São Paulo | 18ºC
Seg, 11 de Maio
Busca
Economia

Bolsa brasileira despenca mais de 2% em forte correção após recorde histórico: Ibovespa perde 4 mil pontos e bancos lideram quedas no mercado financeiro nacional

05 fev 2026 - 08h49 Joice Gomes   atualizado às 08h52
Bolsa brasileira despenca mais de 2% em forte correção após recorde histórico: Ibovespa perde 4 mil pontos e bancos lideram quedas no mercado financeiro nacional Bancos como BTG e Itaú puxaram perdas; dólar ficou estável em R$ 5,25. (Imagem: Divulgação/B3)

A bolsa brasileira viveu um dia de forte volatilidade nesta quarta-feira (4). Um dia após renovar recordes históricos, o Ibovespa, principal índice da B3, registrou queda acentuada de 2,14%, encerrando o pregão aos 181.708 pontos.

Essa correção veio após uma sequência de altas que levou o indicador a patamares inéditos. Investidores optaram pela realização de lucros, vendendo ações para garantir ganhos acumulados nas últimas sessões.

O movimento foi influenciado por fatores externos e internos. As bolsas nos Estados Unidos também caíram, pressionadas por preocupações com o setor de inteligência artificial e dados econômicos que reduziram apostas em cortes de juros pelo Federal Reserve.

Ibovespa perde mais de 3.900 pontos em um dia

O recuo do Ibovespa representou uma perda de cerca de 3.961 pontos em relação ao fechamento anterior. Esse foi o pior desempenho em dois meses, superando quedas recentes como a de dezembro passado.

Setores específicos sofreram mais. As ações de bancos lideraram as perdas, com o BTG Pactual despencando 4,93%, Itaú Unibanco caindo 3,29%, Bradesco recuando 3,23% e Banco do Brasil perdendo 2,30%.

Analistas apontam para o balanço do Santander Brasil como gatilho. Os dados de inadimplência no relatório do banco geraram preocupações que se espalharam pelo setor financeiro, contaminando outras instituições.

  • BTG Pactual (BPAC11): -4,93%
  • Itaú Unibanco (ITUB4): -3,29%
  • Bradesco (BBDC4): -3,23%
  • Banco do Brasil (BBAS3): -2,30%
  • Santander Brasil (SANB11): -2,70%

Dólar comercial fecha estável em R$ 5,25

Enquanto a bolsa brasileira corrigia, o dólar comercial manteve estabilidade. A cotação encerrou vendida a R$ 5,25, praticamente inalterada em relação à terça-feira (3).

Inicialmente, a moeda americana chegou a cair para R$ 5,21 pela manhã, mas recuperou terreno à tarde. Em 2026, o dólar acumula desvalorização de 4,38% frente ao real, beneficiado por fluxos estrangeiros intensos.

A valorização de commodities, como o petróleo Brent que subiu mais de 3%, ajudou moedas emergentes a resistirem à pressão global. Tensões entre Estados Unidos e Irã impulsionaram as cotações dos bens primários.

Influências externas pesam sobre o mercado

As bolsas americanas registraram quedas moderadas. O S&P 500 recuou 0,51%, o Nasdaq caiu 1,51% e o Dow Jones também registrou perdas, afetados por temores de bolha em ações de IA.

Dados do setor de serviços nos EUA vieram acima do esperado, reduzindo chances de corte de juros pelo Fed em março. A taxa básica permanece entre 3,5% e 3,75%, após pausas no ciclo de flexibilização.

No Brasil, a bolsa brasileira reflete esse cenário global. Especialistas como Paulo Monteiro, da Gravus Capital, destacam que o movimento de correção ocorre em outros emergentes, como o México.

Outras quedas chamaram atenção, como Totvs (-12,89%), impactada por preocupações com softwares de IA, e Hypera (-10,3%), após anúncio de aumento de capital.

O que esperar nos próximos dias para a bolsa

Analistas veem a correção como saudável após a euforia recente. O fluxo estrangeiro continua positivo, mas realização de lucros pode persistir em meio a juros futuros mistos.

