Integrantes da etnia Tsimane, onde o estilo de vida ativo e a alimentação natural estão associados ao envelhecimento mais lento.
(Imagem: Reprodução/Instagram/@Unesco)
Os Tsimane, povo indígena que vive nas margens do rio Maniqui, na Amazônia boliviana, desafiam as expectativas científicas sobre o envelhecimento. Pesquisas recentes mostram que eles exibem sinais de juventude física e mental bem além da idade cronológica, com corações envelhecendo duas décadas mais devagar e cérebros perdendo volume 70% mais lentamente que populações industrializadas.
Esse fenômeno intrigante tem sido observado há mais de duas décadas por projetos como o Tsimane Health and Life History Project, que acompanha milhares de indivíduos por meio de exames clínicos, tomografias e análises genéticas. Apesar de enfrentarem infecções frequentes e parasitas em quase 100% da população, os Tsimane apresentam baixíssimas taxas de Alzheimer, demência e doenças cardiovasculares.
Segredos do envelhecimento lento dos Tsimane
O estilo de vida dos Tsimane é apontado como o principal fator para esse envelhecimento mais lento. Eles caminham entre 15 mil e 17 mil passos diários, caçando, pescando, plantando e coletando frutos na floresta, o que mantém a atrofia muscular 70% menor que em idosos de países como EUA, Reino Unido e Japão.
Sua dieta rica em peixes, carnes magras de caça, frutas, vegetais e fibras, com baixo consumo de sal e alimentos processados, reduz a inflamação crônica aceleradora do envelhecimento. Estudos comparativos revelam que artérias de um Tsimane de 75 anos se assemelham às de um americano de 50 anos, com prevalência de aterosclerose cinco vezes menor.
- Cérebro: Perda de volume 40% mais lenta, com zero casos de Alzheimer detectados em adultos.
- Coração: Envelhecimento 20 anos mais tardio, menor risco de infartos.
- Músculos: Menos atrofia, maior vigor físico na velhice.
- Inflamação: Alta devido a infecções, mas não acelera declínio cognitivo como no Ocidente.
Lições para o mundo moderno
Os achados dos Tsimane sugerem que hábitos ancestrais podem combater o envelhecimento acelerado causado por sedentarismo e dietas ocidentais. Pesquisadores como Hillard Kaplan, da Chapman University, enfatizam que a combinação de atividade intensa, dieta natural e baixa exposição a estresse urbano protege o cérebro e o sistema cardiovascular.
Embora os Tsimane enfrentem desafios como mortalidade infantil elevada e acesso limitado a saúde, seus idosos mantêm independência e funções cognitivas por mais tempo. Um idoso de 80 anos tem saúde cardiovascular e cerebral equivalente a um de 55 anos em Nova York ou Londres.
Estudos publicados em revistas como The Lancet e Science Advances reforçam que o envelhecimento saudável dos Tsimane na Amazônia oferece lições globais. Adotar mais movimento diário e alimentos integrais poderia reduzir riscos de demência e coração em populações urbanas, promovendo uma velhice mais ativa e plena.
A pesquisa continua evoluindo, com novas fases focando em idosos para entender mecanismos genéticos e ambientais. Esses indígenas isolados provam que o envelhecimento não precisa ser sinônimo de declínio inevitável, inspirando mudanças no estilo de vida contemporâneo.
No contexto da Amazônia boliviana, onde vivem cerca de 16 mil Tsimane, a preservação cultural e ambiental é crucial para manter esses benefícios. Ameaças como desmatamento e contato externo podem alterar esse equilíbrio único de longevidade.