Médicos Sem Fronteiras suspende parte das operações no Hospital Nasser, em Gaza, devido a presença de homens armados e intimidações.
(Imagem: gerado por IA)
Os Médicos Sem Fronteiras (MSF) anunciaram a suspensão de atividades médicas não críticas no Hospital Nasser, um dos maiores ainda em funcionamento na Faixa de Gaza. A decisão veio após relatos repetidos de pacientes e funcionários sobre a presença de homens armados e encapuzados no complexo hospitalar.
O Hospital Nasser, localizado em Khan Younis, no sul de Gaza, tem sido essencial para tratar centenas de feridos de guerra e pacientes deslocados. Apesar do cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos em outubro, o local registrou um padrão de atos como intimidações, detenções arbitrárias e suspeitas de movimentação de armas.
A organização humanitária destacou que essas falhas de segurança representam uma grave ameaça às equipes médicas e aos pacientes, forçando a restrição das operações para preservar vidas.
Presença de grupos armados no hospital
Desde o acordo de cessar-fogo, Gaza viu o surgimento de múltiplos grupos armados, alguns apoiados pelo exército israelense em áreas sob seu controle. No Hospital Nasser, funcionários relataram ataques repetidos por milícias, mesmo com presença policial no local.
Os Médicos Sem Fronteiras manifestaram preocupação às autoridades competentes, reforçando que hospitais devem ser espaços civis e neutros. A identidade dos homens armados permanece incerta, complicando a resposta à crise.
O Ministério do Interior controlado pelo Hamas prometeu reforçar a segurança nos hospitais, com destacamento de polícia e processos judiciais contra infratores, além de medidas mais rigorosas para proteger pacientes.
- Presença de homens armados e encapuzados relatada por pacientes e staff desde outubro.
- Detenções arbitrárias de doentes e suspeita de armazenamento de armas no complexo.
- Ataques prévios por milícias, apesar de policiamento no Hospital Nasser.
Impactos no atendimento médico em Gaza
A suspensão afeta diretamente alas como pediatria, maternidade e unidade de cuidados intensivos neonatais, além de consultas externas para queimaduras e saúde mental. Serviços críticos, como internação e cirurgias para traumas e queimaduras graves, continuam operando com apoio do MSF.
Zaher al-Waheidi, chefe do departamento de registros do Ministério da Saúde de Gaza, alertou para o impacto significativo, com centenas de admissões diárias nessas áreas. O ministério assumirá cuidados maternos, mas vítimas de queimaduras terão opções limitadas.
O sistema de saúde em Gaza já opera no limite, com a maioria dos hospitais destruídos ou parcialmente funcionais devido a ataques durante o conflito. Essa restrição no Nasser agrava o acesso a cuidados essenciais para mulheres, crianças e feridos crônicos.
- Suspensão de pediatria, maternidade e UTI neonatal no Hospital Nasser.
- Continuidade em cirurgias de trauma e internações críticas.
- Falta de alternativas para tratamento de queimaduras graves em Khan Younis.
Contexto de ataques e proteções internacionais
Durante a guerra, Israel realizou incursões e ataques a vários hospitais em Gaza, incluindo o Nasser, acusando o Hamas de usá-los como bases ou esconderijos para reféns. Elementos do Hamas foram vistos bloqueando áreas em instalações médicas.
O direito internacional humanitário oferece proteção especial a hospitais em conflitos, mas essa imunidade pode ser perdida se usados para fins militares, como armazenamento de armas. Ainda assim, exige aviso prévio para evacuação e proíbe danos desproporcionais a civis.
Organizações como o Comitê Internacional da Cruz Vermelha enfatizam que ataques deliberados sem justificativa violam normas globais. Israel baniu recentemente dezenas de ONGs, incluindo o MSF, por não cumprirem regras de registro, o que ameaça ainda mais o suporte humanitário em Gaza.
- Hospitais perdem proteção se abrigarem combatentes ou armas, conforme Cruz Vermelha.
- Ataques israelenses devastaram o sistema de saúde, fechando a maioria das unidades.
- Reféns libertados relataram cativeiro em hospitais durante o conflito.
Desafios futuros para a assistência humanitária
Os Médicos Sem Fronteiras apelam a todos os grupos armados e forças israelenses para respeitarem instalações médicas e garantirem proteção a staff e pacientes. A organização opera em seis hospitais, dois de campanha e centros de saúde em Gaza, além de programas contra desnutrição infantil.
A proibição imposta por Israel ao MSF pode ter impacto catastrófico, cortando financiamento e presença internacional. Com o Hospital Nasser sob risco, pacientes enfrentam maior vulnerabilidade, especialmente em meio à escassez de medicamentos e rotas de acesso inseguras.
Especialistas preveem piora no colapso do sistema de saúde se a segurança não for restaurada. Iniciativas como o reforço policial do Hamas e negociações com ONGs serão cruciais para mitigar os efeitos e permitir a retomada plena de serviços.
Essa crise destaca a fragilidade da assistência médica pós-cessar-fogo, onde a neutralidade dos hospitais é essencial para salvar vidas em um território marcado por anos de conflito.