A CPI do Crime Organizado do Senado cobra explicações da Meta sobre lucros estimados em US$ 16 bilhões com anúncios de golpes em 2024.
(Imagem: Marcello Casal jr/Agência Brasil)
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado, instalada no Senado Federal, realizou audiência pública na terça-feira (24) para questionar a Meta, controladora de plataformas como WhatsApp, Facebook e Instagram, sobre os supostos lucros obtidos com crimes cibernéticos.
O relator da CPI, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), destacou que documentos internos vazados indicam que a CPI questiona Meta por faturamento de cerca de US$ 16 bilhões em 2024 provenientes de anúncios fraudulentos, equivalentes a 10% da receita total da companhia americana.
Esses anúncios, segundo o parlamentar, incluem golpes de comércio eletrônico, investimentos falsos, cassinos ilegais e produtos médicos proibidos, expondo milhões de usuários a riscos e potencialmente financiando organizações criminosas.
Audiência expõe contradições
Na sessão, a Meta enviou a diretora de políticas econômicas para a América Latina, Yana Dumaresq Sobral Alves, no lugar do diretor-geral no Brasil, Conrado Leister, inicialmente convocado. A representante negou qualquer interesse comercial em conteúdos ilícitos e afirmou que a empresa removeu 134 milhões de anúncios fraudulentos globalmente em 2025, além de desarticular quase 12 milhões de contas ligadas a centros criminosos.
No entanto, o senador Vieira criticou a falta de métricas específicas sobre denúncias e vítimas no Brasil, citando dados do Anuário de Segurança Pública que apontam 56 milhões de brasileiros afetados por golpes online anualmente, com prejuízos acima de R$ 50 bilhões.
A CPI questiona Meta também sobre a criptografia de ponta a ponta, implementada mesmo com alertas internos de que facilitaria crimes, impedindo o acesso judicial a conteúdos em casos de exploração sexual ou fraudes.
- A Meta alega adotar medidas proativas para bloquear fraudes em tempo real.
- Documentos da Reuters, de dezembro de 2025, revelam orientação interna para resistir a regulações que limitem anúncios de alto risco.
- A empresa enfrenta processos nos EUA por suposta facilitação de exploração sexual infantil.
Documentos internos revelam escala do problema
Investigações jornalísticas, baseadas em vazamentos obtidos pela Reuters, mostram que a Meta exibia diariamente até 15 bilhões de anúncios de "alto risco" em 2024, gerando bilhões em receitas apesar dos indícios de fraude. A companhia admitiu internamente o risco de multas regulatórias de até US$ 1 bilhão, mas considerou que os ganhos superariam eventuais penalidades.
O relator da CPI questiona Meta citou relatório da ONG Human Trafficking Institute, de 2020, indicando que o Facebook foi usado em 65% dos casos de aliciamento de crianças para tráfico sexual. A diretora Yana Alves não soube detalhar a eficácia das ferramentas de detecção em chats privados criptografados.
Esses fatos importam porque evidenciam como plataformas digitais se tornaram vetores de financiamento ao crime organizado, migrando de atividades tradicionais para o ambiente virtual mais lucrativo e difícil de rastrear.
- Prejuízos no Brasil superam R$ 50 bilhões por ano com 56 milhões de vítimas.
- Meta planejava reduzir anúncios fraudulentos em até 50% em alguns mercados para 2025.
- União Europeia investiga plataformas como X por uso de IA em conteúdos sexualizados.
Impactos e perspectivas regulatórias
A audiência reforça a necessidade de maior rastreabilidade e reparação a vítimas, mesmo sem ordens judiciais, conforme cobrado por senadores. A Meta prometeu colaboração, mas Vieira anunciou a reconvocação de Leister por falta de respostas precisas sobre criptografia, algoritmos e conteúdos políticos.
Os impactos práticos incluem maior vulnerabilidade de usuários comuns a fraudes, com o crime organizado usando redes sociais para lavagem de dinheiro e expansão. No Brasil, isso agrava o sistema prisional e infiltrações em estruturas estatais, foco da CPI.
Para o futuro, a CPI questiona Meta pode impulsionar leis de regulação, como ajustes na criptografia e obrigações de transparência em anúncios. Parlamentares defendem que monopólios digitais arquem com indenizações e facilitem investigações, equilibrando inovação e segurança pública.
Especialistas apontam que, sem ação coordenada, os lucros com crimes cibernéticos continuarão a crescer, demandando cooperação internacional. A CPI segue com investigações em 2026, priorizando financiamento de facções via plataformas digitais.
- Reconvocação do diretor-geral da Meta para próxima oitiva.
- Debate sobre fim da criptografia total em casos suspeitos.
- Potencial para nova legislação sobre big techs no Brasil.
- Meta destaca prioridade em proteção infantil com times dedicados.
O caso ilustra o dilema global: plataformas bilionárias versus responsabilidades sociais. Enquanto a Meta nega omissões, dados internos sugerem hesitação em medidas radicais para preservar receitas, o que alimenta desconfiança e apelos por accountability.