Petrobras oferece parcelamento do combustível para mitigar impactos da crise internacional no setor aéreo brasileiro.
(Imagem: gerado por IA)
A Petrobras decidiu intervir para evitar um choque imediato no setor aéreo brasileiro. A estatal anunciou que vai parcelar o expressivo reajuste de 54,8% no querosene de aviação (QAV), insumo que representa quase um terço dos custos de operação das companhias aéreas, segundo dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).
Pela nova regra, as distribuidoras que atendem a aviação comercial poderão optar por um pagamento inicial de 18% do aumento. A diferença restante poderá ser quitada em até seis parcelas mensais, com o primeiro vencimento agendado apenas para o mês de julho.
A medida surge como um fôlego financeiro estratégico. Na prática, as empresas ganham um prazo de três meses antes de começarem a pagar o financiamento da alta, o que pode mitigar a pressão por reajustes imediatos no preço das passagens para o consumidor final.
Estratégia para conter a crise no setor aéreo
A decisão da Petrobras busca preservar a demanda e garantir a saúde financeira de seus principais clientes. Em comunicado, a companhia destacou que o objetivo é manter a neutralidade financeira da estatal enquanto protege o mercado nacional da volatilidade extrema do petróleo no exterior.
As tensões geopolíticas no Oriente Médio são a causa direta desse salto nos preços. O barril do tipo Brent, referência internacional, superou a marca dos US$ 101, impulsionado pelo risco em rotas estratégicas como o Estreito de Ormuz, por onde circula 20% da produção mundial de óleo.
Para aderir ao novo modelo, as empresas interessadas deverão assinar um termo de adesão que será disponibilizado pela Petrobras até a próxima segunda-feira (6). O documento terá validade retroativa ao início de abril, garantindo que o benefício cubra todo o período de alta acentuada.
O impacto real nos preços do combustível
O cenário é de contraste nítido com os meses anteriores. Enquanto em fevereiro o preço do querosene de aviação chegou a cair 1%, o reajuste atual atinge níveis alarmantes em diversos pontos do país. Em algumas regiões, como na Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, o litro saltou de R$ 3,49 para R$ 5,40.
Embora a Petrobras domine cerca de 85% da produção de QAV no Brasil, a empresa reforçou que o mercado é aberto à concorrência. A estatal indicou ainda que o mecanismo de parcelamento poderá ser estendido para os meses de maio e junho, dependendo das oscilações do mercado internacional.
Com essa movimentação, o governo e a estatal tentam equilibrar a balança comercial sem repassar integralmente a instabilidade de curto prazo para a economia brasileira, mantendo o funcionamento regular do transporte aéreo nacional.