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Neurologista faz alerta direto: hábito comum após os 65 anos pode acelerar a perda de memória

30 dez 2025 - 15h12 Joice Gomes   atualizado às 15h20
Neurologista faz alerta direto: hábito comum após os 65 anos pode acelerar a perda de memória Saiba a idade ideal para parar de beber. (Imagem: de Freepik)

Manter a mente ativa e a memória preservada é um dos maiores desejos de quem envelhece. No entanto, um costume amplamente aceito socialmente pode estar sabotando esse objetivo. Segundo o neurologista Richard Restak, referência internacional em saúde do cérebro, o consumo de álcool na terceira idade representa um risco real e frequentemente subestimado.

De acordo com o especialista, o que antes parecia apenas um brinde ocasional pode se transformar em um gatilho silencioso para o declínio cognitivo, especialmente após uma idade específica.

A idade em que o álcool se torna um risco para o cérebro

O alerta do Dr. Restak é claro: a partir dos 65 anos, o álcool deve ser eliminado completamente. A recomendação não se baseia em moral ou estilo de vida, mas em limites biológicos do próprio organismo.

Nessa fase da vida, a chamada reserva cognitiva, a capacidade do cérebro de compensar danos, já é naturalmente menor. Qualquer agressão adicional, como a ingestão de álcool, pode acelerar processos degenerativos ligados à memória, atenção e tomada de decisões.

Segundo o neurologista, muitas doenças associadas à demência não têm cura. Por isso, a prevenção é a única estratégia realmente eficaz. Retirar o álcool da rotina aos 65 anos funciona como uma intervenção protetiva, preservando neurônios enquanto ainda estão plenamente funcionais.

Por que o cérebro idoso sofre mais com o álcool

A ciência é categórica ao classificar o álcool como uma neurotoxina. Isso significa que ele tem capacidade direta de danificar células nervosas e comprometer a comunicação entre elas.

Com o envelhecimento, o cérebro perde eficiência na metabolização de substâncias tóxicas. O álcool, ao circular pela corrente sanguínea, altera a química cerebral, reduz a plasticidade neural e contribui para a atrofia de áreas ligadas ao raciocínio, memória e controle emocional.

Quando esse processo ocorre de forma contínua, mesmo em quantidades consideradas moderadas, o impacto é cumulativo e difícil de reverter.

O consumo regular acelera o envelhecimento do organismo

Além dos efeitos neurológicos, o álcool mantém o corpo em um estado inflamatório crônico. Esse cenário acelera o envelhecimento de órgãos vitais e aumenta o risco de doenças graves.

Dados internacionais mostram que o consumo de bebidas alcoólicas está associado a dezenas de milhares de mortes anuais, incluindo casos de:

  • Cânceres do sistema digestivo;
  • Doenças cardiovasculares;
  • Cirrose hepática;
  • Comprometimento progressivo da função cerebral.

O perigo maior não está em um episódio isolado, mas na regularidade. O uso frequente reduz a capacidade de aprender, recordar informações recentes e manter autonomia ao longo dos anos.

A demência silenciosa ligada ao álcool

Um dos quadros mais graves associados ao consumo prolongado é a Síndrome de Wernicke-Korsakoff, uma forma de demência marcada por falhas severas de memória recente.

Nessa condição, a pessoa pode se lembrar claramente de eventos distantes, mas esquecer o que fez minutos antes. O problema surge da combinação entre o efeito tóxico do álcool e a deficiência de vitamina B1 (tiamina), essencial para o funcionamento cerebral.

Sem essa vitamina, o cérebro não consegue utilizar a glicose adequadamente, levando à morte celular em regiões estratégicas. Trata-se de uma doença muitas vezes invisível, que pode se manifestar abruptamente após anos de consumo aparentemente controlado.

Mais do que um hábito, uma escolha preventiva

O neurologista também chama atenção para o uso do álcool como forma de automedicação emocional. Muitas pessoas recorrem à bebida para aliviar ansiedade, estresse ou solidão, um comportamento especialmente perigoso após os 65 anos.

Nessa etapa da vida, o custo neurológico desse alívio momentâneo pode ser alto demais, transformando um hábito social em dano estrutural permanente.

Eliminar o álcool após os 65 anos não é apenas uma decisão pessoal, mas um gesto de respeito à própria história, à autonomia e à dignidade no envelhecimento. Proteger o cérebro hoje é garantir clareza, independência e qualidade de vida no futuro.

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