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Economia

Brasil cria 255 mil vagas formais em fevereiro, mas ritmo desacelera em relação a 2025

01 abr 2026 - 07h52 Joice Gomes   atualizado às 07h56
Brasil cria 255 mil vagas formais em fevereiro, mas ritmo desacelera em relação a 2025 País gerou 255.321 empregos com carteira assinada em fevereiro de 2026, segundo Novo Caged. (Imagem: Marcello Casal JrAgência Brasil)

O Brasil registrou a criação de 255.321 empregos com carteira assinada em fevereiro de 2026, segundo dados do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego. O saldo resulta de 2.381.767 admissões e 2.126.446 desligamentos no período.

O resultado representa avanço em relação a janeiro, quando foram abertas 115.018 vagas formais. Apesar disso, o desempenho mostra desaceleração significativa na comparação com fevereiro de 2025, quando o país criou 440.432 postos, indicando retração de aproximadamente 42% no ritmo de geração de empregos.

Serviços lideram geração de vagas

Todos os principais setores da economia apresentaram saldo positivo em fevereiro, com destaque para o setor de serviços, responsável pela maior parte das contratações.

O segmento abriu 177.953 vagas, impulsionado por atividades ligadas à administração pública, educação, saúde e serviços financeiros. A construção civil também teve desempenho relevante, com 31.099 novos postos, seguida pela indústria de transformação, que registrou 29.029 vagas.

Os demais setores apresentaram crescimento mais moderado. A agropecuária gerou 8.123 empregos, enquanto o comércio registrou 6.127 vagas, refletindo o fim de contratações temporárias típicas do período de fim de ano.

  • Serviços: 177.953 vagas
  • Construção civil: 31.099 vagas
  • Indústria de transformação: 29.029 vagas
  • Agropecuária: 8.123 vagas
  • Comércio: 6.127 vagas

Sudeste concentra contratações

O Sudeste foi a região com maior geração de empregos, somando 133.052 vagas formais. Na sequência aparecem Sul, com 67.718 postos, e Centro-Oeste, com 32.328.

Entre os estados, São Paulo liderou com 95.896 empregos criados, seguido por Rio Grande do Sul, com 24.392, e Minas Gerais, com 22.874. Ao todo, 24 das 27 unidades da federação registraram saldo positivo.

Os resultados negativos ficaram concentrados em poucos estados, como Alagoas, Rio Grande do Norte e Paraíba, influenciados por fatores sazonais e condições econômicas locais.

Jovens e mulheres impulsionam o mercado

Os dados mostram que jovens de até 24 anos foram os principais responsáveis pelas novas contratações, com 163.056 vagas, o equivalente a 63,9% do total registrado no mês.

As mulheres também tiveram maior participação na geração de empregos, com saldo de 155.064 vagas, enquanto os homens somaram 100.257 postos formais.

O estoque total de trabalhadores com carteira assinada chegou a 48.837.602 ao final de fevereiro, crescimento de 0,53% em relação ao mês anterior e de 2,19% na comparação anual.

Salário médio apresenta variação

O salário médio real de admissão foi de R$ 2.346,97, registrando queda de 2,3% em relação a janeiro. Na comparação com fevereiro de 2025, houve alta de 2,75%.

A variação mensal reflete a entrada de trabalhadores em setores com remuneração média menor, especialmente no segmento de serviços.

Acumulado do ano mostra desaceleração

No acumulado de janeiro e fevereiro de 2026, o país criou 370.339 empregos formais. O número representa queda de 37,8% em relação ao mesmo período de 2025, quando foram abertas 594.953 vagas.

Em 12 meses, o saldo acumulado é de aproximadamente 1,04 milhão de empregos, indicando crescimento do mercado formal, mas em ritmo mais moderado.

Cenário econômico pressiona contratações

A desaceleração na geração de empregos está associada a fatores macroeconômicos, como juros elevados e menor ritmo de crescimento da economia. Taxas de juros mais altas aumentam o custo do crédito e reduzem a capacidade de investimento das empresas.

Essas condições afetam principalmente setores mais sensíveis ao crédito, como construção civil e indústria, que dependem de financiamento para expansão.

Apesar disso, o mercado de trabalho segue resiliente, com taxa de desemprego em níveis historicamente baixos e crescimento do número total de trabalhadores formais.

Perspectivas para 2026

A expectativa é de manutenção de um mercado de trabalho aquecido, porém com crescimento mais moderado ao longo de 2026. O desempenho dependerá da evolução da economia, da trajetória dos juros e da confiança dos empresários.

Setores como serviços e construção civil devem continuar liderando a geração de empregos, especialmente em um cenário de eventual redução gradual das taxas de juros.

O desafio para os próximos meses será sustentar a criação de vagas formais diante de um ambiente econômico mais restritivo, além de ampliar a qualificação da mão de obra e reduzir desigualdades regionais.

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