Isenção de IR para quem ganha até R$ 5 mil entra em vigor.
(Imagem: Marcello Casal Jr/Agência Brasil/Arquivo)
Sancionada em novembro, a nova reforma do Imposto de Renda (IR) entrou em vigor nesta quinta-feira, 1º de janeiro, e começa a impactar diretamente o bolso dos brasileiros. O novo modelo amplia a faixa de isenção para quem ganha até R$ 5 mil mensais, beneficiando cerca de 15 milhões de pessoas, mas também aumenta a carga tributária sobre altas rendas e dividendos.
Na prática, trabalhadores com rendimentos mais baixos terão mais dinheiro no salário já neste mês, enquanto quem recebe acima de R$ 50 mil por mês ou lucra com dividendos vai pagar mais. Segundo o governo, cerca de 141 mil brasileiros passarão a recolher mais imposto.
A Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física de 2026 (ano-base 2025) segue com as regras antigas. O novo formato só será sentido integralmente a partir da declaração feita em 2027, referente ao ano-base 2026.
Isenção sobe e alivia quem ganha até R$ 5 mil
A grande mudança é o aumento da faixa de isenção para todas as rendas mensais de até R$ 5.000, um salto em relação ao limite antigo de R$ 3.036 (equivalente a dois salários mínimos). Com isso, o governo estima uma renúncia fiscal de R$ 25,4 bilhões.
Isso significa que quem está dentro dessa faixa pode economizar até R$ 4 mil por ano, incluindo o décimo terceiro. Já os salários entre R$ 5.000,01 e R$ 7.350 terão um desconto gradual, evitando o chamado “degrau tributário”, quando um pequeno aumento de renda gerava um salto no imposto.
Veja exemplos práticos do novo cálculo:
- R$ 5.500/mês: imposto mensal cai cerca de 75%;
- R$ 6.500/mês: economia próxima de R$ 1.470 por ano;
- R$ 7.000/mês: economia média de R$ 600 por ano.
Desconto em folha já muda neste mês
A partir de janeiro, empresas já passam a reter menos IR na fonte. Isso significa aumento líquido no salário que será pago no fim do mês ou no início de fevereiro.
Mesmo quem se torna isento deverá entregar a declaração em 2026, porque o documento ainda se refere a 2025, antes da reforma valer integralmente.
Alta renda entra no radar com o “imposto mínimo”
Para compensar a perda de arrecadação, o governo criou o Imposto de Renda da Pessoa Física Mínimo (IRPFM), voltado para quem tem renda acima de R$ 600 mil por ano, o equivalente a R$ 50 mil mensais.
A alíquota será progressiva até 10%, e quem ganha mais de R$ 1,2 milhão por ano pagará pelo menos 10% de maneira efetiva. O novo tributo inclui salários, lucros, dividendos e rendimentos de aplicações financeiras, mas exclui poupança, LCIs, LCAs, fundos imobiliários e Fiagro. A cobrança ocorrerá apenas na declaração de 2027.
Dividendos passam a ser tributados
A reforma também estabelece tributação de 10% sobre dividendos pagos por empresas a pessoas físicas, mas apenas quando o valor ultrapassar R$ 50 mil mensais.
A medida mira empresários e sócios com altos lucros, que até então tinham isenção total sobre esses ganhos. Os valores retidos poderão ser compensados na declaração anual. Especialistas alertam para possíveis disputas judiciais sobre lucros antigos, apurados antes de 2025.
Impacto direto começa agora
A reforma muda a forma como o país tributa a renda, e os efeitos já aparecem no holerite de janeiro. Trabalhadores terão alívio imediato, enquanto quem está no topo da renda verá o imposto subir. Os reflexos totais, porém, só ficarão visíveis em 2027, quando as novas regras entrarem completamente na declaração.
Menos imposto para a maioria, mais cobrança para quem ganha muito e um novo capítulo na longa história da reforma tributária brasileira.