões e emprega milhares. O açaizeiro rende polpa nutritiva, caroços para artesanato e energia, e folhas para construções tradicionais.
Culturalmente, o açaí como patrimônio nacional eleva o fruto a ícone brasileiro, presente em bowls saudáveis no mundo todo. A medida alinha-se a políticas de preservação ambiental, incentivando o comércio justo e o desenvolvimento sustentável na região Norte.
Com essa lei, o Brasil não só protege seu tesouro natural, mas também pavimenta o caminho para reconhecer outros produtos da biodiversidade, como pequi e buriti. O futuro da bioeconomia ganha força, com benefícios diretos para quem preserva a floresta em pé.
Perspectivas para o setor
Produtores celebram a norma como um marco. Associações amazônicas preveem aumento na demanda interna e externa, com selos de origem que combatem falsificações. O governo pode agora investir em certificações e fiscalização para maximizar os ganhos.
Em resumo, o açaí consolida-se como emblema de resistência e prosperidade. Essa legislação de 2026 não é só uma conquista jurídica, mas um compromisso com o legado indígena e o equilíbrio entre tradição e modernidade.