Os DIs para 2027 e além subiram levemente, sinalizando cautela com a política monetária local. Indicações para o Banco Central também geram debates sobre independência.

Para investidores, o momento pede diversificação. Setores como commodities e exportadoras podem se beneficiar de um dólar estável, enquanto bancos demandam monitoramento de balanços.

A bolsa brasileira mostrou resiliência em 2026, com ganhos acumulados apesar de volatilidades. O Ibovespa deve testar suportes nos 180 mil pontos antes de novas altas.

Especialistas recomendam foco em fundamentos. Empresas com bons dividendos e baixa alavancagem tendem a performar melhor em cenários de correção.

O mercado financeiro nacional segue atento a dados americanos e geopolítica. Com Trump na presidência, interferências no Fed adicionam incerteza aos emergentes.

Em resumo, a queda de ontem corrige excessos, mas o viés de longo prazo permanece positivo para a bolsa brasileira, apoiado por economia em recuperação.

Leia Também
Petrobras divulga balanço do 1º trimestre: veja o que esperar dos resultados
Economia Petrobras divulga balanço do 1º trimestre: veja o que esperar dos resultados
Brasil lidera corrida global por mineração sustentável na 'última fronteira' dos oceanos
Fundos Marinhos Brasil lidera corrida global por mineração sustentável na 'última fronteira' dos oceanos
IR 2026: Guia completo para declarar poupança, renda fixa e ações sem erros
Imposto de Renda IR 2026: Guia completo para declarar poupança, renda fixa e ações sem erros
Imposto de Renda 2026: o guia definitivo para declarar aluguéis e venda de imóveis sem erros
Imposto de Renda Imposto de Renda 2026: o guia definitivo para declarar aluguéis e venda de imóveis sem erros
Santos consolida força econômica e entra no Top 10 de geração de empregos em SP
Economia Santos consolida força econômica e entra no Top 10 de geração de empregos em SP
Novo Desenrola Brasil: O que muda para as famílias endividadas e como sair do vermelho
Desenrola Brasil Novo Desenrola Brasil: O que muda para as famílias endividadas e como sair do vermelho
Pedágio na Fernão Dias fica mais caro: confira os novos valores e as cidades afetadas em SP e MG
Pedágio Pedágio na Fernão Dias fica mais caro: confira os novos valores e as cidades afetadas em SP e MG
Embraer atinge faturamento recorde de R$ 6,9 bilhões no melhor início de ano de sua história
Embraer Embraer atinge faturamento recorde de R$ 6,9 bilhões no melhor início de ano de sua história
Fuga da poupança: brasileiros retiram R$ 476 milhões em abril com busca por lucro
Poupança Fuga da poupança: brasileiros retiram R$ 476 milhões em abril com busca por lucro
Faturamento da indústria sobe 3,8% em março, mas juros altos ainda barram recuperação plena
Indústria Faturamento da indústria sobe 3,8% em março, mas juros altos ainda barram recuperação plena
Mais Lidas
Trânsito na Anchieta-Imigrantes: subida para SP já apresenta lentidão nesta sexta
Trânsito Trânsito na Anchieta-Imigrantes: subida para SP já apresenta lentidão nesta sexta
Lotofácil: Aposta de SP ganha R$ 1 milhão e pode realizar sonho da Copa do Mundo
Lotofácil Lotofácil: Aposta de SP ganha R$ 1 milhão e pode realizar sonho da Copa do Mundo
Navio-prisão Raul Soares: A sombra da ditadura que ainda ecoa no Porto de Santos após 60 anos
Navio do Terror Navio-prisão Raul Soares: A sombra da ditadura que ainda ecoa no Porto de Santos após 60 anos
Itanhaém inaugura Centro de Diabetes e Endocrinologia com foco em atendimento especializado
Saúde pública Itanhaém inaugura Centro de Diabetes e Endocrinologia com foco em atendimento especializado