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Galápagos: 150 mil cabras exterminadas para salvar tartarugas gigantes

08 jan 2026 - 22h09 Joice Gomes   atualizado às 22h25
Galápagos: 150 mil cabras exterminadas para salvar tartarugas gigantes Cabras invasoras em Galápagos. (Imagem: Reprodução)

As ilhas Galápagos, berço da teoria da evolução de Darwin, enfrentaram uma guerra silenciosa contra invasoras. Cientistas eliminaram mais de 140 mil cabras em uma operação radical entre 1997 e 2006, conhecida como Projeto Isabela. Isso custou US$ 10,5 milhões e cobriu 500 mil hectares em ilhas como Isabela, Santiago e Pinta.

Na prática, as cabras, introduzidas por marinheiros no século 19 como fonte de comida, explodiram em população. De poucas dezenas, viraram 250 mil, devorando tudo: florestas nativas sumiram, tartarugas gigantes ficaram sem alimento e espécies endêmicas beiraram a extinção. O impacto é direto: sem intervenção, as Galápagos colapsariam ecologicamente hoje.

Por que isso importa agora? Em 2026, com mudanças climáticas acelerando invasões globais, o caso das Galápagos vira lição urgente. Espécies invasoras custam bilhões anualmente ao mundo, e o Brasil, com biomas frágeis como Pantanal e Cerrado, enfrenta dilemas parecidos.

Cabras invasoras: De aliadas a vilãs vorazes

As cabras chegaram inocentes, deixadas por baleeiros em 1959 como reserva de carne. Em 14 anos, multiplicaram-se para 30 mil; nos anos 90, superavam 250 mil nas Galápagos. Elas escalavam vulcões íngremes, comiam 10 vezes mais que nativas e criavam desertos onde havia paraíso.

Isso significa que tartarugas, que pesam até 250 kg e dependem de vegetação baixa, viram rivais famintas. Em Pinta e Santiago, populações inteiras de tartarugas quase sumiram. Árvores como Scalesia, endêmicas, foram dizimadas: de florestas densas, restaram tocos.

Hoje, 20 anos após o fim do projeto, dados mostram regeneração: cobertura vegetal subiu 30% em áreas chave, provando que ações radicais funcionam. Aqui fica um alerta: espécies invasoras como javalis no Brasil seguem o mesmo script destrutivo.

Projeto Isabela: Helicópteros, Judas e Fogo Cruzado

O Projeto Isabela foi épico. Começou com treinamentos locais, muitos nunca caçaram, usando rifles semiautomáticos, 70 cães farejadores e dois helicópteros. Atiradores miravam de bordos, abatendo 90% das cabras em campos abertos.

Inovação chave: cabras "Judas". Esterilizadas e com GPS, atraíam manadas para emboscadas. Na Isabela Norte, 62.818 cabras caíram em dois anos, por US$ 4,1 milhões. Burros selvagens também foram removidos: total de 150 mil animais sacrificados.

Chocante? Sim, admitem cientistas. Mas o risco de reinvasão era alto, cabras foram reintroduzidas ilegalmente pós-operação. Estratégia arquipelágica evitou isso, reduzindo densidade a zero em ilhas chave. Na prática, salvou ecossistemas inteiros.

Florestas renasceram: Vegetação explode em verde

Pós-extermínio, milagre ecológico. Em Santiago, arbustos e árvores nativas voltaram em massa: de 10% de cobertura em 2006, para 70% em 2025. A "Floresta das Crianças" em Isabela, com Scalesia cordata, renasceu após décadas árida.

Dados concretos: regeneração vegetal acelerou 40% mais rápido que previsto. Plantas invasoras cederam espaço a endêmicas, insetos e pássaros multiplicaram. Isso significa solos recuperados, erosão zerada e rios com mais água.

Comparação temporal: antes, ilhas pareciam savanas secas; hoje, paraísos verdes. Para ecossistemas globais, prova que remoção total, não controle parcial, é o caminho, lição para Amazônia, onde cabras e porcos invadem reservas.

Tartarugas Gigantes voltam ao poder

As estrelas: tartarugas gigantes. Com comida farta, programas de criação repatriaram milhares. Em Española, 2 mil filhotes soltos nos anos 90 atingiram maturidade e reproduzem soltas desde 2010.

Elas viraram "engenheiras ecológicas": pisam solo, dispersam sementes, controlam arbustos. Em Pinta, 39 híbridos esterilizados restauram equilíbrio pós-cabras. Populações subiram 500% em ilhas restauradas.

Impacto humano: turismo sustentável explode, gerando US$ 100 milhões/ano no Equador. Mas alerta: novas ameaças como ratos persistem. Em 2026, iniciativas como Giant Tortoise Restoration expandem, "ressuscitando" espécies extintas via hibridismo.

Lições globais: Extremos salvam o planeta?

O caso Galápagos questiona ética: matar 150 mil para salvar milhares? Resultados falam: biodiversidade +30%, extinções evitadas, ecossistema resiliente ao clima. Custo-benefício: US$ 10,5 mi vs. colapso bilionário.

No Brasil, javalis invadem soja e pastos, 1 milhão abatidos em 2025, mas sem estratégia total. Espécies invasoras custam R$ 50 bi/ano à agro pecuária. Galápagos mostra: atue agora ou perca para sempre.

Atualidade reforça: com aquecimento global, ilhas como essas são sentinelas. Sucesso inspira projetos em Hawaii e Nova Zelândia. Ações radicais preservam o que amamos, antes que vire história.

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