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Economia

Indústria cresce em faturamento, mas emprego despenca

19 jan 2026 - 16h44 Joice Gomes   atualizado às 16h48
Indústria cresce em faturamento, mas emprego despenca Descubra os Indicadores Industriais da CNI: faturamento da indústria sobe 1,2% em novembro de 2025. (Imagem: Arquivo/Agência Brasil)

O faturamento da indústria de transformação registrou crescimento de 1,2% em novembro de 2025 na comparação com outubro, segundo os Indicadores Industriais divulgados pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Esse avanço interrompeu uma sequência de três quedas consecutivas no índice, sinalizando uma leve recuperação nas vendas.

Apesar do otimismo com o faturamento, o emprego no setor industrial continua em queda livre. Os dados revelam uma retração de 0,2% no número de vagas em novembro, marcando o terceiro mês consecutivo de perda de postos de trabalho. A situação reflete os desafios enfrentados pelas empresas em meio ao cenário econômico adverso.

Juros altos freiam contratações

Marcelo Azevedo, gerente de Análise Econômica da CNI, atribui a queda no emprego à perda de ritmo da atividade industrial, impactada diretamente pela taxa Selic em 15% ao ano, o maior patamar desde 2006. "Demitir e recontratar é custoso para a indústria, pois a mão de obra requer qualificação interna", explica o especialista.

No acumulado de janeiro a novembro de 2025, o emprego industrial ainda registra alta de 1,7% em relação ao mesmo período de 2024, mas a tendência recente de retração acumulada de 0,6% desde setembro preocupa os analistas. As empresas optam por ajustes para preservar caixa em tempos de demanda enfraquecida.

  • Faturamento: +1,2% em novembro (vs. outubro)
  • Emprego: -0,2% em novembro, terceira queda seguida
  • Selic: 15% ao ano, pressionando o setor
  • Acumulado 2025: faturamento +0,3%, emprego +1,7%

Rendimento sobe, mas acumula perdas

O rendimento médio real dos trabalhadores industriais avançou 1,6% em novembro após quatro meses de declínio, oferecendo um alívio pontual aos salários. No entanto, no acumulado do ano até novembro, o indicador recuou 4% ante 2024, evidenciando a pressão inflacionária e os custos elevados.

A Utilização da Capacidade Instalada também registrou leve piora, caindo de 78,1% para 77,5%, o que reforça o cenário de ociosidade nas fábricas. Esses números dos Indicadores Industriais pintam um quadro misto para o setor, com sinais positivos isolados em meio a ventos contrários.

Perspectivas para 2026 desafiadoras

Analistas da CNI projetam crescimento modesto do PIB industrial em 2026, em torno de 1,8%, limitado pelos juros elevados e pela concorrência das importações. A indústria de transformação, mais vulnerável, pode expandir apenas 0,5%, segundo estimativas recentes.

Para reverter a tendência de queda no emprego, o setor clama por redução gradual da Selic e estímulos à demanda interna. Enquanto isso, as empresas focam em eficiência operacional e preservação de empregos qualificados, aguardando melhoras no ambiente macroeconômico.

Os Indicadores Industriais da CNI servem como termômetro essencial para entender a saúde do setor fabril brasileiro. Apesar dos avanços pontuais no faturamento, a persistência da queda no emprego alerta para a necessidade de políticas públicas mais agressivas em apoio à indústria nacional.

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