Eve Air Mobility, subsidiária da Embraer, estreia no mercado Japão com venda para a AirX.
(Imagem: Eve Air Mobility/Divulgação)
A Eve Air Mobility, subsidiária da Embraer especializada em aeronaves elétricas de decolagem e pouso vertical (eVTOL), acaba de dar um passo importante em sua estratégia de internacionalização ao anunciar a venda de dois veículos elétricos para a empresa japonesa AirX. O negócio marca a primeira operação da companhia brasileira na região da Ásia-Pacífico e lança novas perspectivas para o segmento de mobilidade aérea urbana no país asiático. Mais do que um contrato pontual, o acordo abre espaço para uma futura expansão, já que prevê opção de compra de até 50 unidades adicionais do modelo.
Os novos veículos serão usados pela AirX, que hoje atua com transporte aéreo por helicópteros, ampliando o portfólio da companhia com tecnologia mais silenciosa e de menor impacto ambiental. A expectativa das empresas é que a aeronave elétrica seja incorporada a um modelo de negócios voltado ao turismo, operando em rotas de curta distância em grandes centros urbanos japoneses. Com o movimento, a Eve busca consolidar sua presença em um dos mercados mais competitivos e tecnologicamente avançados do mundo, ao mesmo tempo em que reforça a imagem da Embraer como protagonista em novas soluções de mobilidade aérea.
O anúncio foi feito durante o Singapore Airshow, uma das principais feiras da indústria aeronáutica global, reforçando o caráter estratégico da parceria. Para a Eve, a visibilidade internacional do evento ajuda a posicionar sua aeronave elétrica entre as principais apostas do setor para o futuro do transporte aéreo urbano. A aproximação com operadores como a AirX também indica que a companhia pretende atuar lado a lado com players já consolidados em cada mercado, oferecendo tecnologia, suporte e integração com operações existentes.
Venda inaugura presença na Ásia-Pacífico
O contrato firmado com a AirX representa a primeira venda da Eve para a região da Ásia-Pacífico, considerada estratégica pelo potencial de demanda por soluções inovadoras de mobilidade. Tóquio e Osaka, onde a aeronave elétrica deverá operar, são cidades densamente povoadas, com forte fluxo turístico e desafios de mobilidade que frequentemente impulsionam a adoção de novas tecnologias. Nesse contexto, os eVTOL surgem como alternativa para reduzir tempos de deslocamento em rotas específicas, sobretudo em ligações entre pontos turísticos, hubs de transporte e áreas de difícil acesso por terra.
Segundo as empresas, a entrega dos veículos está prevista para 2029, em linha com os cronogramas regulatórios e de certificação desse tipo de aeronave. Até lá, a Eve deve seguir trabalhando em testes, parcerias e desenvolvimento de infraestrutura para garantir que a operação da aeronave elétrica atenda a requisitos de segurança, eficiência e sustentabilidade. A presença em um mercado exigente como o japonês tende a funcionar também como vitrine internacional para outros países que estudam modelos semelhantes de mobilidade aérea urbana.
O fundador e CEO da AirX, Kiwamu Tezuka, destacou que a parceria reforça o compromisso da empresa com inovação e sustentabilidade, aproximando o operador japonês das soluções de próxima geração em mobilidade aérea. Na avaliação da companhia, a adoção de uma aeronave elétrica como o eVTOL da Eve posiciona a AirX na linha de frente de um mercado em transformação, que deve combinar novos modais, digitalização e menor emissão de carbono. O discurso converge com a estratégia global de descarbonização do transporte, em que o setor aéreo vem sendo pressionado a reduzir emissões e buscar alternativas mais limpas.
Como a aeronave elétrica será usada no Japão
A proposta inicial para o uso da aeronave elétrica da Eve no Japão é voltada principalmente ao turismo, em um modelo descrito como transporte de “última milha” para rotas de lazer. Na prática, a tecnologia deverá conectar pontos de interesse turístico ou regiões de difícil acesso de forma rápida, permitindo experiências diferenciadas para passageiros. Em vez de substituir grandes aeronaves comerciais, o eVTOL entra como complemento à malha de transporte já existente, integrando-se a aeroportos, heliportos e novos vertiports que deverão ser estruturados.
Esse tipo de operação é visto como porta de entrada ideal para a adoção de eVTOLs, já que permite rotas mais controladas, fluxo de passageiros previsível e maior aceitação de tarifas mais altas, típicas de serviços premium. Com o avanço da tecnologia e da escala de produção, a expectativa de empresas do setor é que a aeronave elétrica passe também a atender a outros perfis de demanda, como deslocamentos corporativos ou conexões rápidas entre regiões metropolitanas. O Japão, com forte vocação turística e infraestrutura já avançada em transporte, surge como ambiente fértil para projetos-piloto dessa natureza.
Para a Eve, a parceria com um operador já estabelecido em helicópteros é estratégica. A AirX conhece o mercado local, a regulamentação e o comportamento dos passageiros, o que pode contribuir para adaptar o uso da aeronave elétrica às especificidades do público japonês. Ao mesmo tempo, o histórico da Embraer em aviação regional e executiva confere credibilidade ao projeto em um ambiente de forte escrutínio técnico e regulatório.
Efeito no mercado e desempenho das ações
O anúncio do contrato com a AirX também teve reflexos imediatos no mercado financeiro. As ações da Eve, negociadas na B3, conseguiram interromper uma sequência recente de quedas após a divulgação da venda da aeronave elétrica para o Japão. Lançados em julho de 2025 a R$ 39, os papéis encerraram o pregão de quarta-feira (4) cotados a R$ 19,80, após terem repetido na véspera o menor valor registrado desde setembro, de R$ 19,62.
Na bolsa de Nova York (NYSE), os papéis da companhia também vinham em trajetória de desvalorização. Em 22 de janeiro, as ações estavam em torno de US$ 4,59, mas foram negociadas a US$ 3,65 na sessão mais recente, refletindo a cautela de investidores diante do ritmo de desenvolvimento e certificação dos eVTOLs. A notícia da venda da aeronave elétrica para a AirX, porém, tende a ser interpretada como sinal positivo de tração comercial e avanço na construção de uma carteira consistente de clientes.
No médio e longo prazo, o desempenho das ações deve continuar atrelado à capacidade da empresa de transformar cartas de intenção e memorandos em contratos firmes, além de cumprir cronogramas técnicos e regulatórios. O acordo com a AirX reforça a narrativa de que existe demanda concreta pela aeronave elétrica em mercados maduros, o que pode contribuir para melhorar a percepção de risco do projeto. Ao mesmo tempo, investidores seguem atentos a desafios como certificação, infraestrutura de vertiports, aceitação pública e marcos regulatórios em diferentes países.
- Venda de duas aeronaves elétricas eVTOL da Eve para a japonesa AirX, com opção de compra de até 50 unidades.
- Operação prevista para 2029, em Tóquio e Osaka, com foco em turismo e transporte de “última milha”.
- Primeira venda da Eve na região da Ásia-Pacífico, reforçando estratégia de expansão global.
- Parceria destaca compromisso com inovação e sustentabilidade na mobilidade aérea urbana.
- Anúncio ajuda a interromper queda recente das ações da empresa na B3, que hoje são negociadas bem abaixo do valor de lançamento.