Anvisa alerta para risco de pancreatite associado às canetas emagrecedoras e reforça uso apenas com indicação médica e monitoramento cuidadoso.
(Imagem: gerado por IA)
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) emitiu um alerta de farmacovigilância sobre o risco de pancreatite aguda associado ao uso de medicamentos agonistas do receptor GLP-1, popularmente conhecidos como canetas emagrecedoras.
Esses medicamentos, que incluem substâncias como dulaglutida, liraglutida, semaglutida e tirzepatida, vêm sendo amplamente utilizados em tratamentos de diabetes e obesidade, o que aumentou a atenção das autoridades para possíveis eventos adversos graves.
Segundo a Anvisa, o alerta não significa proibição nem mudança na avaliação de benefício e risco, mas reforça a necessidade de uso das canetas emagrecedoras estritamente dentro das indicações de bula e sob acompanhamento de profissionais habilitados.
O que motivou o alerta da Anvisa
O novo comunicado da agência foi motivado pelo aumento de notificações de suspeitas de eventos adversos relacionados ao uso de agonistas de GLP-1, tanto no Brasil quanto em outros países.
De acordo com dados da Anvisa, entre 2020 e 7 de dezembro de 2025, foram registradas 145 notificações de suspeitas de eventos adversos com esses medicamentos, incluindo seis casos suspeitos com desfecho de óbito.
A agência ressalta que o risco de pancreatite aguda, inclusive em formas graves e potencialmente fatais, já constava nas bulas, mas o cenário recente exige reforço das orientações de segurança ao público e aos profissionais de saúde.
Além do cenário nacional, o comunicado cita que a autoridade reguladora de medicamentos do Reino Unido (MHRA) também emitiu, no início de fevereiro, um alerta sobre o risco, ainda que pequeno, de pancreatite aguda grave em usuários de canetas emagrecedoras.
O que são as canetas emagrecedoras e como devem ser usadas
As chamadas canetas emagrecedoras são dispositivos aplicadores de medicamentos que atuam como agonistas do receptor GLP-1, usados principalmente no tratamento de diabetes tipo 2 e obesidade, com efeitos sobre controle glicêmico e perda de peso.
Apesar da popularização para fins estéticos e de emagrecimento rápido, a Anvisa reforça que esses produtos devem ser utilizados exclusivamente conforme as indicações aprovadas em bula e sempre sob prescrição e acompanhamento médico.
Em junho de 2025, a agência determinou regras mais rígidas para a venda desses medicamentos, exigindo prescrição em duas vias e retenção da receita nas farmácias, modelo semelhante ao adotado para antibióticos, com validade de até 90 dias a partir da emissão.
A medida buscou conter o uso indiscriminado e fora das indicações autorizadas, especialmente quando as canetas emagrecedoras são utilizadas apenas para emagrecimento sem necessidade clínica comprovada, o que aumenta o risco de efeitos adversos.
Risco de pancreatite e sintomas que exigem atenção
Entre os eventos adversos de maior preocupação associados a esses medicamentos está a pancreatite aguda, inflamação do pâncreas que pode evoluir para formas necrotizantes e fatais se não for reconhecida e tratada rapidamente.
A Anvisa orienta que usuários de canetas emagrecedoras procurem atendimento médico imediato em caso de dor abdominal intensa e persistente, que pode irradiar para as costas e vir acompanhada de náuseas e vômitos, quadro sugestivo de pancreatite.
Profissionais de saúde são recomendados a interromper o tratamento ao suspeitar desse tipo de reação adversa e a não retomar o uso da medicação caso o diagnóstico de pancreatite seja confirmado.
Mesmo com o alerta, a agência afirma que, nas condições hoje aprovadas em bula, os benefícios terapêuticos das canetas emagrecedoras ainda superam os riscos, desde que utilizadas corretamente e com monitoramento clínico.
Uso indiscriminado aumenta riscos e exige vigilância
A Anvisa destaca que o uso indiscriminado, sobretudo para emagrecimento rápido sem indicação médica adequada, eleva de forma significativa o risco de efeitos adversos e dificulta o diagnóstico precoce de complicações graves.
A combinação de demanda elevada, busca por resultados estéticos e circulação de informações superficiais sobre as canetas emagrecedoras criou um cenário de preocupação sanitária, levando à intensificação do monitoramento.
Outro ponto enfatizado é a importância da notificação de qualquer suspeita de reação adversa no sistema VigiMed, plataforma mantida pela Anvisa para monitorar a segurança de medicamentos e vacinas em uso no país.
Essas notificações ajudam a identificar padrões, reavaliar orientações e, se necessário, ajustar recomendações de uso das canetas emagrecedoras e de outros fármacos sob vigilância regulatória.
Histórico de alertas e próximos passos
O novo comunicado se soma a outros alertas já emitidos pela agência em anos anteriores envolvendo as canetas emagrecedoras, como o risco de aspiração durante procedimentos anestésicos, em 2024, e um aviso sobre perda de visão rara associada à semaglutida, em 2025.
Esse histórico mostra que o monitoramento de segurança desses medicamentos é contínuo e que os dados de farmacovigilância podem levar a novas atualizações de bula, ajustes nas condições de uso ou até restrições adicionais, se necessário.
Para os usuários, a orientação central permanece: não iniciar ou manter o uso de canetas emagrecedoras sem indicação clínica, seguir rigorosamente a prescrição, relatar sintomas diferentes do habitual e não compartilhar receitas ou medicamentos.
Do ponto de vista prático, o alerta da Anvisa tende a reforçar a responsabilidade de médicos, farmácias e pacientes na utilização desses produtos e pode estimular debates sobre protocolos clínicos, acesso seguro e combate ao uso meramente estético.
- A Anvisa emitiu alerta de farmacovigilância sobre risco de pancreatite aguda ligado ao uso de agonistas de GLP-1, conhecidos como canetas emagrecedoras.
- Entre 2020 e dezembro de 2025, foram registradas 145 suspeitas de eventos adversos e seis suspeitas de casos com óbito associados a esses medicamentos.
- Desde 2025, a venda exige receita em duas vias, com retenção em farmácias e validade de 90 dias, para coibir uso fora das indicações aprovadas.
- Usuários devem buscar atendimento imediato diante de dor abdominal intensa, náuseas e vômitos, enquanto profissionais devem interromper o tratamento em caso de suspeita de pancreatite.
- A agência reforça a importância de notificar reações adversas no sistema VigiMed para aprimorar o monitoramento da segurança das canetas emagrecedoras.