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Meliponicultura

Negócio com abelhas sem ferrão cresce no interior do Paraná e atende clientes de todo o Sul e Sudeste

27 dez 2025 - 10h38 Joice Gomes   atualizado às 10h55
Negócio com abelhas sem ferrão cresce no interior do Paraná e atende clientes de todo o Sul e Sudeste Uma abelha em uma flor de camomila (Imagem: de wirestock no Freepik)

O que começou como uma experiência simples no interior do Paraná acabou se transformando em um negócio que hoje atende clientes em diferentes regiões do país. Em Vista Alegre, comunidade rural de Enéas Marques (PR), o empresário Ivo Miguel, de 43 anos, trocou o comércio de frutas por uma atividade ligada à preservação ambiental: a meliponicultura, criação de abelhas nativas sem ferrão.

A mudança ocorreu de forma gradual, impulsionada pela internet e pelo aumento da procura por soluções ligadas à produção sustentável. No início, Ivo fabricava de maneira artesanal caixas específicas para abelhas sem ferrão, divulgando o trabalho on-line. O crescimento da demanda foi tão intenso que a antiga atividade deixou de fazer sentido.

“Chegou um momento em que não dava mais para conciliar. Eu trabalhava com frutas, mas a procura pelas caixas aumentou muito. Tive que encerrar a empresa antiga e me dedicar só a isso”, relatou o empresário ao Jornal do Beltrão.

Com o aumento das encomendas, o negócio passou a envolver outros membros da família e hoje conta com quatro pessoas trabalhando diretamente na produção.

Criação mantém 14 espécies de abelhas nativas

Atualmente, o meliponário trabalha com 14 espécies diferentes de abelhas sem ferrão, com foco na multiplicação de enxames e na venda para criadores, colecionadores e produtores rurais dos estados do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e São Paulo.

A procura cresce não apenas pela produção de mel orgânico, mas também pela segurança e pelo comportamento singular dessas espécies, que não oferecem risco às pessoas.

Curiosidade vira aprendizado ambiental

Segundo Ivo Miguel, o primeiro contato costuma causar estranhamento, mas rapidamente se transforma em curiosidade. “São abelhas brasileiras, não têm ferrão e não picam. No começo as pessoas ficam receosas, depois perdem o medo e querem entender como funciona”, explica.

O espaço também passou a receber visitas educativas de escolas, permitindo que crianças tenham contato direto com as abelhas e aprendam sobre preservação ambiental.

“Já teve aluno que achou que era formiga, de tão pequena que a abelha é”, relembra o empresário.

Setor se organiza com associação regional

O crescimento da atividade incentivou a organização do setor na região. Está em processo de criação uma Associação de Apicultores, presidida por Osmar Zanotti.

Entre os projetos estão a implantação de uma Casa do Mel e a instalação de colmeias didáticas em praças públicas e escolas, aproximando a população urbana do universo das abelhas nativas.

Falta de mão de obra ainda é desafio

Apesar do sucesso, Ivo Miguel destaca que a escassez de mão de obra qualificada ainda limita o crescimento do negócio. As caixas são produzidas sob medida para cada espécie, o que exige conhecimento técnico e impacta os prazos de entrega.

A história do meliponário reflete uma tendência cada vez mais forte no Brasil: iniciativas que unem sustentabilidade, educação ambiental e geração de renda, transformando pequenos projetos rurais em negócios com alcance regional e nacional.

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