A Divisão de Elite da Guarda Municipal do Rio começa a atuar em março contra roubos e furtos.
(Imagem: Fernando Frazão/Agência Brasil)
A Divisão de Elite da Guarda Municipal do Rio de Janeiro deu um passo importante rumo à sua estreia nas ruas. Nesta quarta-feira (4), o prefeito Eduardo Paes apresentou o equipamento que será usado pela força, incluindo pistolas 9 milímetros com capacidade para 15 tiros. A expectativa é que os agentes comecem a patrulhar a cidade em março deste ano.
Essa iniciativa surge em um contexto de alta demanda por mais segurança nos espaços públicos cariocas. A Divisão de Elite da Guarda Municipal, também chamada de Força Municipal, foca no combate a roubos e furtos, atuando de forma complementar às polícias estadual e federal. Paes enfatizou que a responsabilidade pela segurança pública permanece com o governo do estado, mas o município quer contribuir com presença ostensiva e preventiva.
Equipamentos modernos para ação rápida
A frota da Divisão de Elite da Guarda Municipal conta com 118 veículos, entre pick-ups, motocicletas e vans. Esses recursos garantem mobilidade e resposta rápida em áreas estratégicas, definidas por análise de manchas criminais. Inicialmente, 600 agentes serão mobilizados, com patrulhamento tanto motorizado quanto a pé, em duplas ou trios.
Foram entregues 1.500 pistolas Glock, além de instrumentos de menor potencial ofensivo, como spray de pimenta, gás lacrimogêneo e tasers. Os uniformes incluem câmeras corporais de uso obrigatório e dispositivos de monitoramento operacional. Essa tecnologia permite supervisão permanente e uso proporcional da força em cada ocorrência.
- 118 veículos para maior presença territorial;
- 1.500 pistolas Glock calibre 9 milímetros;
- Câmeras corporais e GPS em todos os agentes;
- Equipamentos não letais para abordagens seguras.
Histórico da criação da força municipal
A Divisão de Elite da Guarda Municipal ganhou forma após decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que ampliou o papel das guardas municipais na segurança. Em 2025, a Prefeitura do Rio inaugurou a Academia de Formação em Irajá, com estande de tiros e salas especializadas. A primeira turma concluiu treinamento de 440 horas, focado em policiamento ostensivo e comunitário.
O projeto passou pela Câmara Municipal, com debates sobre treinamento, transparência e controle. Leis foram aprovadas exigindo capacitação rigorosa, ouvidorias independentes e uso de câmeras. Em junho de 2025, Paes autorizou a compra das pistolas Glock via registro de preços, agilizando o processo.
A segunda turma, com 330 guardas, iniciou capacitação em novembro de 2025. Seleções internas priorizaram agentes experientes, com salários atrativos para dedicação exclusiva. O orçamento da divisão já representa 36% dos recursos da Guarda Municipal para 2026, sinalizando compromisso de longo prazo.
Atuação estratégica e expectativas
O diretor-geral Brenno Carnevale destacou a seleção rigorosa e o planejamento baseado em dados. Cada operação segue um Quadro de Missão Diária (QMD), com geolocalização ativada. A força atuará em regiões de maior incidência de crimes de rua, que concentram 50% dos casos em apenas 5,3% do território.
Paes reforçou que a Divisão de Elite da Guarda Municipal não substitui as polícias Militar e Civil, mas complementa com foco preventivo. Não haverá confronto com milícias ou narcotraficantes, priorizando furtos, roubos e sensação de segurança para a população. Corregedorias e diálogos com o Ministério Público garantem accountability.
Especialistas veem potencial na integração de tecnologias e inteligência territorial. A proximidade com a população, via patrulhas a pé, pode melhorar a confiança nas instituições. Moradores de áreas críticas aguardam resultados mensuráveis, como redução de índices criminais.
Impacto na segurança carioca
A implementação da Divisão de Elite da Guarda Municipal alinha-se a tendências nacionais de municipalização da segurança. Cidades como São Paulo e Curitiba já adotam modelos semelhantes, com guardas armadas em espaços públicos. No Rio, o foco em crimes patrimoniais atende demandas antigas de comerciantes e turistas.
Com agentes bem remunerados, salário inicial acima de R$ 13 mil para elite, a retenção de talentos é prioridade. A Prefeitura planeja expandir para 4.200 agentes até 2028, via concursos públicos. Essa visão de longo prazo pode transformar o dia a dia nas ruas, promovendo ordem sem excessos.
Enquanto março se aproxima, a cidade observa de perto essa novidade. A eficácia dependerá de coordenação interinstitucional e adaptação contínua. Por ora, o equipamento apresentado inspira otimismo para um Rio mais seguro e protegido.