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Inflação

Mercado eleva projeção da inflação para 4,31% em 2026, perto do teto da meta

30 mar 2026 - 13h10 Joice Gomes   atualizado às 13h12
Mercado eleva projeção da inflação para 4,31% em 2026, perto do teto da meta Boletim Focus mostra que a inflação para 2026 subiu para 4,31%, com PIB em 1,85% e Selic projetada em 12,5% ao ano, mantendo cenário de juros altos. (Imagem: Marcello Casal Jr/Agência Brasil/Arquivo)

O mercado financeiro elevou de novo a projeção de inflação para 2026, passando de 4,17% para 4,31% no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), segundo o mais recente Boletim Focus divulgado pelo Banco Central nesta segunda‑feira (30). A estimativa aparece em meio a tensões ligadas à guerra no Oriente Médio e a uma base de preços mais aquecida em serviços, como transporte e educação, que têm sustentado o ritmo de alta apesar de a inflação acumulada em 12 meses ficar abaixo de 4%.

Projeção de inflação em 4,31%

A mediana das projeções do Boletim Focus para o IPCA de 2026 subiu pela terceira semana consecutiva, refletindo ajustes de instituições financeiras que reforçam perspectiva de inflação mais resiliente. O nível de 4,31% já se aproxima do teto da meta de inflação definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), fixada em 3% com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual – ou seja, entre 1,5% e 4,5%.

Apesar de o acumulado de 12 meses ter recuado para 3,81% em fevereiro, a alta mensal de 0,70% puxada por transportes e educação ajuda a explicar por que os analistas passaram a esperar um índice cheio mais elevado ao longo do ano. Para 2027, a projeção do IPCA subiu de 3,80% para 3,84%; em 2028, a estimativa foi revisada de 3,52% para 3,57%, e em 2029 permanece em 3,50%, mantendo trajetória de desaceleração gradual.

Selic ainda em 14,75% e caminho até 12,5%

Para alcançar a meta de inflação, o Banco Central mantém a taxa básica de juros, a Selic, como principal instrumento de política monetária. Em reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) na semana passada, a taxa foi reduzida em 0,25 ponto percentual, para 14,75% ao ano, após ter ficado estável em 15,25% ao longo de 2024 e 2025.

De acordo com o Focus, a expectativa média dos economistas é de que a Selic termine 2026 em 12,5% ao ano, mantendo‑se relativamente elevada, e caia para 10,5% em 2027, 10% em 2028 e 9,75% em 2029. A trajetória de queda tende a ser mais lenta do que o inicialmente discutido antes da escalada no conflito no Irã, já que o BC reforçou que a cautela voltou a guiar as decisões, deixando em aberto a possibilidade de rever o ciclo de baixa se novos choques de preços surgirem.

PIB de 1,85% em 2026 e cenário de crescimento moderado

Paralelamente ao ajuste na inflação, o mercado passou a enxergar uma economia ligeiramente mais dinâmica, mas ainda moderada. A projeção para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2026 subiu de 1,84% para 1,85%, na mais recente rodada do Focus, mantendo a expectativa de expansão inferior à registrada em 2025, quando o IBGE apontou alta de 2,3%.

A economia brasileira encerrou 2025 com crescimento em todos os setores, com destaque para a agropecuária, prolongando para cinco anos consecutivos o ciclo de expansão. Para 2027, a projeção média de PIB ficou em 1,8%, e para 2028 e 2029 o mercado estima expansão de 2% em ambos os anos, indicando um cenário de recuperação gradual, porém sustentado em ritmo modesto.

Dólar próximo de R$ 5,40 e pressões externas

Entre os preços externos, o comportamento do dólar também influencia o cenário de inflação. O Boletim Focus manteve a projeção de cotação em torno de R$ 5,40 para o fim de 2026, com estimativa de R$ 5,45 para o final de 2027. A trajetória do câmbio está atrelada tanto à evolução do conflito no Oriente Médio quanto à taxa de juros brasileira e à taxa de câmbio real, que afeta o custo de importados e de bens comercializáveis.

A escalada da guerra no Irã e o risco de novos choques de petróleo reforçaram a preocupação com pass‑through cambial e de preços para combustíveis, energia e alimentos, o que explica, em parte, por que o mercado passou a prever uma inflação mais alta em 2026. Mesmo assim, o IPCA acumulado em 12 meses abaixo de 4% e a projeção para o topo da meta em 4,31% ainda mantêm o cenário dentro do horizonte de previsibilidade do Banco Central, sem sinalizar imediato risco de descontrole de preços.

Impacto para famílias e empresas

  • A inflação mais próxima do teto da meta tende a pressionar diretamente o orçamento das famílias, especialmente em serviços como transporte, educação e habitação, que têm participado de forma mais intensa da alta recente.
  • Para as empresas, o ambiente de juros ainda elevados limita o acesso a crédito barato, mesmo com a Selic iniciando um ciclo de queda, o que pode conter o ritmo de investimento e expansão de produção.
  • Para o governo, a manutenção da inflação dentro do intervalo da meta fortalece a narrativa de responsabilidade fiscal, mas exige equilíbrio entre agenda de gastos, arrecadação e perspectiva de reformas para evitar novos choques de custos.

Com o IPCA projetado em 4,31% em 2026, Selic caminhando para 12,5% ao ano e dólar em torno de R$ 5,40, o cenário brasileiro combina manutenção de controle de preços com crescimento econômico modesto e juros ainda altos. A trajetória exata do BC nos próximos meses dependerá de como a inflação subjacente e os serviços se comportam, além da evolução da guerra no Oriente Médio e da reação dos preços internacionais de energia.

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