Bancos como BTG e Itaú puxaram perdas; dólar ficou estável em R$ 5,25.
(Imagem: Divulgação/B3)
A bolsa brasileira viveu um dia de forte volatilidade nesta quarta-feira (4). Um dia após renovar recordes históricos, o Ibovespa, principal índice da B3, registrou queda acentuada de 2,14%, encerrando o pregão aos 181.708 pontos.
Essa correção veio após uma sequência de altas que levou o indicador a patamares inéditos. Investidores optaram pela realização de lucros, vendendo ações para garantir ganhos acumulados nas últimas sessões.
O movimento foi influenciado por fatores externos e internos. As bolsas nos Estados Unidos também caíram, pressionadas por preocupações com o setor de inteligência artificial e dados econômicos que reduziram apostas em cortes de juros pelo Federal Reserve.
Ibovespa perde mais de 3.900 pontos em um dia
O recuo do Ibovespa representou uma perda de cerca de 3.961 pontos em relação ao fechamento anterior. Esse foi o pior desempenho em dois meses, superando quedas recentes como a de dezembro passado.
Setores específicos sofreram mais. As ações de bancos lideraram as perdas, com o BTG Pactual despencando 4,93%, Itaú Unibanco caindo 3,29%, Bradesco recuando 3,23% e Banco do Brasil perdendo 2,30%.
Analistas apontam para o balanço do Santander Brasil como gatilho. Os dados de inadimplência no relatório do banco geraram preocupações que se espalharam pelo setor financeiro, contaminando outras instituições.
- BTG Pactual (BPAC11): -4,93%
- Itaú Unibanco (ITUB4): -3,29%
- Bradesco (BBDC4): -3,23%
- Banco do Brasil (BBAS3): -2,30%
- Santander Brasil (SANB11): -2,70%
Dólar comercial fecha estável em R$ 5,25
Enquanto a bolsa brasileira corrigia, o dólar comercial manteve estabilidade. A cotação encerrou vendida a R$ 5,25, praticamente inalterada em relação à terça-feira (3).
Inicialmente, a moeda americana chegou a cair para R$ 5,21 pela manhã, mas recuperou terreno à tarde. Em 2026, o dólar acumula desvalorização de 4,38% frente ao real, beneficiado por fluxos estrangeiros intensos.
A valorização de commodities, como o petróleo Brent que subiu mais de 3%, ajudou moedas emergentes a resistirem à pressão global. Tensões entre Estados Unidos e Irã impulsionaram as cotações dos bens primários.
Influências externas pesam sobre o mercado
As bolsas americanas registraram quedas moderadas. O S&P 500 recuou 0,51%, o Nasdaq caiu 1,51% e o Dow Jones também registrou perdas, afetados por temores de bolha em ações de IA.
Dados do setor de serviços nos EUA vieram acima do esperado, reduzindo chances de corte de juros pelo Fed em março. A taxa básica permanece entre 3,5% e 3,75%, após pausas no ciclo de flexibilização.
No Brasil, a bolsa brasileira reflete esse cenário global. Especialistas como Paulo Monteiro, da Gravus Capital, destacam que o movimento de correção ocorre em outros emergentes, como o México.
Outras quedas chamaram atenção, como Totvs (-12,89%), impactada por preocupações com softwares de IA, e Hypera (-10,3%), após anúncio de aumento de capital.
O que esperar nos próximos dias para a bolsa
Analistas veem a correção como saudável após a euforia recente. O fluxo estrangeiro continua positivo, mas realização de lucros pode persistir em meio a juros futuros mistos.
Os DIs para 2027 e além subiram levemente, sinalizando cautela com a política monetária local. Indicações para o Banco Central também geram debates sobre independência.
Para investidores, o momento pede diversificação. Setores como commodities e exportadoras podem se beneficiar de um dólar estável, enquanto bancos demandam monitoramento de balanços.
A bolsa brasileira mostrou resiliência em 2026, com ganhos acumulados apesar de volatilidades. O Ibovespa deve testar suportes nos 180 mil pontos antes de novas altas.
Especialistas recomendam foco em fundamentos. Empresas com bons dividendos e baixa alavancagem tendem a performar melhor em cenários de correção.
O mercado financeiro nacional segue atento a dados americanos e geopolítica. Com Trump na presidência, interferências no Fed adicionam incerteza aos emergentes.
Em resumo, a queda de ontem corrige excessos, mas o viés de longo prazo permanece positivo para a bolsa brasileira, apoiado por economia em recuperação.