Conselho Monetário Nacional corta juros de financiamentos no Pronaf para cooperativas, estimulando produtividade na pecuária de corte e leite.
(Imagem: CNA/ Wenderson Araujo/Trilux)
O Conselho Monetário Nacional (CMN) tomou uma decisão estratégica para o setor agropecuário brasileiro ao reduzir drasticamente os juros de financiamentos destinados a cooperativas da agricultura familiar no âmbito do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf).
A medida, aprovada em 26 de março de 2026, baixa a taxa de 8% para 3% ao ano na modalidade Pronaf Mais Alimentos, especificamente para aquisições de sêmen, óvulos e embriões voltados ao melhoramento genético na bovinocultura de corte e leite.
Expansão de benefícios às cooperativas
Até agora, essa taxa reduzida beneficiava apenas agricultores familiares individuais. Com a Resolução CMN nº 5.288, o incentivo se estende às cooperativas, permitindo que elas financiem esses insumos para atender seus associados de forma mais acessível.
O Ministério da Fazenda destaca que o objetivo é elevar a produtividade do setor, promovendo raças mais resistentes e produtivas. Essa extensão reconhece o papel central das cooperativas na agricultura familiar, que representam cerca de 11,4% dos estabelecimentos agropecuários do país, segundo dados recentes do Censo Agropecuário.
No Pronaf Mais Alimentos, linha dedicada à modernização da produção rural, os recursos agora cobrem também serviços como inseminação artificial e transferência de embriões, antes limitados a 30% do valor total do crédito.
Inovações no Renovagro
Paralelamente, o CMN autorizou o financiamento isolado desses materiais genéticos pelo Renovagro, programa focado em sistemas agropecuários sustentáveis. Essa flexibilidade permite que produtores invistam diretamente na melhoria genética sem vinculação a outros projetos.
A bovinocultura familiar ganha fôlego com essa iniciativa. A agricultura familiar responde por 23% do valor bruto da produção agropecuária nacional e gera 67% das ocupações no campo, com 3,9 milhões de estabelecimentos rurais, conforme o Anuário Estatístico da Agricultura Familiar de 2024.
Cooperativas, por sua vez, fomentam a diversificação de negócios, adequam a produção ao mercado e reduzem o êxodo rural, preservando comunidades e o meio ambiente. Na Amazônia Legal, por exemplo, 3,3% dos estabelecimentos familiares estão ligados a cooperativas, revelando um potencial de expansão.
Impulso ao café com R$ 7,37 bilhões
Na mesma reunião, presidida pelo ministro da Fazenda Dario Durigan e integrada pelo presidente do Banco Central Gabriel Galípolo e pela ministra do Planejamento Simone Tebet, o CMN destinou R$ 7,37 bilhões ao Fundo de Defesa da Economia Cafeeira (Funcafé) para 2026.
Esse montante, superior aos R$ 7,18 bilhões aprovados para a safra 2025/2026, será aplicado em custeio, comercialização, aquisição de café, capital de giro e recuperação de lavouras danificadas. A distribuição exata caberá ao Ministério da Agricultura, seguindo o Manual de Crédito Rural.
O café é um dos pilares da economia rural brasileira, e esse reforço chega em momento de volatilidade nos mercados internacionais, ajudando produtores a enfrentar desafios climáticos e logísticos.
Contexto e impactos esperados
O Pronaf, criado para fortalecer pequenos produtores, tem impacto comprovado na demanda agregada do país, conforme estudos da Embrapa. A redução de juros estimula investimentos em tecnologia genética, potencializando a produção de leite e carne com menor custo.
Para cooperativas, o acesso facilitado significa escala maior: elas podem centralizar compras de insumos genéticos, negociando melhores condições e distribuindo benefícios aos associados. Isso alinha-se à tendência de cooperativismo como motor de sustentabilidade no campo.
Os efeitos devem se refletir em maior oferta de proteínas acessíveis, fortalecimento da balança comercial agropecuária e redução de desigualdades regionais. Regiões como o Centro-Oeste e Sul, polos de pecuária leiteira, e o Sudeste, cafeicultor, serão os mais impactados.
Desafios e perspectivas
Apesar dos avanços, produtores enfrentam burocracia no acesso ao crédito e necessidade de projetos técnicos assinados por profissionais habilitados. O governo busca mitigar isso com equalização de juros via Tesouro Nacional.
Especialistas apontam que o Pronaf, somado ao Renovagro, pode impulsionar a transição para práticas sustentáveis, como recuperação de pastagens degradadas – outra frente financiada com taxas atrativas de até 8,5% ao ano.
- Agricultura familiar: 77% dos estabelecimentos rurais no Brasil, gerando 10,1 milhões de empregos.
- Cooperativas: Crescimento de 67,3% em associações desde 2006.
- Funcafé: Recursos para toda a cadeia cafeeira, de plantio a exportação.
- Taxas Pronaf: 3% a.a. para genética bovina, contra médias de mercado acima de 10%.
- Renovagro: Financiamento isolado de embriões e serviços associados.
Essa pauta do CMN sinaliza compromisso com o pequeno produtor em um ano agrícola desafiador, marcado por tensões globais e necessidade de autossuficiência alimentar. Com juros baixos e recursos ampliados, o setor ganha ferramentas para crescer de forma inclusiva e sustentável.